Vilenia venancio porto aguiar somos todas margaridas



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líder Margarida Maria Alvese então descreve as margaridas:  

São  milhares  de  mulheres  que  vieram  de  todos  os  cantos  do  Brasil.  São 

negras, brancas, indígenas, caboclas, que vêm do pantanal, das florestas, dos 

pampas,  do  cerrado,  da  caatinga,  do  agreste  e  dos  gerais.  São  mulheres 

simples,  humildes  e  guerreiras,  cheias  de  esperança  por  terem  eleito  a 

primeira  mulher  presidenta  do  Brasil  […].  São  mulheres  que  trabalham  na 

roça, no campo, nos rincões deste Brasil. São mulheres sofridas, mas que têm 

sonhos, cantos e encantos […]. São mulheres que têm importância primordial 

na  economia  e  estão  aqui  em  defesa  de  um  modelo  de  desenvolvimento 

sustentável com justiça, autonomia, igualdade e liberdade. São mulheres que 

querem  a  preservação  da  biodiversidade  e  a  democratização  dos  recursos 

naturais, da terra e da água… Querem a consolidação da política de soberania 

e segurança alimentar, o fortaleciemtno da economia, do trabalho e melhorias 

de renda. Querem o fim da violência contra as mulheres e o fim da violência 

no campo. Querem o fim da discriminação! Querem fortalecer a democracia 

e  ampliar  a  participação  em  todos  os  espaços  de  poder  (Alberto  Broch, 

presidente da Contag, 2011). 

A  partir  de então, Alberto  Broch  se  dirige  à  presidenta  enquanto  porta-voz  da 

Agricultura Familiar, defendendo-a juntamente com a Reforma Agrária, como base de um 

modelo  de  desenvolvimento  sustentável  capaz  de  romper  as  desigualadades  e combater  a 

pobreza. É como enunciador desse modelo que ele se posiciona também perante a plateia que 

o escuta. E finaliza: as mulheres estão ansiosas também para ouvir anúncios, na 4ª Marcha, 




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de polítcas públicas para todo o campo brasileiro. Vamos fortalecer as mulheres do campo 



e da cidade para que o Brasil siga mudando. Viva a 4ª Marcha das Margaridas!  O público 

responde com palmas. 

Para  obter  credibilidade  junto  à  assistência,  Alberto  Broch  adotou  uma 

atitude  discursiva  de  distanciamento  ao  se  referir  ao  “modelo”,  aos  “homens  e 

mulheres  do  campo”,  à  “agricultura  familiar”,  e  às  próprias  “mulheres”  na  terceira 

pessoa. Por outro lado, a sua construção discursiva sugeria uma troca comunicativa

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a partir não de uma oposição ao Governo (estar contra), mas de apoio (estar com). 



Em pelo menos dois momentos, isso foi relevante. Referindo-se às mulheres, ele se 

dirige à presidenta e  diz: elas não se furtarão de apoiar a presidenta, para  que ela 



possa  obter  um  grande  sucesso  no  seu  governo.  E,  em  outro,  ele  diz:  são  mulheres 

[…]  que  tomam  a  liberdade  de  cobrar  do  vosso  governo  medidas  necessárias  para 

que esse país seja mais justo e fraterno. Trata-se de um discurso que, no esforço de 

deixar  claro  o apoio  da  Contag  ao  Governo  Dilma,  pede licença  (toma  a  liberdade

para fazer cobranças, de modo tal que essa não possa ser tomada como uma atitude 

opositora. 

Alberto  Broch  falou  mais  de  quinze  minutos. A  forma  como  seu  discurso  foi 

estruturado  não  parecia  empolgar,  talvez  por  que  ele  tivesse  uma  direção  certa,  buscava 

dialogar com a representante do Governo Federal. A única vez que ele foi aplaudido, durante 

a sua fala, foi quando fez referência à reforma agrária. As palmas eram uma maneira que as 

mulheres  tinham  de  chamar  a  atenção  para  determinados  temas  que  repercutiam  no  seu 

cotidiano. Pela atuação delas, o tema e a sua relevância era comunicado ao Governo.   

Em  seguida,  foi  a  vez  da  ministra  Iriny  Lopes,  representando  a  Secretaria  de 

Políticas para as Mulheres, ser convidada a fazer o seu pronuciamento, em nome de todos os 

ministros e ministras que ali se encontravam. Ela se dirige às mulheres desenjando-lhes uma 

                                                 

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 Sobre atitude e troca discursiva Cf. Charaudeau, 2009. 



 

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