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Midana Fernandes Augusto Pinhel                                    Capítulo III: Estudo de Caso (Agricultura e Desenvolvimento) 
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pesquisa científica e a fiscalização de doenças animais, têm um importante impacto nas economias 
de escala. As instituições descentralizadas precisam de abordar a apropriação por parte da elite e a 
exclusão social, que geralmente prevalecem nas sociedades agrárias. Outro aspecto importante, é a 
redução da corrupção através de auditorias do governo e das organizações regionais, com resultados 
divulgados  pelos  meios  de  comunicação  social.  A  punição  dos  envolvidos  dos  actos  e  o  uso  de 
tecnologias de informação e de comunicação, para manter registos e compartilhar informações. 
          O  Desenvolvimento  Conduzido  pela  Comunidade  (DCC)  rural,  baseia-se  no  seu 
conhecimento local, criatividade e capital social. A descentralização e o DCC, contribui geralmente 
para a estratégia da agricultura, para o desenvolvimento de forma sequencial, focando-se primeiro, 
nos serviços básicos e bens públicos, e participando das actividades geradoras de renda, depois das 
necessidades mais básicas terem sido atendidas. O desenvolvimento territorial, poderá ajudar a gerir 
projectos económicos numa escala mais ampla que a abordagem DCC. 
              Nos países ACP os doadores são extraordinariamente influentes. Em 24 países de  África, 
as contribuições dos doadores representam 28% dos gastos com desenvolvimento agrícola - e mais 
de  80%  em  alguns  países.  As  estratégias  agrícolas  comandadas  pelos  países  com  redução  de 
pobreza mais ampla, oferecem uma estrutura de entreajuda aos doadores no sector agrícola e entre 
elas, usando os sistemas de despesas públicas e aquisições, como mecanismos para implementação 
de programas.
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        Ao nível regional, o programa amplo de desenvolvimento  agrícola Africano 
fornece as prioridades para a coordenação dos investimentos dos doadores. Embora esses esforços 
nacionais e regionais forneçam os contextos institucionais para o apoio dos doadores à agricultura, 
o progresso na implementação tem sido lento. 
              A  estratégia  da  agricultura  para  o  desenvolvimento  não  pode  ser  executada  sem  mais  e 
melhores  compromissos.  As  principais  tarefas  globais  do  Século  XXI  –  acabar  com  a  fome  e  a 
pobreza;  sustentar  o  meio  ambiente;  fornecer  seguranças  e  criar  a  saúde  mundial  –  não  serão 
realizadas  sem  a  agricultura.  A  estratégia  global  para  a  agricultura  tem  múltiplas  dimensões: 
definição de regras  justas  para o comércio  internacional;  acordo sobre padrões  para os  produtos  e 
direitos  de  propriedade  intelectual;  fornecimento  de  novas  tecnologias  favorecendo  as  pessoas  de 
baixo  rendimento;  evitar  externalidades  negativas  como  doenças  de  animais,  conservação  da 
biodiversidade do mundo e atenuação e adaptação à mudança climática.
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             Com  um  pouco  foco  sectorial  reduzido,  as  instituições  internacionais  criadas  para  a 
agricultura  no  Século  XX,  apesar  das  inúmeras  realizações,  estão  mal  preparadas  para  abordar  as 
actuais  agendas  inter-relacionais  e  multissectoriais.  São  necessárias  reformas  institucionais  e 
                                                 
109
 Dados  referidos pelo o relatório de Banco Mundial   agricultura e desenvolvimento mundial, 2008. 
110
 A  mal  gerência  da  agricultura  pode  prejudicar  ainda  mais  a  mudança  climática  e  criar  várias  dificuldades  ao 
progresso dos países em via desenvolvimento.
 


Midana Fernandes Augusto Pinhel                                    Capítulo III: Estudo de Caso (Agricultura e Desenvolvimento) 
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inovações  para  facilitar  uma  maior  coordenação  entre  as  organizações  internacionais  e  os  novos 
actores da arena global (inclusive a sociedade civil, o sector de negócio e a filantropia). 
              A  implementação  da  estratégia  da  agricultura  para  o  desenvolvimento  dos  países  ACP, 
exige uma combinação de dispositivos institucionais. Instituições especializadas tais como, o grupo 
Consultivo  em  pesquisas  agrícolas  Internacionais,  a  Organização  das  Nações  Unidas  para  a 
Agricultura  e  Alimentação  e  o  Fundo  internacional  de  desenvolvimento  agrícola,  podem  fornecer 
apoio e compromisso a longo prazo, através de redes intersectoriais específicas para cada questão, 
melhorando  a  sua  eficiência  e  coordenação  entre  os  diferentes  órgãos.  Em  outros  casos,  a 
incorporação de propriedades globais – tais como a adaptação à mudança climática - a maior ajuda 
dos doadores à agricultura poderá funcionar melhor. O cumprimento da estratégia internacional não 
é apenas uma questão de interesse próprio. Estende-se de forma abrangente num mundo global mas, 
é também uma questão de equidade e justiça entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento, 
entre a actual e a futura geração. 
            Se  o  mundo  estiver  comprometido  na  redução  da  pobreza  e  no  alcance  do  crescimento 
sustentável, as forças da agricultura para o desenvolvimento serão liberadas, contudo, não existem 
fórmulas mágicas. A cooperação agrícola para o desenvolvimento é um processo complexo. Requer 
consultas abrangentes no âmbito dos países para adoptar e definir estratégias para a implementação. 
Requer também com que a agricultura trabalhe em harmonia com outros sectores e com actores no 
nível  local,  nacional  e  continental.  Exige  a  formulação  de  capacidades  para  os  pequenos 
proprietários e suas organizações, para os agros  - negócios privados e para o Estado. Necessita de 
instituições  para  ajudar  a  agricultura  a  servir  ao  desenvolvimento  e  às  tecnologias  para  o  uso 
sustentável  dos  recursos  naturais.  Exige  também  a  mobilização  do  apoio  político,  nas  diferentes 
habilidades e recursos. 
          Cresce entre os  governos e os  doadores o reconhecimento  de que a agricultura deve ser um 
elemento de destaque na estratégia para o desenvolvimento, seja para proporcionar crescimento dos 
países  em  via  de  desenvolvimento  ou  para  reduzir  a  pobreza  nas  zonas  rurais.  As  melhores 
oportunidades e a maior disposição que existe hoje para investir na agricultura geram o optimismo 
de que as estratégias da agricultura para o desenvolvimento possam avançar. Como já foi referido, a  
janela  de  oportunidade  que  isso  oferece  não  deve  ser  perdida,  pois  o  sucesso  fornecerá  óptimos 
frutos para as metas de desenvolvimento do Milénio.  

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