Universidade federal de pelotas



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4.1 O início
A reflexão deste trabalho com os alunos da turma 21, como mencionado, partiu de uma máxima que nos foi apresentada no curso de Licenciatura em Teatro da Universidade Federal de Pelotas, alguns anos antes de realizarmos a disciplina de Estágio I. Diante da maneira como procedeu ao acompanhamento da professora Fabiane Tejada Silveira, responsável pelo desenvolvimento pessoal deste autor na cadeira de Estágio I e pelo acompanhamento da professora responsável pela turma na qual trabalhamos, professora Valquíria, fomos acometidos, nos últimos dias, por esta lembrança: “Nada ensinar, nada aprender! Deixar crescer as próprias raízes.” Não encontramos em nossos cadernos antigos a anotação, pudemos, então, encontrá-la na internet. Lendo um trabalho de pós-graduação da Universidade Cândido Mendes, do Instituto de pesquisas sócio-pedagógicas, chamado: Arte-Educação: “Uma abordagem Social” de Inês Coelho Teixeira orientada pelo Prof. Marco A. Larosa (2003) que nos contextualizou sobre a observação lembrada e encontrada neste trabalho, na página 28:
Franz Cizek, arte educador que atuou em Viena na Virada do século, observando a paixão com que as crianças desenhavam em um muro em frente à sua sala, em Viena, Cizek incentivou-as a trabalhar, organizando-lhes aulas de arte. Seu empenho com crianças e o respeito que dedicava à sua expressão tornou-o conhecido como pai da arte infantil. Célebre por seu curso de “arte jovem”, introduzido em Viena em 1897 como escola privada e, em 1904, integrado à Escola de Artes e Ofícios, tinha como lema de ensino: ‘Nada ensinar, nada aprender! Deixar crescer as próprias raízes’.

Defensor da desescolarização da escola, causou espanto e sensação entre os educadores de então, sendo reconhecido em diversos congressos de Educação Artística (TEIXEIRA, 2003, p. 28). A reflexão neste texto está fortemente entrelaçada a esta primeira experiência em aula com aquelas crianças, onde ainda não são registrados o desenvolvimento individual, de cada aluno, como preponderante, para este seguir a outra turma na qual houvesse ascensão e maior complexidade didática em relação ao teatro, exigências para passar de ano, além de cobrança por parte dos professores no eixo ou matéria de aula relacionada às artes (ou mais propriamente ao teatro) o que acarretou uma maneira de pensar mais aberta, porém não abdicada de se ver submetida a uma procura sincera em tentar obedecer, ou compreender discussões relacionadas a avaliações futuras no teatro em escola,nos próximos anos: o que deverão saber para serem aprovados?

Além de notar a necessidade de tentarmos nos encontrar fortemente ligados às discussões teóricas, relacionadas com as próximas fases do teatro em sala de aula.Ao mesmo tempo em que há identificação com Franz Cizek, há a curiosidade em compreender e tentar aprender o que fazer para ser um bom professor.O que é preciso perceber e assinalar nas obras de nossos alunos para podermos delinear sua progressão intelectual rumo a um bom trabalho, uma boa desenvoltura relacionada às exigências do fazer teatral? Além de pessoalmente inseguros com como há de ser o futuro dos desafios do educador de teatro relacionado com o que haveremos de exigir de nossos alunos. Quais serão os métodos de avaliação? Quais capacidades serão exigidas para que sejam aprovados ao final do ano? Ficou um forte anseio em estudar como apresentar o teatro nas séries iniciais de modo que estes alunos adquiram prazer e disciplina em estudar teatro, sem se sentirem ainda cobrados. Nesta finalização de cadeira, deparamo-nos com a angústia de imaginar o que haverá de ser daqueles alunos que, talvez, não adquirindo prazer foco, seriedade, comprometimento, serão obrigados a desempenhar atividades e avaliados em uma matéria com a qual não se identificam que, de acordo com o que informalmente escutamos, poderá ser motivo de reprovações. Não deveria ser matéria obrigatória nos moldes das “disciplinas tradicionais” nos ensinos anteriores ao ensino superior. Mas se é? Como incutir-lhes já desde o início a importância do teatro, além da disciplina e prazer no fazer teatral? O estágio foi o início de uma série de discussões e avaliações sobre como há de ser apresentado o teatro para as crianças, de modo a podermos minimizar possíveis mazelas no futuro de nossos estudantes além de começar a compreendermos quais serão as exigências mínimas do desenvolvimento do teatro em escola e dos nossos alunos. Esperamos que, com esta aparente visão “descomprometida” com o crescimento das crianças na evolução de suas potencialidades teatrais, possa ver amadurecer em suas mentes e corações a paixão e rigor técnico que só o tempo e o estudo sério poderão os acometer. Que através de um começo amoroso e resiliente dos professores de teatro de séries iniciais, possamos vislumbrar, no futuro, com nossos alunos já mais velhos, a mesma seriedade e gravidade que todos nós temos em relação à aquisição do conhecimento, que observamos em outras matérias que compõe os anos do ensino brasileiro. Defendemos, no início deste texto, que as crianças possam ser mais crianças, às vezes no “andar” de seu desenvolvimento, porque esperamos poder acreditar que, apenas com paciência, retidão e administração de nossas frustrações enquanto professores é que poderemos, no momento certo, ver nossas crianças crescerem e, não mais regredindo. se tornarem “adultos mais adultos”,comprometidos com seu desenvolvimento, com seu íntimo e com as exigências atribuídas diante de seus novos desafios.




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