Weslania evangelista de jesus



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2.6 Poema Infância

No dia 28 de fevereiro de 2019, propus aos estudantes dois momentos. Um a partir de diálogos, buscando revisar os temas já explorados nas aulas anteriores, tentando contextualizar os assuntos tratados, suas práticas socioculturais. Observei, assim, o que já sabiam e os conhecimentos que foram ampliados. No segundo momento, apresentei o poema denominado Infância, dos autores Lalau e Laura Beatriz5. Realizamos uma apreciação coletiva e a interpretação oral.

Relatei que o poema se tratava de uma narrativa de memória dos autores, que reportavam momentos de suas infâncias. E que dessa maneira, assim como os autores, eles (os estudantes) poderiam narrar suas memórias de vida, escrevendo sobre vários assuntos dos quais recordassem, considerando que o ato de “narrar parte de um esforço de elaboração para tornar concreto, através da história que se tece, as diversas experiências vividas por cada sujeito” (GUESDES-PINTO, 2008, p. 22).

Boa parte deles apresentou-se entusiasmada e perguntou se poderia fazer suas representações considerando outros gêneros discursivos, como ilustrações, gravações, vídeos, etc. Portanto, valorizei todas as formas de expressões, dentre elas:

A minha infância

A minha infância,

Foi muito boa.

Vivi na roça,

Lá eu andava de canoa.

A minha infância.

Eu ajudava a apartar as vacas,

Andava a cavalo e

Tampava os buracos.

A minha infância.

Eu colhia abóbora, era muito gostosa!

Banhava no rio com os meus irmãos.

Essa foi minha infância.

A minha infância.

Eu brincava muito com meus amigos.

Tenho hora pra tudo, pra brinca,

tomar banho, ir pra escola, sou muito feliz!

A minha infância.

Sou sim, menino simples,

mas sou muito feliz

(Estudante R. C., 10 anos).

Os elos que entrelaçam infância, escola e memórias de vida têm, em vários ambientes, suportes para constituições das narrativas de memória. Nas palavras de Bosi (1994, p. 73), é marca indelével nas reminiscências da infância de cada ser que narra suas recordações. Há sempre a presença de inúmeras pessoas na história que sobrevive:

A criança recebe do passado não só os dados da história escrita; mergulha suas raízes na história vivida, ou melhor, sobrevivida, das pessoas de idade que tomaram parte na sua socialização. Sem estas haveria apenas uma competência abstrata para lidar com os dados do passado, mas não a memória.

Diante da oportunidade de narrar suas memórias, cada estudante ressignificou o contínuo processo de constituir-se no mundo, entrelaçando intersubjetividades nas relações que o circundam, fazendo com que se perceba interconectado a elas em suas complexidades e instabilidades considerando todas as formas de vida. É nesse sentido que a abordagem sistêmica de ensino se faz necessária no contexto escolar, cada dia mais, pois possibilita um ensino significativo, qualitativo, mais democrático e integral para todos os envolvidos.

Segundo Capra (2014), ao pensar em todos os campos da exploração dos sistemas vivos, permanecemos interconectados, numa constante teia de relações que podem ser apresentadas por meio das narrativas de memórias, um contínuo processo de reflexão sobre a maneira de estar no mundo e deste nos constituir, já que o narrador atribui significado não apenas as suas experiências vivenciadas, mas também àquelas testemunhadas no universo.

Já no mês de março, em dias da semana alternados, fui retomando assuntos apresentados acerca do poema Infância (1995). Como o poema abordava alguns nomes de brincadeiras e brinquedos mais antigos, resolvi apresentar, através de um vídeo, trinta brincadeiras antigas – Vamos recordar algumas brincadeiras mais antigas e populares (2016)6. Todos assistiram ao vídeo, que foi transmitido duas vezes em sequência. Ao terminar, dialogamos sobre o que haviam assistido.

Foi então que surgiu, por parte dos estudantes, a sugestão de confeccionar alguns dos brinquedos exibidos no vídeo, o que me chamou a atenção para a autonomia em poder discutir e opinar sobre o que desejavam e como realizar, demonstrando assim aspectos de colaboração, de partilha, dentre outros, que nos remetem a um ambiente sistêmico de ensino.

Dessa forma, como atividade extraclasse, orientei a turma do 5º ano “A” para que em casa pesquisasse com algum adulto brincadeiras de que eles gostavam e realizavam quando criança. Os estudantes deveriam instigá-los com perguntas diversas, como se conheciam as regras e o modo de executar o jogo ou brincadeira, com a finalidade de que no próximo encontro, já em sala de aula, compartilhássemos as respostas obtidas e pudéssemos retomar a confecção dos brinquedos.

Assim sendo, realizamos o debate a partir das respostas obtidas nas pesquisas realizadas e confeccionamos brinquedos diversos, como dama, bilboquê, boliche, avião, vareta e outros, utilizando material reciclável que trouxeram de suas casas, visando também despertar a conscientização para questões sustentáveis.

No decorrer dos exercícios, objetivei abordar diversas habilidades: ler e compreender, com autonomia, textos instrucionais de regras de jogo, dentre outros gêneros do campo da vida cotidiana, de acordo com as convenções do gênero; apreciar poemas e outros textos versificados, observando rimas, aliterações e diferentes modos de divisão dos versos, estrofes e refrãos e seu efeito de sentido; produzir textos em versos, utilizando recursos expressivos, como: rimas/jogos de palavras/sentidos figurados/recursos visuais, dentre outros; ler e compreender, com certa autonomia, textos em versos, explorando rimas, sons e jogos de palavras, imagens poéticas (sentidos figurados) e recursos visuais e sonoros; ler, interpretar, resolver e elaborar problemas envolvendo medidas de comprimento, recorrendo a transformações entre as unidades mais usuais em contextos socioculturais; ler, interpretar, resolver e elaborar problemas envolvendo medidas de área, recorrendo a transformações entre as unidades mais usuais em contextos socioculturais; vivenciar diferentes formas de registro e perceber as dificuldades, limites e imprecisões no processo de comunicação histórica; avaliar o impacto da invenção da impressão nas sociedades ocidentais em relação à difusão do conhecimento e da cultura letrada; identificar as transformações histórico-culturais presentes nos jogos, brinquedos e brincadeiras da cultura popular, seus valores, regras e significados; conhecer e explorar elementos diversos que estimulem outros sentidos para além do visual, dentre outros.

Fotografias 32, 33, 34, 35, 36 e 37

Fonte: Acervo da pesquisadora.






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