Universidade federal do estado do rio de janeiro


Parte do Rap do MUF, considerado o hino da instituição também traz essa questão



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Parte do Rap do MUF, considerado o hino da instituição também traz essa questão: 
 
“Serafim, Pavãozinho, Cantagalo e Pavão, Vietnã, Caranguejo na conexão,  
Quebra Braço, Buraco Quente, Terrerão, Igrejinha, Nova Brasília um rolezão,  
só chegar no brindão ser sangue bom 
Povo anfitrião estende a mão 
Aprecie as belezas que emanam dos jardins suspensos de Ipanema e Copacabana.”
 
(PINTO; SILVA; LOUREIRO, 2012, p.22). 
 
 
Figura 6 Subunidades de Pavão-Pavãozinho e Cantagalo. 
Fonte: Acervo do Museu de Favela. 
 
Atualmente o MUF está inscrito em um novo contexto, pois, no passado, os moradores 
conviveram mais de trinta anos com grupos criminosos ligados ao tráfico de drogas que viviam 
em conflito permanente com a polícia e entre si. Isto restringia a sua mobilidade e provocava 


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medo e insegurança. Entre 1970 e 1980, Cantagalo e Pavão-Pavãozinho estavam sob o controle 
de grupos rivais. A chegada da facção “Comando Vermelho” unificou o domínio destas em 
meados  dos  anos  80,  intensificando  o  tráfico  de  drogas  no  local,  mas  ainda  permanecendo 
rivalidades  internas  entre  os  grupos  (VELLOSO;  PASTUK;  JR.,  2012).  Fato  é  que  os 
moradores não podiam conviver ou transitar entre as comunidades diferentes durante o período 
conflituoso (MORAES, 2011). Uma fala de Penha Nazareth é emblemática sobre essa questão. 
Perguntei para ela se a casa dela era muito pichada antes de ser Casa-Tela e ela me respondeu: 
“Era pichada sabe do que? De bala! Tô falando sério, assim, buraco, sabe?”
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Foi  também  nesse  período  que  Leonel  Brizola,  governador  do  estado  (1983-1987) 
iniciou  uma  série  de  obras  no  local.  Ele  também  deu  início  ao  processo  de  titulação  das 
propriedades  na  comunidade  com  vistas  à  regularização  fundiária.  No  segundo  governo  de 
Brizola (1991-1994), o “Brizolão”, onde se situa o CIEP, passou também a instalar o Centro 
Comunitário de Defesa da Cidadania (CCDC). Em 2001, foi inaugurado também neste local o 
Espaço Criança Esperança, uma parceria da ONG Viva Rio, Rede Globo e Fundo das Nações 
Unidas  para  Infância  (UNICEF).  Posteriormente  a  Organização  das  Nações  Unidas  para  a 
Educação,  a  Ciência  e  a  Cultura  (UNESCO)  substituiu  a  UNICEF  na  parceria  (VELLOSO; 
PASTUK; JR., 2012).   
Muitos  políticos  beneficiaram  favelas  em  troca  de  votos,  mas  apesar  disso,  Leonel 
Brizola é um político lembrado com muito carinho em Pavão, Pavãozinho e Cantagalo. Este 
realizou dois projetos-piloto na região trazendo melhorias. Em 2002, a Secretaria Municipal de 
Habitação realizou um diagnóstico da região com vistas à implantação do Programa Favela-
Bairro.  O  resultado  revelou  que  os  investimentos  de  Brizola  na  região  garantiram  a 
consolidação  e  permanência  dos  moradores  (CICCO,  2012).  Não  é  à  toa  que  seu  rosto  está 
estampado na Casa-Tela 16 “Sobrevivência, Paquera e Brizola”.
 
É  perceptível  o  grande  número  de  intervenções  públicas  no  PPG  nos  últimos  anos. 
Houve a implantação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal
a  instalação  de  uma  Unidade  de  Polícia  Pacificadora  (UPP),  já  citados  anteriormente,  e  até 
mesmo a tentativa de regularização fundiária, sendo esta coordenada pelo Instituto Atlântico. 
A 5ª UPP foi implantada em 2009, instalada em um imóvel em frente ao “Brizolão”, três meses 
depois  da  invasão  do  BOPE  ao  Complexo  Pavão-Pavãozinho-Cantagalo.  Os  moradores  do 
Pavão-Pavãozinho,  ainda que satisfeitos com  a iniciativa de acabar com  a violência armada, 
                                                           
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  Entrevista  concedida  por PENHA,  Penha  Nazareth.  Depoimento  [setembro,  2014].  Entrevistadora:  Fernanda 
Rodrigues. Rio de Janeiro, 2014. 1 arquivo.mp3 (15min). 


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sentem-se ressentidos com a falta de políticas públicas que atendam seus interesses. Denunciam 
problemas com as obras do PAC e maus-tratos cometidos pelos policiais com moradores, em 
especial os mais jovens. Também têm interesse que o trabalho da UPP se restrinja ao aspecto 
segurança (VELLOSO; PASTUK; JR., 2012). A entrada da UPP nas comunidades favoreceu 
também o aumento do número de turistas. Para o MUF é positivo, pois consegue mais visitantes. 
Seu Paulinho destaca que a tendência é melhorar, que teve época que as pessoas não vinham de 
jeito nenhum na favela, tinham medo devido ao que falavam “lá embaixo”, mas que hoje o 
pensamento já mudou.
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O PAC foi oficialmente lançado no PPG em 2007, apresentado aos moradores em 2008 
com  dois  eixos  centrais:  1)  obras  físicas  que  compõem  o  “programa  de  reurbanização”  da 
favela; e 2) “ações sociais” que fazem parte do “trabalho social” do PAC. Na primeira etapa do 
PAC  Social  foram  realizados  cursos  voltados  para  a  qualificação  profissional  na  área  de 
turismo. Ele reuniu um conjunto de obras de infraestrutura, e projetos para o desenvolvimento 
econômico e social em todas as regiões do país (MORAES, 2011). No Rio de Janeiro, ele se 
concentrou nas favelas e no PPG foram construídos prédios de apartamentos para famílias de 
renda média inferior a três salários mínimos, foram feitas obras de esgotamento sanitário, redes 
de água potável, drenagem de águas pluviais, galerias de drenagem, pavimentação de becos, 
vielas  e  escadarias,  foram  construídos dois  elevadores  panorâmicos  que  saem  da Estação de 
Metrô  General  Osório,  em  Ipanema  e  dão  acesso  à  favela  Cantagalo  (CICCO,  2012).  Os 
elevadores  geralmente  funcionam,  mas  algumas  vezes  apresentam  defeito.  Marilene  destaca 
que no início  de seu funcionamento  havia maior  organização, que hoje  as pessoas transitam 
com  diversas  coisas  no  elevador  como  bolsas  de  lixo  e  gelo.  Quando  ele  apresenta  defeito, 
algumas pessoas  ficam  estressadas, chegam  a bater em  suas portas e falar palavras  de baixo 
calão. Ao contar esses casos, a moradora lembra com nostalgia do tempo onde o elevador não 
existia e as pessoas tinham que subir e descer pelas escadas.
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O Complexo Pavão-Pavãozinho-Cantagalo está vivendo um processo de regularização 
urbanística e fundiária organizado pela Prefeitura Municipal visando conter sua expansão. Este 
processo envolve a criação de uma legislação específica para a área. De novembro de 2010 a 
maio  de  2011,  três  decretos  foram  assinados  pelo  prefeito  Eduardo  Paes  estabelecendo  “As 
Normas de Uso e Ocupação do Solo” dos territórios, elaborados em separado para cada favela. 
                                                           
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  Entrevista  concedida  por  SOUZA,  Paulo  César  de.  Depoimento  [outubro,  2014].  Entrevistadora:  Fernanda 
Rodrigues. Rio de Janeiro, 2014. 1 arquivo.mp3 (1h 5min). 
 
53
  Entrevista  concedida  por  SILVA,  Marilene  da.  Depoimento  [novembro,  2014].  Entrevistadora:  Fernanda 
Rodrigues. Rio de Janeiro, 2014. 1 arquivo.mp3 (27min). 


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(CUNHA apud VELLOSO; PASTUK; JR., 2012, p. 36). Os moradores preocupam-se com tais 
decretos e suas implicações. 
Velloso,  Pastuk  e  Jr.  (2012)  consideram  que  há  uma  vocação  das  comunidades  do 
Pavão-Pavãozinho  e Cantagalo  para o movimento político, o que pode ser comprovado pela 
iniciativa da criação de um Portal Eletrônico, idealizado, criado e alimentado por profissionais 
com ensino superior residentes nas duas favelas e outras iniciativas. 
Moraes (2011) ressalta que segundo dados extraoficiais, o PPG é a favela com a maior 
concentração de ONG´s  da cidade do Rio  de Janeiro e devido  a isto em  2010 o governo do 
estado desativou o CIEP e o destinou somente para as organizações. Hoje, falta espaço no CIEP 
e o próprio Museu de Favela que tentou se instalar lá, não conseguiu. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



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