Vilenia venancio porto aguiar somos todas margaridas


CARTA DA MARCHA DAS MARGARIDAS



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CARTA DA MARCHA DAS MARGARIDAS 

 

Desenvolvimento Sustentável  com  Justiça, Autonomia, Liberdade  e Igualdade.  Com  este 

lema,  Marcha  das Margaridas está  de volta  a Brasília, neste  mês  de agosto,  16 e 17,  realizando  um 

conjunto  de  atividades  –  mostra  da  produção  das  margaridas,  e  atividades  formativas  como 

conferências, painéis, oficinas, debates e apresentações culturais e manifestações públicas.  

Durante vários meses, mulheres de todo o país trabalharam na construção da Marcha das 

Margaridas  debatendo  sua  plataforma  política  e  pautas  de  reivindicações,  mobilizando  de  diversas 

maneiras as condições financeiras para chegarem até Brasília. 

A Marcha das Margaridas, assim denominada em homenagem à líder sindical Margarida 

Maria Alves, assassinada em agosto de 1983, representa a um só tempo, um legado e uma homenagem.  

Margarida  vive  nas  mulheres  trabalhadoras  do  campo  e  da  floresta,  que  não  só  reproduzem  seu 

compromisso e luta, como o ampliam e fortalecem com sua crescente capacidade política de proposição 

e negociação de políticas para um Brasil sem miséria, com justiça e igualdade.  

Cerca  de  100.000  mulheres  de  todas  as  regiões  do  país,  de  todas  as  raças,  etnias  e 

gerações, mobilizadas por mais de 4000 STTR’s – Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, 

27  Federações  de  Trabalhadores  na  Agricultura,  centrais  sindicais,  movimentos  feministas  e  de 

mulheres estão na Capital Federal. Trazem a expectativa de terem resp ostas positivas à sua pauta de 

reivindicações, entregue ao governo federal no mês de julho. Entre as ações e atividades previstas para 

esses dias, estão a participação em Sessão Solene e a realização de ato contra a violência no campo no 

Congresso Nacional. Dessa forma, as mulheres do campo e da floresta demonstram a dimensão da sua 

intervenção  política  para  o  enfrentamento  dos  grandes  desafios  da  atualidade,  para  que  se  realize 

cidadania plena, com justiça e igualdade. Nessa perspectiva, pretendem também a presentar sua pauta 

ao Poder Judiciário. 

A Marcha das Margaridas 2011 reafirma a necessária realização de uma Reforma Agrária 

ampla e massiva como condição primeira para vencer a miséria, transformar efetivamente a realidade 

econômica e social e construir um país justo, soberano, democrático e sustentável. Essa necessidade é 

imperiosa para as mulheres, que representam 47,9% da população do campo e da floresta, dentre as 


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quais predomina a pobreza e a permanência em acampamentos espalhados por todo o país. As mulheres 



do  campo  e  da  floresta  compreendem  que  não  há  desenvolvimento  sustentável,  justiça,  autonomia, 

igualdade  e  liberdade  no  país  enquanto  predominar  o  modelo  de  desenvolvimento  dominante, 

excludente, concentrador da terra e da renda, representado pelo agronegócio. Esse modelo expande as 

monoculturas, destrói a biodiversidade e o meio ambiente, compromete a agricultura familiar, reproduz 

a violência, gera empobrecimento e miséria no país. A questão agrária no Brasil é fonte permanente de 

violência no campo e na floresta e exige um conjunto de medidas por parte do Estado para limitar o 

tamanho da propriedade da terra; atualizar os índices de produtividade da terra; punir o latifúndio e 

as áreas improdutivas que degradam o meio ambiente, não cumprem os di reitos trabalhistas e praticam 

o trabalho escravo. 

A Marcha das Margaridas defende as águas como bem essencial à vida e direito universal, 

disponível para o consumo humano e produção de alimentos em quantidade e qualidade necessárias. 

Essa  perspectiva  é  incompatível  com  os  grandes  projetos  que  fortalecem  o  hidronegócio  e  a 

mercantilização da vida. São 2011 razões para marchar por Desenvolvimento Sustentável com Justiça, 

Autonomia, Liberdade e Igualdade.  Dentre essas  razões, está a  proteção à Biodiversidade  e ao meio 

ambiente, à autonomia e ao direito dos povos de defenderem sua cultura alimentar e garantir políticas 

de  desenvolvimento  que  estimulem  e  protejam  a  produção,  distribuição  e  consumo  de  alimentos 

saudáveis,  seriamente  ameaçados  pelas  grandes  corporações  do  sistema  agroalimentar  com  as 

monoculturas e o uso de agrotóxicos e sementes transgênicas. 

A  Marcha  das  Margaridas  vem  denunciar  as  condições  de  vulnerabilidade  social  das 

trabalhadoras  do  campo  e  da  floresta  que  vivem  em  situação  de  violência,  não  tem  autonomia 

econômica e sequer autonomia sobre o seu próprio corpo. Na perspectiva de superar essas condições, 

propõem políticas públicas que possam se efetivar para que tenham seus direitos respeitados e alcancem 

cidadania plena. A violência exige um amplo compromisso social para que seja combatida em todas as 

suas formas de manifestação. Não é possível silenciar diante do preconceito e da violência que atingem 

mulheres,  jovens  e meninas. A discriminação  racial  e  a homofobia não  podem  ser toleradas em  u ma 

sociedade que se quer justa, que preconiza a liberdade e a democracia.  

A  MARCHA  DAS  MARGARIDAS  acredita  que  outro  país  é  possível,  com  justiça, 

autonomia, igualdade e liberdade, se as mulheres também estiverem fortalecidas em suas condições de 

participação  política.  É  preciso  integrar  os  espaços  de  poder  e  representação  política,  condição 

fundamental para fazer avançar a democracia e superar as desiguald ades na sociedade brasileira.  

 

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