Universidade federal de sergipe



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Conclusão (?)

De acordo com o que foi explicitado anteriormente, o acorde tristão se situa como 

símbolo de superação da teoria musical tonal de diferentes formas. Com relação à harmonia, 

ele torna-se um desafio para a análise musical convencional dentro dos padrões da teoria 




tonal.   Sua   análise   gera   ambiguidades   e   contradições   que   a   harmonia   tradicional   não 

comporta. A única saída é a perscrutação de novos caminhos harmônicos que deixem de lado 

os antigos e rígidos paradigmas, apontando para novos caminhos que vão acabar por aportar 

na música moderna do final do século XIX e início do século XX, influenciando toda uma 

geração de antigos e novos compositores da chamada “música do futuro”.

Por outro lado, o papel desempenhado por Wagner como escritor, sustentando teorias 

estéticas, filosóficas e políticas também influenciaram na consolidação da ópera  Tristão e 

Isolda e juntamente com ela o acorde tristão, como um símbolo revolucionário. Wagner não 

era um compositor qualquer que de repente logrou alcançar a concepção de tal acorde. Pelo 

contrário, o acorde tristão enquanto criação, se inseria num amplo legado artístico, gerado por 

um dos artistas mais revolucionários e influentes da história da música ocidental. O acorde 

tristão tanto reforça o papel revolucionário de Wagner quanto é reforçado e valorizado pelo 

conjunto de ações de outros compositores. Tal fato se explica pelo fato de que somente um 

ícone como Wagner poderia estabelecer um símbolo tão forte e revolucionário como o acorde 

tristão.


Levando   esta   simbologia   às   teorias   da   historiografia   atual,   pode-se   levar   em 

consideração a abordagem desenvolvida por Pierre Bourdier na obra O Poder Simbólico. De 

acordo com Bourdier, os símbolos e o seu poder persuasivo, podem ser encarados como 

estruturas deliberadamente construídas mas com certos aspectos que fogem ao controle e 

construções   racionais.   Desta   forma   o   acorde   tristão   se   colocaria   como   uma   estrutura 

simbólica que age sobre o contexto histórico musical do final do séc. XIX e começo do séc. 

XX. Ele contribui para a estruturação de um novo paradigma musical, mas ao mesmo tempo 

é estruturado pelo seu contexto cultural numa relação de construção mútua: assim como o 

acorde tristão influenciou uma geração de artistas, esses mesmos artistas de alguma forma 



estruturados   por   este   acorde   o   elegeram   como   símbolo   auxiliaram   a   estruturá-lo   com   o 

significado que ele tem hoje. Desta forma o acorde tristão se situa não só como agente 

estruturante das teorias pós-tonais, mas também como um símbolo estruturado pela cultura 

musical europeia de um determinado período da história.

Desta forma a revolução perpetrada pelo acorde tristão de Wagner pode ser encarada 

de   forma   análoga   aquela   alcançada   por   outros   ícones   da   música   ocidental.  Tomando   de 

empréstimo o conceito de “longa história” defendido, dentre outros, por Jacques Le Goff, na 

obra A História Nova, a transgressão tonal do acorde tristão pode se inserir num amplo arco 

histórico, que conta com diversas teorias musicais e seus respectivos símbolos de superação. 

Estes símbolos de superação e construção encontram-se na música ocidental deste Pitágoras, 

passando por Platão, Boécio, Monteverdi, Rameau, Riehmam, dentre outros.

Citando novamente outro teórico importante da historiografia atual, é possível ver, 

através das ideias defendidas por Peter Burke, o acorde tristão não só como um símbolo de 

superação da teoria musical tonal, mas também como uma “fórmula cultural” que, tomando 

formas diferentes ao longo da história da música, se situa como símbolo de quebra de um 

paradigma para a construção de outros mais novos.



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