Viii eha encontro de História da Arte 2012



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VIII EHA - Encontro de História da Arte - 2012

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Dois pesos e duas medidas: Analisando obras de Abigail de Andrade e 

Almeida Junior

Viviane Viana de Souza

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O neoclassicismo como modelo artístico inspirado na Academia francesa, se faz presente no 



decorrer do século XIX em nossa Academia Imperial de Belas Artes (AIBA), efetivamente ativa 

em 1826 e só começa a decair nas ultimas décadas do século. A influência de novos movimentos 

artístico europeus em que os artistas entravam em contato na ocasião dos prêmios de viagem à Eu-

ropa concedidos pela Academia, as crises políticas e sociais que o Império vivia que culminaram 

na constituição da República, são algumas das mudanças políticas e sociais vividas na cidade que 

acarretaram mudanças também na Academia.

Conquanto não fosse possível evitar o estabelecimento e novas formas de academiza-

ção, era salutar a intenção de quebrar o prosseguimento da disciplina que tão fortemente 

identificara as artes no Império. Igualmente, não se escapou de modelos estrangeiros, 

porém, estes já não eram exclusivos de uma corrente estética, mas, ao contrario, abriam-

se em leque capaz de alcançar uma ampla variação e a princípio, só de movimentos 

superados na própria Europa. (CAMPOFIORITO, 1986: 136)

Dentre as novas influências artísticas, o realismo e romantismo são acolhidas e academi-

zadas, tornam-se parte do repertório dos artistas do fim dos oitocentos como Rodolfo Amoedo, 

Almeida Junior e Belmiro de Almeida.

Ao citarmos os grandes artistas do século XIX, no contexto da Academia, não nos depara-

mos ainda com nomes de artistas mulheres. Contudo, apesar dos diversos empecilhos, um olhar 

mais atento revela que apesar das aparências, a produção artística feminina foi presente e de certo 

modo constante no decorrer do século XIX.

Essa produção artística realizada por mulheres é em grande parte desconhecida, mesmo dos 

estudiosos dos oitocentos. Contudo, nas últimas décadas essa produção está sendo resgatada em 

artigos, livros, teses e dissertações que buscam identificar e explorar essa produção feminina ao 

longo dos anos

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. Todavia, apesar de afirmarem a existência dessas artistas no contexto artístico e 



 Mestranda PPGAV/UFRJ, Professora de Artes – SME/RJ e bolsista CAPES.

 Autoras como



 

Anne Sutherland Harris, Linda Nochlin, Ana Paula Cavalcanti Simioni, Michelle Perrot, entre outras.




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social, ainda inexistem estudos mais aprofundados sobre a sua produção artística em si, que con-

temple o estudo de suas características formais, temáticas, técnicas e cromáticas

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, não dentro da 



categoria “arte feminina” (SIMIONI, 2008: 43), mas enquanto objeto artístico, fruto de determina-

do contexto histórico e social mais amplo que a categoria de gênero pode abarcar.

Buscando contribuir para o preenchimento dessa lacuna na história da arte brasileira, o pre-

sente trabalho busca realizar uma análise diferenciada, colocando como objeto uma pintura de uma 

mulher. Foram selecionadas duas obras entre a produção de dois artistas contemporâneos, Esten-

dendo roupa de Abigail de Andrade e Cozinha caipira de Almeida Junior. O uso da comparação 

é sugerido por Jorge Coli, que afirma que “Nada permite melhor entender uma obra do que outra 

obra” (COLI, 2010: 14), associar a pintura de Abigail, mulher, “amadora”, com uma obra de um 

pintor consagrado da Academia como Almeida Junior, procura estabelecer um novo parâmetro, 

um novo olhar sobre a obra da artista. Não se pretende, contudo, querer revelar qualquer ligação 

direta entre os dois pintores, ou outro tipo de influência de um sobre o outro. A escolha pela com-

paração pretende incutir valor e individualidade na obra de Abigail, que possibilitará responder 

alguns questionamentos sobre a qualidade artística das obras da pintora e a presença ou não da 

herança do pensamento oitocentista ao olhar as obras produzidas por mulheres do século XIX.

Para falarmos da atuação da pintora no Rio de Janeiro oitocentista é necessário contextuali-

zar a atuação que lhe era possível dentro dos parâmetros instituídos pela AIBA, em torno da qual 

o cenário artístico do século XIX se estabelecia.

O impedimento à matricula feminina, até a proclamação da República, em 1889 e a transfor-

mação da Academia em Escola Nacional de Belas Artes em 1890, pode ser explicado e justificado 

de diversas maneiras, já trabalhadas por alguns autores

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, contudo, a mais contundente delas seria 



a crença vigente na época de que as mulheres não teriam a vocação para artes, e aquelas que in-

gressavam no estudo do desenho ou da pintura, buscariam na arte somente um passatempo durante 

a espera pelo matrimônio, este sim a verdadeira vocação de toda mulher. Sendo assim, os artistas 

e professores evitavam o aparente desperdício das vagas destinadas aos aspirantes das belas artes 

 Ver exemplo na dissertação de SOUZA, 



Adelaide Cerqueira Lima de Souza






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