Universidade federal do rio de janeiro gil alves silva



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CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................... 83 
  
REFERÊNCIAS........................................................................................................  91 
 
APÊNDICES..............................................................................................................  115 
  
GLOSSÁRIO.............................................................................................................. 135 
 



 
INTRODUÇÃO 
 
Justificativa e Objetivo 
 
Desde a aurora dos tempos o homem tentou introduzir alguma ordem no caos em 
que se constitui o firmamento estrelado, criando as constelações
1
. Além de representar 
seus  deuses  e  heróis  mitológicos,  esses  desenhos  estabeleciam  referenciais  que 
sinalizavam os pontos cardeais, as estações do ano e o movimento dos errantes. Nesse 
sentido, a cartografia celeste
2
 – híbrido de ciência e arte que se ocupa do mapeamento e 
da representação do céu – sempre desempenhou um papel destacado na produção dessas 
representações  –  especialmente
3
  das  estrelas  “fixas”,  também  chamadas  inerrantes
Assim, em sua forma mais simples, a cartografia celeste foi basicamente uma forma de 
reconhecer e representar aquilo que é permanente no céu. 
Com  o  passar  do  tempo  o  homem  desenvolveu  instrumentos  e  métodos  que  o 
auxiliaram  na  tarefa  de  observar  e  medir  o  universo,  e  essa  quantificação  das 
informações astronômicas tornou nosso conhecimento do cosmos mais completo e mais 
preciso.  O  resultado  desse  processo  histórico  na  forma  de  observar  o  céu  foi  que  a 
cartografia  celeste  passou  a  descrever  e  representar  melhor  seus  objetos  de  estudo, 
afastando-se  da  magia  e  da  religiosidade  de  outrora  e  aproximando-se  de  uma 
concepção mais científica do cosmos. 
Em  suma,  poderíamos  dizer  que  a  história  da  cartografia  celeste  é  parte  da 
história  da  astronomia,  já  que  cada  avanço  observacional  registrado  na  ciência 
astronômica  foi  acompanhado  –  embora  nem  sempre  de  perto  –  pela  cartografia.  Mas 
não é só  isso:  embora nossas representações do céu sejam resultado direto da maneira 
como  observamos  e  medimos  o  universo,  outros  fatores  também  dinamizaram  a 
evolução da cartografia celeste, p.ex., a geometrização do céu (que permitiu a criação de 
sistemas de coordenadas astronômicas
4
  –  e  gerou uma demanda por  instrumentos para 
medir  ângulos  nesses  sistemas),  a  navegação  astronômica  (que  transportou  o  homem 
para  regiões  do  planeta  onde  ele  nunca  tinha  estado  antes  –  revelando  uma  porção 
                                                
1
 Termos técnicos constam no Glossário, e sua primeira aparição no texto será grifada em negrito
2
 Também conhecida como uranografia (do grego, “descrição do céu”). 
3
 Embora não seja o foco desse trabalho existem obras que apresentam diagramas do sistema solar ou cujo 
objeto de estudo são os aspectos físicos de seus membros (p. ex., cartografia da Lua, dos planetas etc.). 
4
 Para mais informações sobre sistemas de coordenadas astronômicas, ver Apêndice A,  Boczko (1984) e 
Társia (1993). 



 
desconhecida  do  céu),  a  imprensa  (que  ajudou  a  difundir  a  produção  de  imagens  das 
constelações),  entre  outros.  Entretanto,  após  anos  de  pesquisa,  foi  verificado  que  a 
maior  parte  dos  textos  sobre  a  história  da  cartografia  celeste  prioriza  seu  aspecto 
estético
5
,  versando  mais  sobre  a  representação  alegórica  das  constelações  do  que 
tentando  identificar  quais  fatores  influenciaram  seu  desenvolvimento.  Normalmente 
disperso em livros, artigos ou teses, o tema merecia ser alvo de uma investigação mais 
detalhada,  onde  além  de  considerada  parte  da  história  da  astronomia  a  cartografia 
celeste  também  fosse  contextualizada  dentro  de  um  cenário  histórico-cultural  mais 
amplo. 
O  objetivo  deste  trabalho  é  mostrar  como  nossa  forma  de  observar  e  medir  o 
universo contribuiu para a criação de representações do céu, e que essas representações 
estão  articuladas  não  somente  ao  aparato  técnico-instrumental  utilizado  nas 
observações, mas também a fatores utilitários, teóricos e sócio-culturais. Nossa proposta 
é  apresentar  um  panorama  geral  da  cartografia  celeste  ocidental,  mostrando  sua 
trajetória  histórica  desde  a  antiguidade  até  o  final  do  século  XX,  identificando  as 
inflexões  mais  importantes  e  discutindo  os  principais  fatores  responsáveis  por  seu 
desenvolvimento,  agrupando-os  a  fim  de  esboçar  um  esquema  histórico-conceitual 
segundo o qual a cartografia celeste evoluiu. 
 



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