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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE

CECH – NÚCLEO DE MÚSICA

HISTÓRIA DA MÚSICA III



O acorde tristão como símbolo 

de superação da teoria musical tonal.

Texto: Prof. Msc. João Liberato

Revisão: Fabio Oliveira

 



O acorde tristão como símbolo de superação da teoria musical tonal

O   acorde   tristão

1

  está   inserido   na   ópera  Tristão   e   Isolda,   composta   pelo   alemão 



Richard Wagner. Esta ópera estreou em 1865, sob a regência de Bulöw, e desde então este 

acorde componente do prelúdio de abertura e de vários trechos das árias seguintes tornou-se 

um   símbolo   revolucionário   musical.   Poucas   obras   na   história   da   música   ocidental 

influenciaram de forma tão poderosa gerações sucessivas de compositores como esta.



Tristão e Isolda é uma ópera composta por 3 atos e um prelúdio. Ela é uma das peças 

mais emblemáticas do drama musical wagneriano. Insere-se num amplo contexto estético que 

abrange  diversos  meios   de  expressão  artística,   como   a  literatura,   o  teatro,  a  pintura  etc. 

Pertence ao período comumente conhecido como Romântico.

O   poder   simbólico   manifestado   pelo   acorde   tristão   no   contexto   desta   obra   e   no 

contexto geral da história da música pode ser explicado de formas diversas, contudo nenhuma 

das explicações dadas até o presente momento exaurem por completo as ambiguidades e 

problemas   gerados   por   este   símbolo.  Talvez   justamente   aí,   na   dificuldade   conceitual,   se 

encontra o fundamento básico da posição simbólica deste acorde.

Com   relação   ao   papel   musical   do   acorde   tristão,   situando-o   como   símbolo   de 

superação da teoria musical tonal, podemos distinguir pelo menos três pontos importantes de 

explicação deste fenômeno: quanto às implicações harmônicas do acorde; quanto à posição 

da   ópera  Tristão   e   Isolda  no   conjunto   de   obras   de  Wagner;   e   quanto   ao   papel   pessoal 

desempenhado por Wagner na história da música europeia. 

1 Esta alcunha tornou-se bastante recorrente nos escritos a respeito deste acorde. As grafias são diversas, tais como 

“tristão”, Tristão, Tristão etc. Como forma de simplificação, a grafia adotada doravante será apenas de acorde 

tristão.



Como já foi citado anteriormente, o acorde tristão se insere em várias partes da ópera. 

Não só em trechos diferentes, mas também com diferenciações com relação ao seu tratamento 

motívico, rítmico e orquestral. No entanto a sua presença logo nos primeiros compassos do 

prelúdio   chama   bastante   atenção;   é   como   se   Richard   Wagner   fosse   direto   ao   assunto 

principal, sem rodeios. A sensação causada pelo acorde tristão neste local tão explicito é, sem 

dúvida,   um   dos   fatores   mais   dramáticos   desta   peça.  A  música   do   prelúdio   encontra-se, 

aparentemente, em lá menor e compasso seis por oito. Nos primeiros compassos, começando 

por anacruse, uma linha de violoncelo é iniciada por salto ascendente de sexta menor que, 

descendo   cromaticamente,   conduz   ao   acorde   tristão,   apresentado   por   um   conjunto   de 

madeiras. Em seguida a melodia é conduzida por cromatismo a um acorde, aparentemente, de 

dominante, Mi maior com 7ª, seguido de pausa.

Figura 1: Acorde tristão. 

Origem: Piedade, 2007.

Desde a primeira audição da ópera  Tristão e Isolda, em 1865, muito já foi 

escrito sobre este acorde, incitando fartos debates entre teóricos e analistas. A polêmica sobre 

o acorde tristão não está tanto no seu efeito sonoro musical quanto nas tentativas de explicar 

este efeito. A crise tonal ocasionada pelo tristão está intimamente ligada às dificuldades de 

sua inserção na teoria tonal, desenvolvida ao longo de séculos, por diversos compositores, 

músicos e teóricos, dentre eles  Jean Philippe Rameau  e posteriormente Hugo Riemann. A 



seguir serão explicitados algumas das principais características da teoria tonal, desenvolvida 

na música europeia, principalmente entre os séculos XVII e XIX e em seguida as dificuldades 

de inserção  do acorde tristão, com seus  aspectos  contraditórios  e  ambíguos  dentro  desta 

teoria.



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