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Capítulo 1 Produto Educacional: Produção da Coletânea de Curtas-metragens a partir das narrativas de memórias



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Capítulo 1

Produto Educacional: Produção da Coletânea de Curtas-metragens a partir das narrativas de memórias
Apresento, a seguir, algumas das narrativas de memórias que foram escolhidas pelos estudantes para compor a coletânea composto de curtas-metragens como histórias narrativas de suas vidas reais. Também apresento abaixo o percurso percorrido para o desenvolvimento da coletânea composto de curtas-metragens.


1.1 I Parte: O cinema como incentivo à rememoração de narrativas de memórias

Inspirada e instigada pelo universo do cinema e com o desejo de desenvolver o produto educacional em formato de uma coletânea composto de curtas-metragens, em colaboração com os estudantes, possibilitei a apresentação de alguns filmes. Ressalto que os filmes estavam relacionados aos temas abordados através das diversas leituras realizadas e que se aproximassem da realidade sociocultural deles e fossem acessíveis à linguagem poética da infância.

Antes de iniciar a apresentação dos filmes, introduzi aos estudantes o texto Cinema: fábrica de sonhos (2018), presente no livro didático de artes da turma do 5º ano “A”, abordando temas como: cinema como ficção científica; efeitos especiais; animação com brinquedos; curta-metragem; o cinema como arte de muitas linguagens, dentre outros. Realizamos a leitura de maneira coletiva, dialogamos sobre cada temática, a fim de sanarmos dúvidas, realizamos pesquisas, objetivando conhecer o mundo do cinema cada vez mais.

Os filmes apreciados foram: American Girl: uma aventura no Brasil (2016)20, direção Nadia Tass; Histórias cruzadas (2012)21, direção Tate Taylor; Histórias do Brasil (2011)22, direção Boris Fausto; O menino do pijama listrado (2008)23, direção Mark Herman; O menino que descobriu o vento (2009)24, direção Chiwetel Ejiofor; Os sem floresta (2006)25, direção Thim Jhonson e Karey Kirkpatrick; Monster House (2006)26, direção Gil Ktenam; Toy Story (1995) direção Jhon Lasseter; A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005)27, direção de Tim Burton, dentre outros.

Assistir aos filmes foi uma maneira de ampliar os conhecimentos dos estudantes, considerando que cada obra aborda temáticas diferenciadas, mas que em diversos momentos se aproximam uma das outras, interligando e ampliando conhecimentos diversos. Por meio dos filmes foram constituídas alternativas dinâmicas e significativas para o desenvolvimento dos exercícios didático-pedagógicos, pois, ao terem contato com eles, adquiriram e diversificaram seus conhecimentos das várias representações culturais, sociais, políticas, econômicas de outros povos, vivências diferentes, que se aproximavam das realidades e dos saberes aprendidos na escola. Sem dúvida, o cinema tem uma linguagem imagética que contribui para o processo de ensino e aprendizagem, considerando que, segundo PIRES (2014, p. 608), as imagens são como textos:
Servem para descrever as coisas e lhes dar sentido, suprimindo e integrando, desdobrando e restringindo a realidade ao mesmo tempo. O cinema, como artefato cultural que é, pode e deve ser explorado como forma de discurso que contribui para construção de significados sociais.

Assistindo aos filmes os estudantes puderam, através da linguagem cinematográfica, aproximar diferentes valores dentro de um mesmo discurso, considerando as intersubjetividades em todos os domínios sociais, construindo a partir desse fenômeno redes de relações complexas que são tecidas como fios a partir de palavras, pensamentos e ações ideológicas, com a finalidade de suprir as necessidades cotidianas, instáveis, pois que se tratam de relações.

O cinema contribui como uma alternativa dinâmica no processo de aprendizagem, enfatizando, através da linguagem imagética, a ludicidade, atingindo o imaginário com facilidade, o que permitiu aos estudantes observar e experienciar a aproximação das práticas escolares às práticas socioculturais de cada envolvido no processo, compreendendo, com Capra (2014), que ambas as práticas estão uma em favor da outra, que existe uma interação complementar entre elas, que uma não anula a outra, mas se complementam e proporcionam um ensino significativo, sistêmico.

Portanto, é nesse contexto que Pires (2014) se refere à linguagem cinematográfica como produtora de sentido narrativo de representações que mesclam realidade e ficção, sem muito distanciamento, e isso acontece, pois o universo cinematográfico reproduz imagens do cotidiano, ou seja, da vida social. Contudo, por vezes, o material que dá origem ao mundo cinematográfico pode se originar de situações vivenciadas e posteriormente sonhadas que se mesclam, colaborando para a construção de histórias inspiradoras.

Considerei, neste percurso, tanto as leituras apreciadas, quanto o cinema como objeto-suportes constituindo um caminho narrativo para a construção das memórias de vida, oportunizando às crianças apresentarem suas múltiplas e complexas relações com o mundo, demonstrando seus sentimentos, suas inquietações, dentre outros aspectos. (SILVA, 2016, p. 77) cita que:
Os filmes também são vistos como movimento da memória, parafraseando Milton de Almeida, quando afirma que o cinema é a arte da memória (1999), são representações do real, em diálogo visual, a partir das possibilidades técnicas que apreendem a linguagem da realidade.
De fato, o universo do cinema na sala de aula viabilizou aos estudantes se perceberem e se constituírem como sujeitos históricos que se movimentam e sensibilizam, pelo fato de o cinema ser uma arte que faz pensar e sonhar que vários outros mundos/outras realidades são possíveis e necessários de serem reinventados ou reencontrados. Os filmes assistidos possibilitaram a contextualização e interligação com o campo político, múltiplas dimensões estéticas que perpassam e refletem nos sujeitos, repercutindo em suas ações no e com o universo onde estão inseridos, uma maneira de sensibilização e humanização que nos insere em diferentes tempos e espaços coletivos.

Por meio da apresentação dos filmes, busquei articular os saberes da vida social dos estudantes interligando as experiências as suas vivências, de maneira a valorizá-las, mantendo um diálogo entre todos os campos dos saberes existentes na escola, tornando-os significativos para cada um deles. Nesse movimento “os conhecimentos são reproduzidos através de narrativas de memórias dos indivíduos, feitos históricos, moldando o “homem” como responsável pelo movimento da história vivida e transformada por ele, no contexto social” (MAIA, 2016, p. 5). Ou seja, são histórias transmitidas e modificadas, na tecedura da memória, de tempos em tempos, e passando de geração para geração.

Concluo que, ao estar como pesquisadora participante inserida no sistema, a cada exercício realizado, pude observar o desenvolvimento da minha prática pedagógica, buscando melhorar e contribuir para um ensino integral e de qualidade. Segundo Vasconcellos (2013), a partir do instante em que o observador começa a se observar, ele cria um entrelaçamento entre o observador que se observará observando, ou seja, para a autora, o observante passa a ser objeto de observação.

E nesse mesmo sentido me respaldo nas palavras de (CAPRA, 2014, p. 105), nas quais o autor se refere ao observador participante “nunca podemos falar sobre a natureza sem, ao mesmo tempo, falar sobre nós mesmos”, ou seja, tudo que se observa está inserido no contexto da observação, no observador, podendo os fenômenos observados serem compreendidos apenas como conexões, incluindo os vários processos de observação.






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