Vermelho, Branco e Sangue Azul



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Sumário
Capa
Rosto
Sumário
Um
Dois
Três
Quatro
Cinco
Seis
Sete
Oito
Nove
Dez
Onze
Doze
Treze
Catorze
Quinze
Agradecimentos
Sobre a autora
Créditos
Um
No terraço da Casa Branca, escondido em um canto da varanda, há um painel meio solto bem no
canto do Solário. Se bater do jeito certo, dá para puxar o painel o suficiente para encontrar uma
mensagem que foi entalhada com a ponta de uma chave, ou talvez com um abridor de cartas
roubado da Ala Oeste.
Na história secreta das primeiras-famílias — uma indústria exclusiva de fofocas que devem
permanecer eternamente em segredo, sob pena de morte —, não se sabe ao certo quem escreveu


aquilo. A única certeza que as pessoas parecem ter é que só o filho ou a filha de um presidente
teria a audácia de vandalizar a Casa Branca. Alguns juram que foi Jack Ford, que tinha discos do
Hendrix e um quarto de dois andares anexo ao terraço para fumar de madrugada. Outros dizem
que foi a jovem Luci Johnson, que prendia o cabelo com uma fita grossa. Não importa. A frase
se mantém, um mantra secreto para quem for esperto o bastante para encontrá-la.
Alex a descobriu na semana em que se mudou para a Casa Branca. Ele nunca contou para
ninguém.
Diz assim:
REGRA NO 1: NÃO SEJA PEGO
Os Quartos Leste e Oeste no segundo andar costumam ser reservados para a primeira-família.
Foram projetados para ser um enorme salão de aparato para as visitas do marquês de La Fayette
durante o governo Monroe, mas, depois de um tempo, foram divididos. Alex dorme no Leste, de
frente para a Sala do Tratado, e June, no Oeste, perto do elevador.
Quando eram crianças, no Texas, eles tinham quartos na mesma configuração, um de cada
lado do corredor. Na época, dava para saber com o que June andava sonhando só pelo que cobria
as paredes do quarto dela. Aos doze, eram pinturas em aquarela. Aos quinze, calendários lunares
e tabelas de cristais. Aos dezesseis, recortes do The Atlantic, uma bandeira da Universidade do
Texas, Gloria Steinem, Zora Neale Hurston, e trechos de ensaios de Dolores Huerta.
Já o quarto de Alex era sempre o mesmo, só que cada vez mais cheio de troféus de lacrosse e
pilhas de trabalhos de matérias avançadas. Está tudo juntando poeira na casa que eles ainda
mantêm na cidade. Pendurada em uma corrente no pescoço, sempre escondida, ele guarda a
chave daquela casa desde o dia em que se mudou para Washington.
Agora, do outro lado do corredor, o quarto de June é todo decorado em tons de branco, rosa-
claro e verde mentolado. Ele foi fotografado pela Vogue e é famoso por ter velhos periódicos de
design de interiores dos anos 60, que ela encontrou em alguma das salas de estar da Casa Branca,
como inspiração. O de Alex pertencera à Caroline Kennedy quando bebê e depois se tornou o
escritório de Nancy Reagan — motivo pelo qual June fez uma purificação energética no cômodo.
Ele manteve as ilustrações de natureza em uma linha simétrica sobre o sofá, mas cobriu as
paredes cor-de-rosa de Sasha Obama com azul-escuro.


Pelo menos nas últimas décadas, os filhos do presidente não costumam morar na Residência
depois dos dezoito anos, mas Alex começou a faculdade em Georgetown no mesmo mês de
janeiro em que sua mãe tomou posse e, pela logística, não fazia sentido dividir os seguranças
nem os custos entre a Casa Branca e o apartamento em que ele iria morar. June veio no mesmo
ano, recém-formada na Universidade do Texas. Ela nunca disse, mas Alex sabe que ela se mudou
para ficar de olho nele. June sabe melhor do que ninguém que ele adora estar tão perto da ação e,
mais de uma vez, chegou a arrancá-lo à força da Ala Oeste.
Dentro do quarto, ele pode sentar e escutar Hall & Oates na vitrola do canto, sem que ninguém
o ouça cantarolando “Rich Girl”, como seu pai fazia. Pode usar os óculos que sempre finge não
precisar para ler. Pode fazer todos os guias de estudo detalhados e cheios de post-its coloridos
que quiser. Ele não vai se tornar o congressista mais jovem a ser eleito na história moderna se
não fizer por merecer, mas ninguém precisa saber o quanto ele se esforça para isso. Senão seu
status de sex symbol cairia por terra.
— Ei — diz uma voz à porta. Ele ergue o olhar do laptop e vê June entrando no quarto,
carregando dois iPhones, uma pilha de revistas embaixo do braço e um prato na mão. Ela fecha a
porta com o pé.
— O que você roubou hoje? — Alex pergunta, afastando a pilha de papéis para ela sentar na
cama.
— Donuts sortidos — June diz enquanto sobe. Ela está usando uma saia lápis com sapatilhas
cor-de-rosa de bico fino, e Alex já consegue imaginar as colunas de moda da semana seguinte:
uma foto de June com aquela roupa estampando alguma propaganda para vender as sapatilhas
perfeitas para a jovem prática e profissional.
Ele se pergunta o que a irmã fez o dia todo. June tinha comentado sobre uma coluna para o

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