Universidade nova de lisboa


participação  efectiva  de  todos  os  cidadãos  nos  assuntos  públicos  (



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participação  efectiva  de  todos  os  cidadãos  nos  assuntos  públicos  (empowerment).
14
 Como  salienta 
Jam Marlensem é importante ressaltar a necessidade de avaliar o desenvolvimento não apenas  em 
termos monetários mas em função das melhorias relativa da qualidade da vida humana
15

1.2.
 
A
 NECESSIDADE DE UMA POLÍTICA DA COOPERAÇÃO 
N
ORTE
-S
UL
 
As necessidades de cooperar entre as regiões Norte e do Sul são por mais evidentes, dado que 
vivemos numa época em que os fenómenos são cada vez mais globalizados e globalizantes, a ponto 
que o desenvolvimento não é apenas um problema do Sul, mas de todo o planeta. Com o efeito, não 
é  possível  conceber  um  projecto  desenvolvimento  durável  sem  ter  em  conta  os  efeitos  da 
globalização
16

Esta  interdependência  Norte-Sul  reveste-se  há  vários  anos  de  novas  formas.  Com  a 
mobilidade  crescente  das  pessoas,  do  capital,  dos  bens  e  da  informação,  o  desenvolvimento 
económico dos países tanto de Norte como do Sul passou a inscrever-se num contexto mundial. E, 
neste  contexto,  o  subdesenvolvimento  do  Sul  tem  consequências  económicas  directamente 
negativas  para  o  Norte,  que  vê  a  sua  indústria  privada  de  mercados  devido  à  falta  de  meios 
disponíveis da parte dos consumidores potenciais para adquirirem os bens e os serviços que lhes são 
propostos.  Obviamente que a interdependência Norte  -Sul  não é exclusivamente económica. Cada 
vez  mais  certas  questões  e  problemas  como  a  droga,  a  imigração,  a  explosão  demográfica,  o 
ambiente, a Sida e tantos outros não podem ser tratados eficazmente de uma forma isolada.  
                                                 
13
 Orlando Simões e Ana Cristina Paulo, Agricultura e desenvolvimento, Lisboa, CESA, 1997, p. 8.
 
14
 Kevin MacGrath, “O Desenvolvimento Humano e os Direitos do Homem” in: Direitos Humanos e Desenvolvimento, 
Lisboa, CIDAC, 1992, p. 27.
 
15
 Jan  Martensen,  “Mensagem  do  Secretário-Geral  das  Nações  Unidas”  in:  Direitos  Humanos  e  Desenvolvimento, 
Lisboa, CIDAC, 1992, p. 82
.
 
16
 Ramiro Monteiro, op. cit., p. 68-76. 
 


Midana Fernandes Augusto Pinhel                                      Capítulo I: Os Principais Aspectos Da Cooperação ACP-UE 
13 
 
A  necessidade  das  duas  regiões  cooperarem  centraliza-se  particularmente  em  três  aspectos: 
económico, demográfico e ambiental. 
O  primeiro  tem  a  ver
 
com  o  factor  da  globalização  da  economia  e  do  grau  de  abertura  dos 
mercados,  visto  as  matérias-primas  do  PVD  serem  vitais  à  poderosa  indústria  do  Norte
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 e  os 
mercados  do Sul  serem  cada vez mais  a resposta às  necessidades das  actividades  transformadoras 
do Norte. 
O segundo diz respeito à demografia, já aqui aflorada, e associa-se especialmente aos grandes 
fluxos migratórios do Sul para o Norte, com todos os problemas que isso implica nas sociedades de 
acolhimento:  sociais,  políticos,  económicos,  legislativos,  humanitários,  etc.  A  este  respeito,  a 
pressão que neste momento pende sobre o Norte só poderá ser aliviada se este não desistir de ajudar 
o desenvolvimento do Sul, uma vez que os desequilíbrios regionais são enormes: as taxas elevadas 
de crescimento demográfico do sul andam de mão dada com a pobreza e a miséria, enquanto que as 
baixas taxas de crescimento da população do Norte se ligam à sua riqueza e desenvolvimento.    
Por  último,  o  ambiente,  que  actualmente  está  a  merecer  muita  preocupação  por  parte  da 
comunidade internacional. Os problemas ligados ao ambiente são globais. Sejam eles o avanço dos 
desertos,  a  diminuição  das  florestas,  a  perda  de  qualidade  das  águas  ou  o  impacto  das  variações 
climatéricas, sobre a vida humana e animal. 
A verdade é que, se os países industrializados quiserem evitar sofrer, mais cedo ou mais tarde, 
as  consequências  das  crises  que  afectam  actualmente  os  países  menos  desenvolvidos,  devem 
adoptar  uma  política  solidária  e  apoiar  os  esforços  destes  países.  Caso  contrário,  o  preço  a  pagar 
dentro de alguns anos, tanto a nível humano como financeiro, poderá ser infinitamente superior ao 
que é necessário hoje para evitar o drama. 



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