Universidade federal de pelotas



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5.2 O Distanciamento Próximo

Uma lembrança geral no curso Licenciatura em Teatro que marcou muito é o que hoje chamamos de “Distanciamento Próximo”. O que significa esta expressão? Ela refere-se ao comportamento percebido no curso anteriormente citado, observado em relação aos professores, de abarcar e compreender as dificuldades do aluno e seu modo de agir de maneira a educá-lo sem necessariamente ter que lhe ser explícito nas formas de educá-lo e ou mudar seu comportamento.

Essa maneira de agir, ou esta invenção linguística, criada por este autor, vem de modo a depositar fé na metodologia de observar os professores, é um procedimento muito bonito. Que antes de tudo age de forma a promover a confiança no desenvolvimento do aluno, sobre o que os professores representam a estes. O que é confiança?
Confiança é o resultado do conhecimento sobre alguém, da informação e de um sistema de inteligência. Quanto mais informações sobre quem necessitamos confiar, melhor formamos um conceito positivo da pessoa é o que Sun Tzu chama de confiança no desenvolvimento da guerra, sendo fundamental, para a sobrevivência do Estado o chamado Sistema Nacional de Inteligência. (SUN TZU, 2011).
O ensino torna-se muito mais difícil quando abdicamos de uma maneira de proceder baseada no intelecto e procuramos forjar os alunos baseados na ação. Para isto, devemos proceder de maneira complementar. O que observamos é que, às vezes, sinalizar o erro no comportamento do aluno não promove a mudança que esperamos, porém enquanto não descobrimos a maneira que vamos intervir no que deve ser mudado no aluno nos propomos a fortificar seu ego e o que ele já faz bem acaba por aumentar sua confiança e possibilita que ele esteja mais preparado para através do comportamento reavaliar-se e com o tempo mudar aquilo que se apresenta ainda reprovável ao olhar dos mestres.

Se acharmos que um(a) aluno(a) é preguiçoso e diante dos desafios propostos ele já não poderia apresentar determinada maneira ou qualidade no agir e nos desafios que lhe são propostos. Não digamos que ele é preguiçoso. Simplesmente, respiramos fundo, talvez sem que ele perceba diminuímos nossas expectativas de maneira aparente, procurando algo que ele faz bem e promovendo uma avaliação que lhe traga menos ansiedade mesmo que este se apresente ainda não interessado no objetivo formal do conteúdo, apresentamos, nestas pequenas vitórias e lhe trazemos confiança através do que este já faz bem.

Isto é, esta pequena observação diante de experiências teatrais não possui nenhum fundamento científico. Nem se pode pensar em como poderíamos fundamentá-la de maneira a apresentá-la como ferramenta existente no proceder dos professores em relação a seus alunos, uma vez que não somos, ainda, professores de fato e pouco refletimos o que deveria ser como aluno. Só percebemos na pouca experiência que temos com alunos que às vezes diluindo, descontraindo, ou aplicando analiticamente um proceder que poderia se mostrar mais complexo,conseguimos promover na sala de aula um sentimento mais otimista em relação a agregar conhecimento aos nossos alunos, do que de maneira maçante querermos que estes nos apresentem uma resposta mais complexa em relação ao solicitado, podendo assim se mostrar ineficiente em relação a nosso objetivo.

Se quiser que eles melhorem a expressão corporal e eles são tímidos, não os coloquemos a improvisar na frente de outros colegas, seria um desafio mais complexo. Eles teriam que entrar na cena sem ter ideia do que iriam dizer, teriam que se movimentar, criar um elo com este outro colega, apresentar a outros colegas e ainda por cima ao professor. O que fazer? Talvez, leva-los a exercitar movimentos através do método de Laban. Este trabalha com níveis e com possibilidades de o aluno se conhecer e por em prática desafios corporais e possibilidades expressivas de maneira menos preocupante a nossos alunos. Eles estariam cada um em determinado espaço da sala, desenhariam no chão o que seria sua frente, costas, lados, talvez também o que há entre esses lados e a partir de um processo mais voltado a si próprio desenvolveriam possibilidades corporais com partes de seu corpo, desafiando-se a exigir de si movimentos não reconhecidos no dia-a-dia de um indivíduo que não reflita sobre a expressão de seu corpo. Aqui não haveria outro colega, ele não seria assistido por seus colegas ele não se preocuparia em improvisar e sentiria muito pouco o professor o observando. Analisando os exercícios logo após, trabalhando outras exigências ele estaria mais preparado para ousar em exercícios onde o desafio e complexidade são maiores, se dermos mais atenção à tentativa de acompanhar cada aluno e suas pequenas vitórias, aparentemente distantes de seus processos, provavelmente começarão tensos, mas tais exercícios com o tempo trazem muita descontração àqueles que o realizam.

Estudemos, portanto, nossos alunos e, os conhecendo, proponhamos desafios que possam vencer e não coisas das quais tenham grande dificuldade, analisando, assim, cada aluno e criando as aulas de maneira a possibilitar pequenas vitórias estaremos trazendo otimismo em seus corações e não constrangimento que só trará mais e mais resistência ao exercício do fazer teatral.

Num processo mais intelectual, as descobertas tendem a ser cansativas para aqueles que já conhecem muitas coisas. É preciso, então, que mostremos novidades em relação aos assuntos já conhecidos por todos, maneiras novas de vê-los.

Já entrando de acordo com discussões e reflexões anteriores, queremos que façam algo por estarem sendo obrigados? Ou queremos que aprendam um ofício? É importante ensiná-los a amar a arte e quanto mais agirmos de maneira analítica mais poderão agregar responsabilidades a cada pequeno desafio que se apresenta no fazer teatral e que quando tivermos oportunidades de vê-los agindo de maneira total e completa no fazer teatral, observaremos que de fato valeu todo o tempo que tivemos encorajando-os enquanto “engatinhavam” neste grande desafio que o teatro nos apresenta.

Que de tempos em tempos possamos, cada vez mais, a partir da confiança, observarmos o quão além nossos alunos se colocarem a novos desafios. E que, se em alguns momentos se encontrarem inaptos a seguirem novos riscos, possamos estar preparados para observarmos e lhe darmos a sugestão correta, trazendo-lhes força e perseverança, para que consigam mais uma vez vencer suas lutas.E que um dia se possa realmente, já os sentindo preparados e com nossas lições introjetadas lançá-los rumo ao desconhecido libertando-os desta relação professor-aluno, convidá-los a conhecerem o que ainda é estranho a eles.






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