Universidade federal de pelotas



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Considerações Finais



Erro.

Admito.

Aprendo”.

Shakespeare

Senhoras e senhores! Este trabalho de conclusão de curso começou de maneira séria e comprometida em relação a grandes indivíduos da civilização que deram muito de suas vidas auxiliando, organizando e pensando sobre o ser humano. Foi um trabalho difícil de ser feito e que mostrou o quanto ainda resistimos ao mesmo tempo em que buscamos e são admiráveis as verdades já descobertas pelos nossos antecessores. Sempre foi muito marcante a frase que diz: “Só sei que nada sei”, porém, quando nos colocamos a frequentar estes lugares em que somos convidados a pensar, todos nós queremos dizer verdades, todos nós queremos dizer que sabemos. Todos nós queremos dizer que já lemos sobre determinada coisa, todos nós queremos estar conectados às grandes personas que atravessam o tempo com seu conhecimento e sabedoria. Eu fiquei novamente preso a este pensamento, como se a filosofia estivesse toda calcada nesta frase, como se ninguém conseguisse sair desta afirmativa. Erro meu. Na própria filosofia existem outros indivíduos que mostram que sabem! Que tudo sabem!

Eu continuo tocando meu disco arranhado. Continuo na fantasia de acreditar que estou progredindo quando me vejo à mercê do mesmo pensamento. Sem nenhuma estrutura. Sem síntese, sem antítese, sem final. Encontrei-me em alguns momentos tentando dialogar com alguns indivíduos de renome. Fiquei deslumbrado, perdi o norte e muitas vezes acabei colocando muito pouco do que sou. Maresiado4, inebriado pela oportunidade de me ver detentor dos grandes saberes e conhecimentos. Fiquei revoltado, fiquei convencido, fiquei cheio de mim. Um “mim” fracamente estruturado, um “mim” que ainda não se conhece. Um “mim” que não tem noção do que é ou representa. Como dito no início deste trabalho, tento apenas silenciar, falo pouco e ainda falo mal. Falo coisas que não acrescentam, na tentativa ainda ingênua de me encontrar em harmonia com os outros. Queria ter produzido mais em meu trabalho, queria ter sido mais maçante e coeso. Queria conseguir aceitar tudo que os outros falam, queria estar de acordo com os grandes gênios de nossa humanidade e que estes, pela noite puxando meu pé e fazendo com que eu esquecesse meus pesadelos, dissessem: “tem coisas que você diz que são pertinentes”, “você está chegando e conseguindo tornar-se, de maneira digna, o que esperávamos de você!”, “você está chegando no âmago de discussões, que apenas você poderá respondê-las a nós”.

Foi assim que este trabalho foi se transformando. Fugindo de cientificidades e virando arte. Virando poesia. Virando ficção. Virando insatisfação. Virando choro. Ainda não devo estar pronto, ou talvez não seja eu ainda que conseguirei falar e retratar a realidade daqueles que são mais próximos a mim. Talvez mais parecidos comigo. Quase sempre misteriosamente inaptos a conhecer e sustentar as grandes verdades do mundo. Mas é assim! Tem gente que diria: é típico de pessoas como você. Isso que apresentas a nós é seu jeito de ser. Como se pudéssemos, ou como se alguém realmente quisesse, existir para ser si próprio. Não passamos nossa vida inteira querendo ser vistos, aceitos, desafiados? Onde navega este pensamento, esta maneira de compreender, que pode tanto elogiar quanto desmerecer simplesmente por conseguir expressar, por conseguir desvelar o si mesmo? Que luta é esta que me persegue na tentativa de simplesmente eu encontrar a mim mesmo? Como tem vezes que me ofendo e vezes que feliz me sinto lisonjeado em ter vencido algum desafio, que me dê coragem e força neste eterno caminho, o do autoconhecimento?

É... Ainda não cheguei a lugar algum. E não foi por causa do curso. Muito menos pelos grandes mestres que conheci e aprendi a respeitar. Foi talvez pela minha inaptidão de levar as coisas de maneira mais séria. Foi pela minha incapacidade de ver as coisas como são. Foi pelo tormentoso desafio de minha inexpressividade opaca. E nesta opacidade reprimida recaio novamente no erro de querer expressar coisas sem profundidade. Querer acertar a algo ou alguém que não precisa ouvir minhas apelações cabotinas. Minha inabilidade em ser o “eu”, de acordo com tudo que nós todos conhecemos, nos identificamos, nos mostram ser o correto. Ainda sedento desta miragem que é querer ver a si. Sem nos cegarmos.

Diante de tudo que posso ser, diante de todas as maneiras que possa agir. Abdicando, logo após grande reflexão, de qualquer conversa exibicionista que tem a

única pretensão de fazermo-nos parar no tempo. Concebendo o conhecimento com a alegria disposta a fazer diferença diante daqueles que ainda não conseguem agir. Pois devemos procurar conhecer as coisas! Entendê-las para sabiamente modificá-las! Para, se for preciso, também estagná-las por algum tempo? Grande desafio para aqueles que tiveram oportunidade de pensar sobre variadas coisas! E quando fores convidado a resolver algo? É possível apenas mostrando nossas referências bibliográficas? Sofro por aqueles que ainda se mexem no caixão! Nada é meu. Minha alienação talvez me convide a reconhecer aqueles que vieram antes de mim. Quanto tempo levará para algo realmente ser eu? Vamos fazer os mortos não descansarem. Os vivos terem que desconversar enquanto são obrigados a resolverem o que dizem que não sabem. Pois haverá de ser cada vez maior o inferno quando tiver que aprender a desconfiar de tudo. E a justiça será cada vez mais tenebrosa quando nunca conseguirmos visualizar aqueles que a tornam única, necessária e disforme. Quem será convidado a perder sua “vida” na burocracia e na invisibilidade dos julgamentos? Quem se perderá ainda mais quando descobrirmos que ainda erramos? Quem se jogará à percepção medíocre se tornando o forte que nada sabe, ou o inteligente que não consegue fazer valer suas certezas? Quem abdicará da poesia, das frases de efeito quando realmente tentarmos comungar da realidade apresentada a todos nós? Quem deve aprender a sofrer calado e,esquecendo-se de tudo que nos cerca, compreender que tudo já esta dentro de nós? O que é preciso aprender para ser único? Assim como todos os outros? Quando, temendo, aprenderemos a nos escondermos? A fugir, a sair do mundo de nosso criador? Sejamos humildes. Texto desconexo. Texto delirante. Texto excentricamente evasivo. Resultado da não compreensão de se tornar uma pequena parte de um mundo gigantesco, de um sistema. Então! Sucesso! Ficção mirabolante que mexe com discursos ouvidos e não realmente pensados, não refletidos, pelo indivíduo considerado mediano pela sociedade.

Teimo ainda e sinto: O que vale não é o conquistado, mas aquilo que pode ser passado à frente, o autoconhecimento é importante em relação às descobertas estas que não devem ser ensinadas. Que consigamos aprender muito mais com o silêncio do que com as palavras. Muitas vezes diante da ignorância nada podemos fazer senão aceitá-la. Comungar nas trevas faz com que com o passar do tempo enxerguemos nuances. As nuances, quando existem, nos chamam atenção nos convidando a observar uma e não outra. Quando passamos a reavaliarmo-nos e enxergar melhor a escolha, descubro o quanto ela fala de mim, se comungo de pontos em comum dou mais um passo à frente, de modo a compreender que em determinado momento alguém ficará atrás. Nossas experiências trocadas como histórias não surgem para nos vermos como iguais. Conversamos para ver quem está pronto para agir diferentemente. Acertamos para aprendermos a distanciar. Por isso tento não obedecer aos que já foram, por isso minha dor e sofrimento de andar na escuridão para lhe ensinar a ver com outros olhos. Para que se responsabilize no que será teu. Para que aprendamos aqui. Deixar-nos uns aos outros em paz.

Impressões! Trabalho de Conclusão de Curso que me serve como início de uma nova fase, logo após o término deste curso. Perguntas e exercício de pensar de maneira singela sobre questões que surgiram para me fazer questionar sobre, partindo de uma análise, partes constituintes do fazer teatral. Trabalho eternamente sem fim. Exercício organizado de maneira a se tornar aberto. Processo desafiante de modo a apresentar, sob “autopressão”, o que se apresenta relevante em meus exercícios de reflexão sobre o teatro. Exercício que se torna passado. Trabalho que se torna obsoleto. Tristeza que se apresenta diante do luto desta apresentação diante dos mestres. Angústia na tentativa de querer ser reavaliado diante do que este fim me convidará a seguir em frente, diante de novas perguntas e resoluções. Por que agora? Por que tão rápido? Apego. Admiração diante de cada indivíduo encontrado na época deste curso que, se tornando significativos para mim, me convidam a sentir pesada saudade. Que, diante de seus pensamentos sobre a vida e o teatro, me dão força para tentar voltar a caminhar solitariamente. Com nova bagagem. Forte medo diante do que ainda há de vir. Sobre inseguranças e sobre o que ainda está a se resolver. Tento não pensar no futuro. Tento perceber que diante de pequenas vitórias a luta ainda não acabou. Tento não olhar para o passado. Como se a cada dia anterior, diante de minhas anotações espalhadas pela casa, me convidasse a queimá-las, escondê-las de mim mesmo. Nossa! Ontem mesmo eu era tão novo! Como eu escrevia mal. Hoje! Que dificuldade, mais uma nova luta! Ter que reler o que já escrevi. Ter que resignificar! Ter que aprender a sair da “zona de conforto”. Que incapacidade de ver minhas anotações e gostar delas. Que dificuldade de mudá-las. Que enorme trabalho de retirar o que não serve. Que vergonha em me expor mais do que imaginava. Cansado de mim mesmo. Que estágio da vida que já começa a me colocar novamente em cheque diante de tudo que eu acreditava ser artista. Que sentimento e consciência calada de todas minhas dúvidas ainda não conscientizadas, porém sentidas, de tudo que hoje representa a mim ser um ator. Mais peso à minha carga! É preciso mais força. É preciso mais organização. É preciso descobrir como virar noites sem dormir. O que se toma para não dormir. De novo perco para meu computador. Tenho que cochilar! Mas eu ainda não fiz nada! Eu escrevi ainda muito pouco. Condescendência. Ah! Mestre! Que tipo de Cavaleiro sou? De novo, meu senhor! Lutando contra mim mesmo. Em pouco tempo, se tudo der certo,ficarei órfão de mestres. É!Senhoras e senhores, hoje ainda mais difícil! A fase da auto sabotagem. Então os mestres surgem. Nós aprendemos com eles. Nós nos expomos. E depois teremos que caminhar sozinhos? Deveria ter incomodado mais vocês.

De novo. Mais um fim. Voltando a se tornar frágil. Não conseguido perceber seu próprio desenvolvimento. Meu orientador? Será que terei que aprender a me afastar de você também? Virão outros, não é? Quando entrei na faculdade me senti um indivíduo de muita sorte. Tentei aprender muito com cada mestre e colega. Chamam de curso superior. Perto do fim do curso, só me surgem mais conteúdos, Convidando-me a ser mais disciplinado. Sinto que quanto mais nos enchemos e reconhecemos a importância do saber, mais vazios nos sentimos. Falta muito ainda. Ainda tenho muito que aprender. O curso parece tão rápido.

Tem surgido em mim, uma discussão muito forte. Carl Jung diz: “Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta”. Como escrever é difícil! Que luta é aprendermos a acordar. Este dizer dele é lindo! Mas adoro a sensação de me sentir acordado. Apesar de sentir que sonho muito. Ao mesmo tempo em que brigo comigo mesmo e com como o andar da carruagem foi me levando a este fim, ainda preciso de um pouco mais de tempo para amar este fim. Este meu Trabalho de Conclusão de Curso.

Querido TCC! Quero dizer que te amo muito. Talvez você seja a primeira experiência na qual me senti sem controle. Não saberia como você ficaria. Teve dias que nem olhei para você. Saibas que estava me esforçando para você se tornar o ideal de um TCC. Quero que saibas que não importa o que os outros digam. És muito importante para mim. Você ainda crescerá mais! Tendo eu me formado ou não. És um pedaço de coisas que li, coisas que me tocaram. Talvez não esteja ainda pronto, mas já é muito significativo para mim. Tenha paciência! Estamos andando devagar justamente para conseguir absorver a maior quantidade de conhecimento possível. Vais crescer ainda mais! Será cada vez mais completo e complexo. Pois você é uma das coisas da minha vida que posso dizer que faz parte do meu sonho! Portanto acordemos um para o outro, de modo a aparar as arestas, de modo a harmonizar as ideias, de modo a vencermos o cansaço, a resistirmos diante dos sentimentos que emergem quando começamos a fraquejar, diante de nós. Que acolhamos nossos defeitos, que resistindo possamos transformá-los em virtudes. E que resistamos ainda mais nas épocas em que novamente nos encontrarmos distantes um do outro. Não é falta de amor. É a tentativa de reformular outras coisas que existem em minha vida, que muitas vezes me impossibilitam de transcrever, de pensar conteúdos que realmente são pertinentes a nós dois.

De maneira singela termino este texto que representa a conclusão deste trabalho, destes anos na faculdade em que fui agraciado com os olhares de professores que dedicaram sua vida na busca do conhecimento e formação de alunos. A partir deste material serei convidado a discutir coisas que me tocaram diante deste grande tempo que tive sendo acolhido, desafiado e ouvido. Agradeço a oportunidade única que tive de viver em Pelotas estudando teatro. Que Deus me dê força para não ver meu aprendizado como um fim, mas que a cada dia eu consiga ver minha vida como um desafio, de modo a propor caminhos a nossos jovens, trazer a eles conhecimento para que os tornem livres, para que assim, através do teatro, se possa cada vez mais mudar o país e o mundo em que vivemos.

Que se tenha força, para vencer as próximas lutas, que hão de vir para cada um de nós! Coragem!





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