V. 11, n. 2, p. 01-21, abr – jun, 2015


Propriedades biológicas da própolis



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Propriedades biológicas da própolis 

 

Muitos  pesquisadores  relataram  que  o  potencial 



biológico da própolis se deve a um sinergismo que ocorre 

entre os muitos constituintes. Observou-se este sinergismo 

que  ocorre  no  estudo  de  várias  frações  de  um  extrato 

etanólico de própolis (EEP). Estes resultados indicam que 

o seu potencial antibacteriano não é devido à presença de 

uma substância em particular, mas, resultante de uma ação 

complexa  de  vários  compostos  (KROL  et  al.,  1993).  Foi 

relatado que extratos de própolis potencializam a ação de 

vários  antibióticos.  O  efeito  de  biomicina,  tetraciclina, 

neomicina,  polimixina,  penicilina  e  estreptomicina  contra 



S. aureos e E. coli foi aumentado pela adição de própolis 

ao meio nutriente. 

Vários  trabalhos  foram  publicados  divulgando  e 

revisando  as  propriedades  biológicas  da  própolis  como, 

por  exemplo,  antimicrobiana  (GONSALES  et  al.,  2006), 

antifúngica (FARNESI, 2007; FERNANDES et al., 2007; 

LONGHINI  et  al.,  2007;  OLIVEIRA  et  al.,  2006),  anti-

inflamatória  (MONTPIED  et.  al.,  2003),  cicatrizante 

(GHISALBERTI, 1979; SANTOS et al., 2007), anestésica 

(BURDOCK,  1998),  anticariogênica  (PARK  et.  al., 

1998__a), 

anticarcinogênica 

(MENEZES, 

2005) 


antiprotozoária, 

antiviral 

(BURDOCK, 

1998; 


MARCUCCI,  1995;  MARCUCCI,  1996)  e  antioxidante 

(PARK et al., 1998__b).  

A  propolis  entretanto,  não  pode  ser  considerada  um 

remédio para todas as doenças. Sendo o grande problema 

desta,  bem  como  os  outros  produtos  originários  das 

abelhas  (mel,  geléia  real  e  cera)  a  composição  é  variável 

de  acordo  com  a  flora  e  as  condições  sazonais  de  uma 

dada  área,  o  tempo  da  coleta  e  contaminantes.  Também 

existe  um  grande  problema  em  definir  qual  o  tipo  de 

própolis indicada para uso medicinal, pois a qualidade do 

produto  varia  grandemente.  Embora  a  padronização  seja 

possível,  em  princípio,  testes  químicos  exatos  ainda  não 

foram aplicados na prática como controle de qualidade. O 

problema  do  controle  de  qualidade  foi  comprovado  em 

países  onde  produtos  à  base  de  própolis  são 

comercializados (MARCUCCI, 1996).  

Existem  amostras  de  própolis  que  não  possuem 

nenhum odor. O ponto de fusão é variável entre 60-70°C 

sendo  que  pode  atingir,  em  alguns  casos,  até  100°C.  Em 

15°C  a  própolis  é  uma  substancia  dura,  tornando-se 

maleável  a  partir  de  30°C.  Alguns  solventes  como:  éter, 

etanol,  acetona,  touleno  e  tricloroetileno,  permitem  a 

dissolução 

de 


muitos 

dos 


seus 

constituintes 

(VANHAELEN; VANHAELEN-FASTRÉ, 1979).  

A  parte  insolúvel  é  constituida  de  matéria  orgânica, 

tecidos vegetais, grãos de pólen, e outros. Os constituintes 

solúveis  da  própolis,  obtidos  utilizando  solventes 

organicos,  dividem-se  em:  materiais  cerosos  (em  média 

30%),  bálsamos,  óleos  essenciais  e  derivados  fenólicos 

(em  média  60%)  (VANHAELEN;  VANHAELEN-

FASTRÉ, 1979). 

A  composição  de  uma  própolis  é  determinada 

principalmente 

pelas 

características 



fitogeográficas 

existentes  ao  redor  da  colméia  (KUMAZAWA  et  al., 

2004). Entretanto, a composição da própolis também varia 

sazonalmente  em  uma  mesma  localidade  (SFORCIN  et 



al., 2000).  

Variações  na  composição  também  foram  observadas 

entre  amostras  de  própolis  coletadas  em  uma  mesma 

região,  por  diferentes  raças  de  A.  mellifera  (SILICI; 

KUTLUCA, 2005).  

Não  só  a  composição  química  da  própolis  é 

determinada  pelas  características  da  vegetação  da  região, 

mas  também  as  reservas  de  pólen  e  mel.  Como 

consequência  desta  composição  química  diferenciada  da 

própolis, ocorre também uma variação nas suas atividades 

farmacológicas (MENEZES, 2005). 

As  diferenças  genéticas  das  abelhas  que  coletam  a 

resina  e  a  origem  geográfica  das  substâncias  nela 

presentes  tornam  a  composição  química  da  própolis 

complexa (BARBOSA, 2009).  

Hernandez  et  al.,  (2010),  inferem  que  duas  ou  mais 

espécies vegetais contribuem para a produção da própolis 

cubana.  Por  isso,  embora  seja  um  produto  de  origem 

animal,  alguns  compostos  químicos  da  própolis  são 

derivados  da  fonte  botânica  utilizada  pelas  abelhas, 

principalmente  aqueles  com  ação  biológica  (SALATINO 

et al., 2005). 

A provável fonte vegetal comparada com a análise da 

composição  química  é  o  melhor  indicador  da  origem 

botânica da própolis (ALENCAR, et al., 2005). 

No  Brasil,  alguns  tipos  de  própolis  já  foram 

caracterizados  e  classificados  pela  coloração.  Após  o 

processamento e análise das amostras quanto à aparência e 

coloração dos extratos, Park et al. (2000) classificaram as 

amostras  de  própolis  brasileira  em  doze  tipos,  analisando 

as 


características 

físico-químicas 

propriedades 



biológicas  de  material  coletado  em  diferentes  regiões 

brasileiras. Segundo Daugsch  et al.,  (2007) um  novo tipo 

de  própolis  de  coloração  vermelha  foi  verificado  em 

colmeias  encontradas  ao  longo  do  litoral  e  dos  rios  do 

Nordeste  do  Brasil,  apresentando  características  físico-

químicas  e  biológicas  diferenciadas  das  demais  já 

estudadas. 

De  acordo  com  a  origem  botânica  e  a  composição 

química,  a  própolis  brasileira  foi  classificada  em 

diferentes  grupos.  Porém,  essa  classificação  ainda  é 

subestimada, uma vez que as abelhas podem coletar resina 

numa grande variedade de plantas (SILVA, 2008). Devido 

à  ampla  diversidade  vegetal  existente  no  Brasil  para  a 

retirada de resina e produção da própolis, até agora apenas 




Histórico e principais usos da própolis apícola

 


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