Vilenia venancio porto aguiar somos todas margaridas



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A  Marcha  inteira  comunicava.  Essa  expressão  utilizada  por  Chaves  (2000, 

p.71)  para  se  referir  à  Marcha  Nacional  dos  Sem-Terra  pode  perfeitamente  ser 

reproduzida no caso da Marcha das Margaridas. Era impossível ser-lhe indiferente.  Ao 

comunicar,  ela  propiciava  o  envolvimento  e  a  interação  com  os  outros,  ela  implicava 



outros (BAUMANN, 1992). Nas vias públicas de Brasília, ela dizia os seus motivos, os 

seus  objetivos  e  propósitos,  sob  os  olhares  atentos  de  transeuntes,  de  motoristas 

impacientes,  de  observadores  curiosos,  enfim,  do  público,  que,  na  maioria  das  vezes, 

aclamava a passagem com gestos, palavras, gritos e sorrisos, ou, ainda, movimentando o 

corpo  para  acompanhar  o  ritmo  que  embalava  a  caminhada.  Penduradas  nos  viadutos, 



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faixas saudavam e davam as boas-vindas às Margaridas. Pode-se dizer, seguindo o rastro 



de Chaves (2000, p. 71), que, ao promover tamanha interação, a marcha se constituía em 

um ato de fala coletivo, um enunciado coletivo que, em um contexto de ampla interação 

comunicativa,  dava  a  conhecer  ao  público  espectador  a  sua  enunciadora:  eram  todas 



margaridas!  

Se  a  Marcha  em  si  comunicava,  ela  própria  era  comunicada.  Durante  toda  a 

caminhada e mesmo durante /todos os atos e ações nela implicados, era visível a presença de 

jornalistas, fotógrafos e operadores de câmera. 

Como  mencionei  anteriormente,  havia  uma  Equipe  de  Comunicação 

especificamente para tratar da Marcha das Margaridas, com a finalidade de lhe dar mais 

ressonância. Existia a preocupação em ampliar ao máximo a sua visibilidade. A equipe era 

composta por três dirigentes da Contag, incluam-se Carmen Foro, seis assessores/as, três 

jornalistas e uma publicitária. De início, os dirigentes esboçam uma proposta, a partir da 

qual foi elaborado um Plano de Comunicação, que continha uma amostra do conjunto das 

ações  concebidas  para  divulgar  a  Marcha  tanto  internamente  ao  movimento  sindical

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quanto  em  âmbito  externo,  no  sentido  de  tornar  públicas  as  etapas  do  evento.  O  Plano 

reconhecia essa comunicação como um instrumento estratégico e fundamental na luta dos 

trabalhadores e trabalhadoras rurais, visando à democratização da informação. A seguir, 

com  base  no  Plano  e  no  relatório  apresentado  posteriormente,  descrevo  como  se 

desenvolveram as referidas ações. 

A  proposta  apresentada  correspondeu  ao  período  de  julho  a  agosto  de  2011; 

envolveu  a  cobertura  de  mídias  externas  e  internas  (Sistema  Contag/Fetags  de 

                                                 

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Em relação à comunicação interna ao movimento sindical, as Fetags de todos os estados foram contatadas 



e receberam sistematicamente material informativo sobre a Marcha. Os seus sites veicularam  as matérias do 

site da Contag e fizeram produções independentes. Para isso foi necessário construir um diálogo fluido entre a 

assessoria da Marcha e os assessores das Fetags , de modo que as demandas fossem atendidas. Além disso, os 

atos regionais tiveram cobertura da imprensa, fruto da parceria entre  a Assessoria de Imprensa e as assessorias 

dos Estados. Toda clipagem era compartilhada com assessores e diretores da Contag.

 

 



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