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II Parte: Exercícios que antecederam a produção da coletânea de curtas-metragens



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1.2 II Parte: Exercícios que antecederam a produção da coletânea de curtas-metragens


Após a seleção das narrativas de memórias, orientei os estudantes em relação à realização de outros exercícios voltados à preparação para a produção da coletânea composto de curtas-metragens como produto educacional desta pesquisa, explorando a técnica de stop motion.

Considerando (MOLETTA, 2009, p. 17), “o curta cinematográfico equipara-se ao conto na literatura, ou seja, para o autor é uma forma breve e intensa de contar uma história ou expor um personagem”. Assim, antes de iniciar as filmagens, vários exercícios foram realizados, como leituras, diálogos referentes aos assuntos abordados durante as aulas, à contextualização desses saberes presentes na escola, às narrativas de memórias de vida, às construções de produções textuais. Tudo com o objetivo de contribuir também para o desenvolvimento do roteiro da coletânea dos curtas-metragens e criar intimidade com a linguagem audiovisual.

Em outro momento, expliquei como faríamos as animações em stop motion, buscando explorar os mais diferentes assuntos estudados durante as aulas. Oportunizei a eles um momento, em grupo, para que dialogassem sobre as ideias e possibilidades para a constituição de suas animações. Posteriormente, orientei novamente sobre a constituição do roteiro, como norteador para o desenvolvimento dos trabalhos.

Expus a eles o conceito de roteiro, a partir de vários vídeos e de acordo com o pensamento de Moletta (2009), que apresenta o roteiro sendo onde tudo se inicia, o primeiro passo para transformar uma ideia em algo concreto e palpável. O autor ainda relata que roteiro é isso, falar, retratar os seres humanos e suas histórias reais. Encerrando a aula daquele dia, pedi que os estudantes trouxessem para a sala de aula, no dia seguinte, brinquedos que tivessem em casa, que estivessem de acordo com a representatividade do roteiro que iriam constituir na aula do dia seguinte.

Ao iniciar a aula, no outro dia, conforme proposto, expliquei novamente à turma como elaborar um roteiro, disponibilizei a eles o vídeo Como produzir um curta-metragem (2017)28, direção Lawys Chiesa, que apresentava as etapas da construção do roteiro. Em seguida eles assistiram a diversos curtas disponíveis no site YouTube e no site Ao Norte, visando estimular o processo criativo.

Na sequência, a turma do 5º ano “A” foi organizada em três grupos, com a finalidade de cada um deles estudar uma das narrativas e a partir dela produzir o roteiro, desenvolver ideias e sugestões para seu curta-metragem. Foi um exercício coletivo, árduo, que necessitou de quatro dias para sua elaboração, revisão, leitura compartilhada, discussões. Nas palavras de (MOLETTA, 2009, p. 11):
Tão importante quanto saber usar corretamente um bom equipamento cinematográfico é saber produzir um filme sem ele; saber escrever um roteiro que possa realmente ser produzido; criar uma boa fotografia sem refletores ideais; produzir sem dinheiro.
Em outro momento, organizei a turma do 5º ano “A” no espaço escolar para que pudessem iniciar os exercícios, primeiramente produzindo o roteiro. Todos os participantes demonstraram dificuldades, mas depois de um tempo conseguiram produzir, caracterizando um verdadeiro momento de cooperação e de partilha entre o coletivo. Após, já organizados em três pequenos grupos, começaram a construir as cenas, a partir da utilização dos brinquedos que haviam levado para a escola.

O primeiro grupo dispunha de carrinhos de brinquedo. Assim eles desenharam uma pista no chão do pátio da escola e tentaram simular uma corrida de carrinhos. Já o segundo levou uma cobra de borracha, criando cenas nas quais ela percorria uma parte do pátio da escola e logo subia numa planta que havia próximo à caixa d’água. O terceiro grupo utilizou uma boneca e suas roupas, na tentativa de reproduzir cenas de um desfile de modas. Lembrando que esse exercício foi apenas um dentre vários outros voltados à preparação para a posterior produção da coletânea dos curtas-metragens.

Na coleta das imagens, eles auxiliaram uns aos outros, num exercício colaborativo. Enquanto um com a câmera na mão fotografava as cenas, os demais iam modificando os movimentos, o que no final permitiu a constituição de três pequenos filmes cinematográficos de curta duração. Posteriormente os próprios estudantes assistiram a eles e puderam realizar seus apontamentos.

Em relação ao enquadramento das imagens, manteve-se a câmera direcionada para os brinquedos e o contexto das cenas, enquanto iam construindo a história. Todos buscaram um melhor enquadramento das imagens e de seus discursos. Essa preocupação com a focalização das imagens, com a linguagem e a expressão dos movimentos, tendo o devido cuidado de relacionar o roteiro com os fatos apresentados, com as imagens que iam sendo fotografadas, é considerada a arte de se fazer cinema Moletta (2009). Todo exercício realizado, desde a ação de assistir a filmes até produzir as imagens fílmicas, revela-se como bens simbólicos repletos de significados.

Como pesquisadora participante inserida no sistema, a cada exercício realizado, observei o desenvolvimento da minha própria prática pedagógica, buscando ampliar meus conhecimentos, melhorando e visando contribuir para um ensino integral e de qualidade. Como já dito anteriormente, a partir do instante em que o observador começa a se observar, ele cria, naquele instante, um entrelaçamento entre o observador que se observará observando, ou seja, segundo Vasconcellos (2013), o observante torna-se um objeto que passa a ser observado.

O exercício realizado possibilitou aos estudantes, bem como a mim, perceber que não há como prever ou controlar as situações, mesmo que planejadas, contribuindo para associar os diversos acontecimentos que vivenciamos diariamente a uma nova maneira de ver o mundo e estar nele, como responsáveis pela sua constituição. De fato, tal como já expresso, são os nossos paradigmas, pressupostos, crenças, nossa visão de mundo que se manifestam em nosso modo de estar e agir no mundo, influenciando em nossos pensamentos e ações Vasconcellos, (2013).

Sendo assim, os movimentos ocorridos durante a atividade oportunizaram, a partir das diversas subjetividades, a compreensão de várias realidades, de diversificados aspectos culturais. Após inúmeros diálogos houve a construção de um espaço consensual da escolha de uma história para se constituir a coletânea composto de curtas-metragens como produto final. Pude perceber também a autonomia dos estudantes, que com facilidade e já com compreensão do sentido de se adotar uma abordagem sistêmica de ensino se envolveram compromissadamente com os exercícios propostos, partilhando saberes, ouvindo o outro e colaborando sempre que necessário. Isso caracterizou, através das interações, um ótimo trabalho em grupo, emergindo, por meio da linguagem, redes de relações que vão transformando a realidade e fazendo com que respeitemos a verdade do outro.


Fotografias 1, 2, 3 e 4




Fonte: Acervo da pesquisadora.

Fotografias 5, 6, 7 e 8


Fonte: Acervo da pesquisadora.
F otografias 9, 10 e 11

Fonte: Acervo da pesquisadora.






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