Vivência estética com o partenóNI



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O imediato e o descartável

A contemporaneidade vive o sempre-igual. O novo não é o que é gerado a partir do original (o novo real), mas uma variação do sempre-igual. Apegado aos valores do consumismo, o ser humano desdenha a diferença entre o novo real e o sempre-igual e consome bulimicamente e sem discriminação tanto o novo quanto o sempre-igual. Novo, aos olhos de hoje, resume-se a uma variação do sempre-igual, mesmo que esteja agora e desde sempre disponível a possibilidade de se viverem os valores do belo, da liberdade e do bem. O novo real é a natureza, é a obra de arte. Infelizmente, por imposição do mundo contemporâneo, caldo de cultura do imediatismo, a natureza se plastifica e se transforma em objeto de consumo descartável. A arte se digitaliza, é objeto de consumo volátil.

O ser humano contemporâneo vive o efêmero, enquanto o durável e o perene assumem a dimensão de uma irreverência à compreensão e à transformação. O novo, o original é um desafio à transformação, transformação em objeto de consumo que deve ser consumido sem contemplação e imediatamente descartado, pois já existe outro novo (sempre-igual) ao alcance das mãos.

Esse ser humano consome o descartável. Ele olha uma atraente imagem e não vê a beleza que sustenta a imagem, mas sim um objeto a ser consumido. Ele se apega ao minuto, ao segundo, ao instante, ao imediato, procurando desmentir o tempo. Ele é perenemente bulímico do efêmero, do transitório. Não sendo capaz de perceber a riqueza e a variação do belo, ele procura a variação do sempre-igual, o monótono variado em suas aparências mais visíveis, em sua exterioridade mais notável.

Vivemos hoje um mundo imediatista onde não há mais nada atrás de uma imagem. A imagem diz tudo, ela é completa. Não no sentido em que ela, por si só, conta sua história e explica, por ela mesma, seu contexto e seu significado. Não no sentido em que, a partir de uma imagem, é possível aproximar-se da imagem anterior e da imagem posterior. Não há nada atrás de uma imagem no sentido em que nada do que foi exemplificado acima existe. A relação do homem com a imagem é imediata, sem necessidade de um contexto, sem necessidade da história.

O mesmo acontece com um objeto: um objeto é tudo, na medida em que ele não é a solução de um problema de um indivíduo, de um grupo ou da sociedade. Não importa sequer a utilidade prática do objeto, pois ele é tão somente uma expressão material da cultura consumista. Um objeto de arte é tudo na medida em que não há necessidade de sua compreensão, de uma emoção, para ser apreciado, pois sua apreciação é pecuniária. Se há emoção é a que provém da relação monetária ligada ao produto. Um objeto é tudo à medida que ele é puro consumo, tal uma imagem. Do mesmo modo que uma imagem é tudo, que um objeto é tudo, também é tudo uma ação, um sentimento isolado. Não há nada por trás ou ao lado de um sentimento instantâneo. Imagem, objeto, ação, sentimento são coisas que duram enquanto duram e imediatamente após são descartadas, quando então se reinicia a busca de um novo sempre-igual, um novo sentimento, objeto ou ação, tão sempre-iguais quanto efêmeros.

A tentativa, sempre frustrada, de se alcançar o todo, neste mundo consumido pelo consumo, se expressa pela vã adição ou superposição (sem conexões) de imagens, objetos, ações, sentimentos. Um quebra-cabeça em que as peças não se encaixam, tornando interminável a impaciente busca de uma peça seguinte que de antemão já se teme que não encaixará. Somente a compulsão ao consumo é capaz de fazer uma associação entre esses objetos, essas imagens, esses sentimentos. O ser humano recolhe e amontoa coisas, fragmentos, imagem forte do que ele se tornou: um fragmento.

A perenidade do belo

A arte grega antiga restabelece a unidade comigo mesmo, por me colocar acima do vir-a-ser prosaico sem deixar eu perder a relação com os movimentos do quotidiano. Ela é o todo que congrega o belo, a história e a transcendência.

Na volta para Atenas, eu já sabia de que lado o sol iria castigar e fui contemplando a paisagem montanhosa, o lado oposto ao mar. Voltar para casa é sempre mais rápido, o caminho que leva ao local de referência é mais curto. Mais demorado é conseguir perceber toda a dimensão e perenidade do belo.

REFERÊNCIAS

BRANDÃO, J. de S. Mitologia grega. Vol. II. Petrópolis: Vozes, 1987.

DA SILVA, J.C. Avelino. A Beleza das Ruínas Gregas. Goiânia: Ed. da PUC Goiás, 2012.

DA SILVA, J.C. Avelino. Vestígios do simbolismo religioso helênico. Goiânia: Ed. da UCG, 2012.

DA SILVA, J.C. Avelino. Viagem à Grécia Antiga. Goiânia: Ed. da PUC Goiás, 2009.



Questão única

Explique, resumidamente, com suas palavras, a experiência estética vivida pelo autor.

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I Texto baseado no último capítulo de A Beleza das Ruínas Gregas, do mesmo autor.

Última edição: 06/mar/2016. VivênciaEstéticaPartenónDID.docx.



II Doutor pela Universidade de Paris (1980). Professor na Escola de Formação de Professores e Humanidades da PUC Goiás. Membro da International Association for Greek Philosophy.




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