Viii eha encontro de História da Arte 2012



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Picando Fumo e O derrubador brasileiro não há nada além desses homens da terra, colocados 

descansadamente em seu ambiente familiar, conhecido, sem parecer se importar com o olhar do 

fruidor. Novamente suas roupas são as do dia-a-dia, gastas e encardidas pelo tempo, pelo trabalho; 

não são modelos posando para o pintor, mas um instante flagrado na vida dessas pessoas reais, no 

curso de suas atividades diárias. 

Os ambientes pintados por Almeida Junior, onde seus homens realizam seus trabalhos ou 

descansam da realização das mesmas, são sempre banhados por uma grande luminosidade solar, 

que realça os tons quentes e terrosos das telas

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. Em Cozinha Caipira Almeida Junior pinta o inte-



rior de uma casa muito simples, mais especificamente na cozinha feita de taipa, pilões, cestos e o 

fogão a lenha são retratados em detalhes, rodeando a mulher que abaixada no centro do cômodo, 

se mostra entretida em seu afazer passando grãos na peneira, que irão para uma das panelas já à 

espera no fogão a lenha. Apesar de quase não haver janelas, o sol inunda a cozinha, iluminando a 

mulher, os objetos e o chão de terra batida. Pela porta entreaberta podemos ver pelo clarão que o 

exterior é ainda mais iluminado. 

14 

 Sobre a luz nas obras de Almeida Junior ver AMARAL, Aracy. A luz de Almeida Junior. Revista USP, São Paulo, mar. abr. maio 1990, 



Dossiê Cidades.


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Apesar de se tratar de uma casa do interior, este bem poderia ser um dos cômodos da casa 

pintada por Abigail de Andrade. Seu quintal é banhado pelo mesmo sol que entrevemos na cozinha 

do pintor ituano. As cores fortes e quentes como o amarelo do qual a casa é pintada e o verde das 

folhas da arvore frondosa, coexistem com os tons terrosos da lenha, da saia da mulher, do regador 

e de tantos outros objetos desse quintal. Ambos, cozinha e quintal, se fundem como se fizessem 

parte da mesma realidade, sentida e percebida por esses dois artistas brasileiros.

Na cor, na luz, no tema acham-se semelhanças entre a obra de Abigail e Almeida Junior.  

Contudo, por atuar na década de 90, Almeida Junior não influenciou Abigail, que produz ao longo 

de 1880. Ambos vivem as mudanças e inquietações vividas nas ultimas décadas dos oitocentos e 

se sensibilizam pelo cotidiano, achando aí o objeto de sua pintura. 

Abigail não teve a mesma oportunidade de Almeida Junior, que esteve diversas vezes na 

Europa, e ainda sim, produz obras em sintonia com os movimentos advindos de lá. Mulher, sem 

formação artística oficial, Abigail se sobressai conseguindo premiações, elogios da crítica e ainda 

mais, equiparar-se a um dos maiores pintores brasileiros dos oitocentos, Almeida Junior.

Sua trajetória derruba o generalismo com que a produção feminina do século XIX é tratada, 

saindo do lugar comum dos temas femininos e explorando os temas modernos. Abigail alcança o 

máximo que lhe era permitido alcançar em sua condição.

Observar sua obra lado a lado da de outros artistas oitocentistas permite-nos ver seu valor 

como artista, o valor de suas obras, apesar da história da arte brasileira cismar em esquecer seu 

nome, de suas obras não estarem em nenhuma coleção publica e estar perpetuamente alocada entre 

as amadoras.

r

eferênCias



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