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1.3.
 
A
 
U
NIÃO 
E
UROPEIA COMO UM ACTOR DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS
 
a)
 
A
 
P
OLÍTICA 
E
XTERNA DA 
U
NIÃO 
E
UROPEIA    
 
A política externa de um actor é tão necessária como indispensável. Segundo Marques Bessa, 
ela é “ necessária para corrigir anárquicas no sistema internacional e distribuir recursos ainda que 
arbitrariamente”  e  “  indispensável  no  sentido  que  separa  o  plano  interno  do  plano  externo  sem  o 
qual  a  identidade  colectiva  se  dissolveria”
18
.  Em  termos  gerais,  a  política  externa  consiste  nas 
acções  tomadas  pelos  Estados,  dirigidas  a  um  ambiente  externo,  com  o  objectivo  de  apoiar  ou 
                                                 
17
 Por exemplo, as matérias da África Austral representam cerca de 85% do total das suas exportações.   
18
 Marques  Bessa,  O  Olhar  de  Leviatham:  uma  introdução  à  política  externa  dos  estados  modernos,  Lisboa:  ISCSP-
UTL, 2001, p. 71. 


Midana Fernandes Augusto Pinhel                                      Capítulo I: Os Principais Aspectos Da Cooperação ACP-UE 
14 
 
alterar esse ambiente de alguma forma
19
. Naturalmente um actor internacional não age num vácuo, 
mas  sim  tendo  os  reais  valores  e  objectivos  predefinidos.  Tradicionalmente,  um  actor  possui  uma 
hierarquia  de  interesses  para  agir  na  esfera  internacional,  a  qual  inclui  normalmente  cinco 
dimensões,  relacionas  entre  si:  a  segurança,  a  economia,  a  política,  a  cultura,  e  a  imagem.  Cada 
Estado na sua relação  com  exterior procura defender-se  adequadamente contra qualquer  ameaça a 
esses interesses através de meios credíveis por vezes até ilegais e ilegítimos. 
Dentro dos instrumentos utilizados pelos autores na política internacional, o conhecimento é 
um  dos  mais  importantes  poder  nas  relações  internacionais.  Mas  é  necessário  clarificar  o  que  é  o 
poder no sistema internacional, sendo que recorrerei para o efeito a Keohane e Nye, Segundo estes 
autores, pode-se distinguir, em primeiro lugar, entre o poder comportamental ( behavioral power), o 
qual se refere à posse dos recursos que estão associados à obtenção de um determinado objectivo. 
Dentro do poder comportamental, podemos dividir entre duas categorias: hard power e soft power. 
O  primeiro  consiste  na  capacidade  de  um  actor  em  fazer  com  que  outro  faça  aquilo  que  de 
forma  outra  este  não  faria,  através  da  promessa  de  uma  determina  recompensa  ou  ameaça  de 
punição.  Esta  capacidade  coerciva  é  um  elemento  central  do  poder.  Uma  fonte  de  hard  power 
consiste  na  interdependência  assimétrica,  em  que  os  mais  poderosos  manipulam  ou  evitam  os 
constrangimentos numa relação de interdependência com um custo baixo. 
O segundo, o soft power, revela-se na capacidade de conseguir aquilo que se deseja através da 
atracção  ao  invés  da  coerção.  O  seu  modus  operandi  reside  em  convencer  os  outros  a  seguir  ou 
concordar com as normas e instituições que produz e com o comportamento que almeja. Assim, o 
Soft power reside na capacidade apelativa das ideias ou cultura de um actor, e/ ou na sua capacidade 
em  estabelecer  uma  agenda  através  dos  standards  e  instituições  que  moldem  as  preferências  de 
outros  autores.  Se  conseguir  lograr  os  seus  objectivos,  tornando  o  seu  poder  legítimo  através  dos 
meios explicados anteriormente, tal encorajará os actores a definir os seus interesses de forma mais 
compatível, reduzindo a necessidade de despender tantas verbas em recursos económicos e militares 
tradicionais.
20
 
Num sistema internacional existem diferentes tipos de autores que aplicam o poder segundo 
um discurso diferente entre si. Segundo o Tocci existem quatro tipos de instrumentos para legitimar 
os objectivos nas relações internacionais: normativo, realpolitik, imperial e status quo
21

                                                 
19
 W. Carlsnaes,”How Should  We Study the Foreign Policies of Small European States” in: Nação e Defesa, n.º 118, 
Lisboa: Instituto de Defesa Nacional, 2007, p. 33.
 
20
 
Robert Keohane e Joseph Nye jr, Transnacional Relations and Word politics, Cambridge, Harvard University Press, 
2001, p. 185-193 
 
21
 Nathalie  Tocci,  Profiling  Normative  Foreign  Policy,  cit.  por  Luís  Silva  Barbosa,  Dissertação  do  mestrado,  



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