Venha ver o por do sol Analisaremos a obra Venha ver o PôrdoSol



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Encontro17.03.2020
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Venha ver o pôr-do-sol
Ricardo é um rapaz misterioso, cheio de idéias mórbidas. Achou de levar a namorada para ver o pôr-do-sol no cemitério. Lá chegando, Raquel estranhou a idéias, insultou-o de cretino, louco. Passearam por todo o loca, visitaram alguns túmulos. Mas, para ver o pôr-do-sol teria que ser sobre o túmulo da família de Ricardo, pois lá estava sua prima. “- Cemitério abandonado, meu anjo. Vivos e mortos, desertam todos. Nem os fantasmas sobraram, olha aí como as criancinhas brincam sem medo – acrescentou apontando as crianças na sua ciranda. Ela tragou lentamente. Soprou a fumaça na cara do companheiro. – Ricardo e suas idéias.

E agora? Qual é o programa? Brandamente ele a tomou pela cintura. – Conheço bem tudo isso, minha gente está enterrada aí. Vamos entrar um instante e te mostrarei o pôr-do-sol mais lindo do mundo. Ele encarou-o um instante. Vergou a cabeça para trás numa risada. – Ver o pôr-do-sol!… Ah, meu Deus… Fabuloso!… Me implora um último encontro, me atormenta dias seguidos, me faz vir de longa para esta buraqueira, só mais uma vez, só mais uma vez! E para quê? Para ver o pôr-do-sol num cemitério…” (p.27) “- Estou sem dinheiro, meu anjo, vê se entende. – Mas eu pago. – Com o dinheiro dele? Prefiro beber formicida. Escolhi esse passeio porque é de graça e muito descente, não pode haver um passeio mais descente, não concorda comigo? Até romântico. Ela olhou em redor. Puxou o braço que ele apertava.” (p.28) “Ele esperou que ela chegasse quase a tocar o trinco da portinhola de ferro. Então deu uma volta à chave, arrancou-a da fechadura e saltou para trás. – Ricardo, abre isto imediatamente! Vamos, imediatamente! – ordenou, torcendo o trinco. – Detesto este tipo de brincadeira, você sabe disso. Seu idiota! É no que dá seguir a cabeça de um idiota desses. Brincadeira estúpida!” (p.33) “Ele já não sorria. Estava sério, os olhos diminuindo. Em redor deles, reapareceram as rugazinhas abertas em leque. – Boa noite, Raquel. – Chega, Ricardo! Você vai me pagar!… – gritou ela, estendo os braços por entre as grades, tentando agarrá-lo. – Cretinho! Me dá a chave desta porcaria, vamos!” “E, de repente, o grito medonho, inumano: – NÃO! Durante algum tempo ele ainda ouviu os gritos que se multiplicaram, semelhantes aos de um animal sendo estraçalhado.

Depois, os uivos foram ficando mais remotos, abafados como se viessem das profundezas da terra. Assim que atingiu o portão do cemitério, ele lançou ao poente um olhar mortiço. Ficou atento. Nenhum ouvido humano escutaria agora qualquer chamado. Acendeu um cigarro e foi descendo a ladeira. Crianças ao longe brincavam de roda.” (p.34)




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