Vilenia venancio porto aguiar somos todas margaridas


 A Cidade das Margaridas…



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6.3 A Cidade das Margaridas… 

 

A Cidade das Margaridas foi construída ao lado do Pavilhão de Exposições do 

Parque da Cidade, no coração de Brasília, este também incoporado à Cidade, que havia sido 

projetada  para  responder  toda  as  demandas  de  infraestrutura,  tanto  aquelas  diretamente 

relacionadas ao acolhimento das mulheres: área para acomodação de colchões em tendas, 

espaço alimentação, banheiros químicos, duchas coletivas, luz elétrica, serviços de saúde, de 

limpeza, segurança etc.; quanto aquelas que davam suporte à realização das várias atividades 

previstas na programação da Marcha das Margaridas. 

O  Portal  de  entrada  era  sustentado  em  quarto  colunas  de  estrutura  metálica, 

envolvidas com um tipo de material semelhante à lona sintética. Nas duas colunas do meio, 

este material apresentava a impressão digital, em alta resolução, da arte apresentada no cartaz 

da Marcha e a logo da Contag. Nas duas colunas da extremidade, no lugar da logo, podia-se 

ver  a  relação  dos  patrocinadores  e  apoiadores. A  parte  superior  do  Portal  trazia  fotos  de 

mulheres em outras Marchas e, na parte central, uma grande placa lilás, em forma de nuvem, 

anunciva a “Cidade das Margaridas”.  

Passando  pelo  Portal  em  direção  ao  Pavilhão  de  Exposição,  havia  uma 

espécie  de  quiosque  de  informações,  onde  pessoas  (mulheres)  orientavam  “as 

chegantes”  quanto  à  localização  espacial,  informando  o  local  de  credenciamento,  a 

direção dos alojamentos, o espaço onde ocorriam as refeições, banheiros, e informando 

também quanto aos locais de realização das atividades previstas na programação. Além 

deste quiosque, havia mais quatro ainda na área externa, e dois pontos de informações: 

um junto ao credenciamento e outro dentro do pavilhão. Toda a cidade era sinalizada 

com placas indicativas.  

O local do credenciamento localizava-se próximo ao Pavilhão de Exposição. 

Ao  nos  credenciarmos,  recebíamos  um  kit  contendo  materiais  informativos  e  uma 



329 

 

pulseira  plástica  em  cor  lilás  personalizada



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  que  dava  acesso  ao  serviço  de 

alimentação, à entrada no show de Margareth Menezes, que ocorreria na noite do dia 

16, e acesso aos locais para dormir. 

Nos  estacionamentos

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,  foram  construídos  os  alojamentos,  dispostos  por  região 

geográfica e identificados por cores. Assim, as mulheres procedentes dos estados da Região Norte 

(cor roxa) e da Região Centro-Oeste (cor creme) ficaram alojadas no estacionamento um. Do outro 

lado,  no  estacionamento  dois,  foram  alojadas  as  mulheres  procedentes  dos  estados  da  Região 

Nordeste (cor azul), Sudeste e Sul (cor vermelha). Havia ainda um terceiro espaço para alojamento 

masculino,  localizado  no  estacionamento  três,  onde  ficavam  todos  os  homens,  independente  da 

região.  Nos  locais  onde  as  tendas  estavam  montadas,  havia  placas  apontando  os  locais  em  que 

deveriam ser depositados os colchões (local de dormida) e os locais destinados a deixar as malas. 

Para a Região Sul, foi reservado um pequeno espaço apenas, visto que todas as 

delegações proveninetes dos estados desta região ficaram alojados em hotéis pagos pelas suas 

respectivas  federações.  Lembro  que  uma  vez  Graça,  Coordenadora  das  Mulheres 

Trabalhadoras Rurais da Federação de Santa Catarina (Fetaesc), me disse que, se fosse para 

dormir em alojamento, as mulheres (público da Fetaesc) não iriam. Independente de qualquer 

julgamento que se possa fazer em relação a este fato, ele nos aponta um outro marcador de 

diferença entre as “margaridas”: a sua condição social, e sugere, em maior ou menor grau, 

uma regionalização da desigualdade social.  

Para cada região, as tendas de lona retangulares eram dispostas paralelamente umas 

às outras, e, sob elas, as mulheres depositavam os seus colchões, posicionando-os lado a lado ao 

longo de toda a tenda, sobre um plástico que cobria o piso de lona. Havia colchões enfileirados 

em ambos os lados da tenda, de modo que ao meio era deixado um espaço de passagem. 

                                                 

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As pulseiras, além de trazerem impressa “Marcha das Margaridas 2011”, vinham também com o telefone da 

Contag, como medida de segurança.

 

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  Chegaram  à  cidade  1600  ônibus,  aproximadamente,  que  ficaram  distribuídos  em  cinco  locais  de 

estacionamentos: 400 ônibus no Teatro Nacional, 250 na Feira Popular, 400 no Ginásio de Esportes Nilson 

Nelson, 390 no Parque da Cidade e 160 nos retornos entre as pistas S1 e N1. 

 



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Também  nos  estacionamentos  foram  instalados  os  banheiros  químicos  e  as 



duchas coletivas. Ao todo eram 600 chuveiros para banhos e 700 banheiros químicos. Abro 

aqui  um  espaço  para  fazer  uma  breve  digressão  sobre  o  banho  coletivo,  recorrentemente 

mencionado pelas mulheres.  

Conversando  com  Lúcia  (MMTR-NE)  após  a  Marcha,  ela  me  dizia  que,  no 

retorno, as mulheres do seu município se reuniram para conversar sobre a Marcha e avaliar 

como tinha sido a experiência. Todas voltaram muito emopolgadas e felizes, segundo ela, 

mas que a única coisa de que não gostaram foi a questão dos banheiros, reclamavam da 

sujeira, e continuou: algumas reclamavam de tomar banho uma na frente da outra e, às vezes, 






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