V. 11, n. 2, p. 01-21, abr – jun, 2015


ACSA – Agropecuária Científica no Semi-Árido



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ACSA – Agropecuária Científica no Semi-ÁridoV. 11, n. 2, p. 01-21, abr – jun , 2015 

paredes internas e para cobrir as carcaças de intrusos, que 

morreram  dentro  da  colmeia  a  fim  de  evitar  sua 

decomposição.  A  própolis  protege  a  colônia  de  doenças 

devido  a  sua  eficácia  antisséptico  e  propriedades 

antimicrobianas (SALATINO et. al., 2005). 

 

FATOS  HISTÓRICOS  IMPORTANTES  NO  ESTUDO 



DA PRÓPOLIS 

 

Ao longo da história, o homem apreendeu a utilizar os 

produtos  naturais  na  medicina.  Das  várias  formas  de 

utilização  destacam-se  as  plantas  brutas  (ex.:  ervas)  além 

das tradicionais preparações Galênicas (ex.: extratos). Um 

dos  muitos  produtos  naturais  utilizados  durante  séculos 

pela humanidade foi a própolis administrada sob diversas 

formas. Seu emprego já era descrito pelos assírios, gregos, 

romanos,  incas  e  egípcios.  Os  primeiros  registros  da 

utilização  da  própolis  pelo  homem  remontam  ao  Egito 

antigo  (1700  A.C.;  “cera  negra”)  era  utilizada  como  um 

dos  materiais  para  embalsamar  os  mortos  (CASTALDO; 

CAPASSO, 2002; PEREIRA; SEIXAS; AQUINO NETO, 

2002) e à Mesopotâmia (CASTALDO; CAPASSO, 2002; 

MATSUNO, 1997; PEREIRA et al., 2002). 

Os  gregos,  entre  os  quais  Hipócrates,  adotaram-na 

como  cicratizante  interno  e  externo.  Plínio,  historiador 

romano, refere-se à própolis como medicamento capaz de 

reduzir inchaços e aliviar dores (IOIRISH, 1982). O termo 

própolis  já  era  descrito  no  século  XVI  na  França 

(MARCUCCI,  1996)  e,  data de  1908 o  primeiro  trabalho 

científico sobre suas propriedades e composição químicas 

(HELFENBERG,1908),  e  de  1968  o  resumo  da  primeira 

patente  utilizando  a  própolis  Romena  para  a  produção  de 

loções  para  banho  (IULIU,  1965),  ambos  indexados  no 

Chemical Abstracts

Na África do Sul, na guerra ao final do século XIX, foi 

amplamente  utilizada  devido  às  suas  propriedades 

cicatrizantes  (MARCUCCI,  1996)  e  na  segunda  guerra 

mundial  foi  empregada  em  várias  clínicas  soviéticas 

(IOIRISH,  1982).  Na  antiga  URSS,  a  própolis  mereceu 

especial  atenção  em  medicina  humana  e  veterinária,  com 

aplicações  inclusive  no  tratamento  da  tuberculose, 

observando-se  a  regressão  dos  problemas  pulmonares  e 

recuperação  do  apetite  (WOISKY;  GIESBRECHT; 

SALATINO, 1994). 

Na  metade  dos  anos  80  a  própolis  tornou-se  um 

produto 

importante 

na 

medicina 



complementar 

(LUSTOSA,  2007).  ALENCAR  (2009),  descreve  a 

própolis  como  sendo  uma  substância  na  confecção  de 

violinos  de  qualidade.  Atualmente,  em  várias  partes  do 

mundo,  a  própolis  é  comercializada  pela  indústria 

farmacêutica  como  uma  medicina  alternativa  (LOTTI  et 



al., 2010). 

Desde  a  década  de  1980,  este  produto  vem  sendo 

largamente  utilizado  em  suplementos  alimentares  e 

beberagens, 

como 

preventivo 



de 

enfermidades 

(BANSKOTA,  TEZUKA,  KADOTA,  2001)  e  em 

aplicações tópicas (ARVOUET-GRAND, 1993; DÍAZ, et. 



al,  1997;  GREGORY  et.  al.,  2002;  MAGRO  FILHO, 

1991). Paralelamente, notou-se um incremento de estudos 

a  partir  deste  produto,  destacando-se  aqueles  levados  a 

cabo  com  própolis  da  Região  Sudeste  do  Brasil 

(MARCUCCI; BANKOVA, 1999), a mais bem cotada no 

mercado internacional, com valores que variam entre US$ 

80 e 100 por kg do produto in natura

 

AVANÇOS  NOS  REGISTROS  CIENTÍFICOS  SOBRE 



A PRÓPOLIS 

 

Todos os principais países em  número de publicações 



no  assunto  tiveram  um  aumento  substancial  nas  décadas 

de  80  e  90:  entre  40  %  (Itália  de  5  para  7  trabalhos 

publicados)  e  660%  (Japão  de  5  para  38  trabalhos 

publicados).  Com  exceção  da  Polônia  e  da  Bulgária  que 

tiveram  respectivamente  um  aumento  de  53%  e  47%  de 

produtividade 

entre 

as 


décadas 

de 


80 

90 



(respectivamente  13  para  20  e  17  para  25  trabalhos 

publicados),  todos  os  outros  países  do  antigo  bloco 

comunista  europeu  apresentaram  um  decréscimo  da 

produtividade,  coincidindo  com  o  colapso  dos  regimes 

comunistas  no  leste  europeu  (PEREIRA,  SEIXAS, 

AQUINO NETO, 2002). 

O  interesse  global  de  pesquisas  em  própolis  tem  duas 

justificativas:  a  primeira  devido  a  suas  características  de 

panacéia.  De  certa  maneira  essas  características  também 

atrapalham  sua  aceitação,  já  que  os  médicos  e  outros 

profissionais tendem a desconfiar de sua eficácia devido a 

lhe  serem  atribuídas  dezenas  de  atividades  biológicas 

simultaneamente.  O  segundo  é  devido  a  seu  alto  valor 

agregado,  pelo  qual  um  frasco  do  extrato  alcoólico  é 

vendido no Brasil por cerca de 5 a 10 reais, mas chegando 

a  custar  150  Dólares  em  Tóquio  (CIZMARIK, 

LAHITOVA,  JELOKOVA,  1998).  Este  alto  valor 

agregado em Tóquio pode justificar, em parte, o interesse 

dos  japoneses  pela  própolis,  principalmente  a  brasileira 

(sendo  hoje  a  terceira  maior  produção  mundial,  perdendo 

apenas para a Rússia e a China). Embora produza de 10 a 

15% da produção mundial, o Brasil atende a cerca de 80% 

da demanda japonesa (NOTHENBERG, 1997). 

No  Brasil  a  primeira  publicação  sobre  a  própolis,  em 

1984,  apresentou  um  estudo  comparativo  do  efeito  da 

própolis  e  antibióticos  na  inibição  de  Staphylococcus 



aureus.  A  própolis  brasileira  estudada  apresentou  mais 

atividade  do  que  vários  antibióticos  testados  (SHUB 



et.al.,1981). 

A  maior  parte  dos  trabalhos  encontrados  na  literatura 

refere-se  à  própolis  verde,  e  apenas  nos  últimos  anos  a 

própolis  vermelha  tem  sido  objeto  de  estudo.  Segundo 

Alencar  et  al.,  (2007),  a  própolis  vermelha  brasileira 

possui 


novos 

compostos 

bioativos 

nunca 


antes 

encontrados  nos  produtos  já  estudados.  Esta  possui  uma 

importante fonte de compostos com atividades biológicas, 

sendo uma delas a atividade antioxidante (OLDONI et al., 

2011). 

 

UTILIZAÇÃO DA PRÓPOLIS NA ATUALIDADE 



 

Nos últimos 20 anos a própolis vem sendo largamente 

empregada  na  medicina  popular,  em  cosméticos  e 

dermocosméticos  (CARVALHO,  2000;  HERMANN; 

BRACAMONTE, 1991; RAMOS, 1995). As propriedades 

biológicas  da  própolis  obviamente  estão  diretamente 

ligadas à sua composição química, e este, possivelmente, é 

o maior problema para o uso da própolis em “fitoterapia”, 

tendo  em  vista  que  esta  varia  de  acordo  com  a  flora  da 

região  e  época  da  colheita,  com  a  técnica  empregada, 




Daniel Santiago Pereira, et al.

 


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