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CONSIDERAÇÕES FINAIS..............................................................................68 

REFERÊNCIAS.................................................................................................70 

ANEXOS 

Anexo 1: Pré-Teste............................................................................................72 

Anexo 2: Atividade de Análise da Movimentação do Sol...................................74 

Anexo 3: Pós 

–Teste..........................................................................................75 



 

 



INTRODUÇÃO 

 

 

Astronomia  é  um  tema  fascinante,  interessante,  presente  em  toda 

história da humanidade, sendo considerada a mais antiga de todas as ciências. 

Desde  os  povos  antigos  havia  medo,  admiração,  curiosidade  e  desejo  de 

compreender o Universo: sua origem, a movimentação dos astros e a duração 

dos  dias  e  das  noites.  O  homem  na  sua  evolução  notou  de  forma  regular  a 

ocorrência de vários fenômenos, como as estações do ano e a importância na 

plantação e produção de alimentos e a utilização de astros para orientação em 

viagens. A origem do calendário, a astrologia e algumas religiões têm influência 

direta  da  Astronomia.  O  instrumento  astronômico  mais  antigo  de  que  se  tem 

notícia é o gnonom que é uma haste colocada verticalmente sobre o solo e que 

através da sombra determina a posição do Sol 

Atualmente  com  as  modernas  técnicas  de  observação  e  vários 

telescópios  espalhados  pelo  mundo,

 

com  destaque  para  o  telescópio  orbital 



Hubble,  aumentaram  consideravelmente  nossos  conhecimentos  astronômicos 

e nossa compreensão sobre o Universo. Também os jornais e as novas mídias 

tratam este assunto, despertando nas pessoas a curiosidade pelas tecnologias 

espaciais ou acontecimentos astronômicos. Portanto Astronomia é um tema de 

contexto  atual  e  que  proporciona  o  pensar  cientificamente.  É  uma  área  do 

conhecimento  com  característica  multidisciplinar,  que  abrange  Física, 

Geografia, Matemática e Biologia, e envolve observações e níveis de abstração 

para a interpretação e aprendizagem de seus fenômenos. 

No  Brasil  a  Astronomia  é  divulgada  por  estabelecimentos 

(planetários,  observatórios,  museus,  associações,  institutos  e  clubes  de 

astronomia  amadora),  pela mídia  (revistas,  jornais, programas  de TV  e  rádio), 

por  materiais  didáticos  (softwares,  home  pages,  livros  didáticos  e 

paradidáticos).  Uma  novidade  desta  área  é  o  Acampamento  Espacial  (Space 

Camp),  promovido  pela  Acrux  Aerospace  Techologies  com  parceria  da 

Olimpíada  Brasileira  de  Astronomia  e  Aeronáutica  (OBAA),  mas  devido  aos 

custos, é restrito. Neste evento os jovens têm oportunidade de ter contato com 

novas  tecnologias  de  foguetes,  satélites,  automação  e  astronomia  através  de 

oficinas didáticas no período das férias. Para a maioria das escolas brasileiras 



 

 



se  destacam  as  OBAAs  e  os  Encontros  Regionais  de  Ensino  de  Astronomia 

(EREAs).  Nas  OBAAs  profissionais  de  Astronomia  e  Ciências  Aeronáuticas 

enviam para as escolas  participantes,  propostas de  atividades  práticas para o 

ensino  de  algum  fenômeno  ou  conceito  astronômico.  Assim  estudantes  do 

Ensino  Fundamental  (EF)  e  Ensino  Médio  (EM)  de  várias  escolas  públicas  ou 

privadas  de  todas  as  regiões  do  Brasil,  têm  chance  de  se  letrarem 

cientificamente  em  Astronomia.  Já  os  EREAs  nasceram  no  Ano  Internacional 

da  Astronomia  (2009)  e  acontecem  anualmente  em  várias  regiões  do  país, 

contando  com  a  participação  de  professores,  estudantes  de  graduação  e 

público em geral para divulgação de seus trabalhos na área da Astronomia  

O  ensino  de  Astronomia  na  educação  básica  está  a  cargo  de 

professores  licenciados  em  Pedagogia  e  em  Ciências  da  Natureza  (Física, 

Biologia e Geografia). Normalmente o ensino introdutório fica limitado às séries 

iniciais  do  EF,  nas  disciplinas  de  Ciências  e  Geografia,  os  temas  fazem 

referência aos planetas e ao movimento do Sol. No EM o tema habitualmente 

fica  sob  responsabilidade  do  professor  de  Física  que  trabalha  a  transição  do 

modelo  geocêntrico  para  o  heliocêntrico  e  gravitação  universal.  Não  raro  os 

professores têm dificuldades para abordar a Astronomia podendo ser devido a 

falhas gerais na sua formação teórica e desconhecimento de metodologias de 

ensino  adequadas  para  o  desenvolvimento  conceitual  do  aluno  ou  devido  a 

concepções  enraizadas  em  seus  pensamentos.  A  falta  de  tal  conhecimento 

científico  fica  evidente  quando  perguntas  advindas  dos  alunos  não  são 

respondidas  ou  não  há  abertura  para  discussões  e  faltam  argumentos  que 

satisfaçam  as  necessidades  daqueles.  Esta  incapacidade  pode  originar  no 

professor  um  sentimento  de  fracasso  pela  falta  de  domínio.  Para  driblar  tal 

dificuldade  o  docente  aborda  o  assunto  de  forma  rápida  apoiando-se  no  livro 

didático ou mesmo o desconsidera. 

Licenciada  em  Biologia  e  professora  de  Ciências  do  EF  da  rede 

pública,  tive  dificuldades  de  tratar  este  tema.  A  formação  universitária  de  um 

biólogo é deficiente devido à ausência de disciplinas que ofereçam uma carga 

horária específica voltada para a teoria e prática do ensino e aprendizagem de 

Astronomia. Na graduação o estudante de biologia  tem o percentual  de horas 

de instrumentação em Astronomia muito pequeno ou inexistente se comparado 

à formação de um estudante de física. Durante o curso de Ciências Biológicas 




 

 



pode haver a opção de cursar disciplinas optativas, não obrigatórias, ou o tema 

ficar  mesclado  em  outras  matérias  como  Geologia,  a  exemplo  da  minha 

formação.  Devido  a  vivencia  de  situações  semelhantes  às  supracitadas,  tanto 

como  aluna  do  EF,  quanto  professora  de  Ciências,  senti  a  necessidade  em 

participar de um curso para formação e investir numa prática educacional que 

interferisse  positivamente  no ensino  e aprendizado  dos alunos.  A participação 

do  Curso  de  Instrumentação  para  o  Ensino  de  Astronomia,  oferecido  no 

período  de  agosto  a  setembro  de  2011,  pelo  Centro  de  Ensino  de  Ciências  e 

Matemática  de  Minas  Gerais/Faculdade  de  Educação  -  Universidade  Federal 

de  Minas  Gerais  (CECIMIG/FaE/UFMG)  idealizou  o  foco  desta  monografia  de 

especialização:  trabalhar  de  forma  contextualizada  e  investigativa,  conteúdos 

relacionados ao eixo temático “Terra e Universo”, na disciplina de Ciências no 

Ensino  Fundamental  II  (SEE/MG).  O  objetivo  geral  da  pesquisa  consistiu  em 

analisar as  concepções  de  alunos  do  9º ano  do  EF,  utilizando  atividades  com 

abordagem investigativa para o ensino dos conteúdos de Astronomia nas aulas 

de Ciências. 

O  objetivo  dessa  pesquisa  consistiu  em  analisar  as  concepções  de 

alunos do 9º ano do EF sobre a trajetória do Sol na abóboda celeste, utilizando 

atividades  com  abordagem  investigativa.  Para  definir  essa  trajetória  será 

necessário definir os pontos cardeais verificando onde o Sol “nasce e se põe” e 

se tais pontos mudam ao longo do tempo. Além disso, deve-se verificar em que 

ponto da abóbada celeste o Sol se encontra ao meio dia e se esse ponto muda 

ao longo do ano. 

Alunos do EF, de modo geral, interessam-se bastante por este tema. 

Alguns  chegam  com  um  grande  repertório  de  idéias  sobre  fenômenos 

astronômicos. Desta forma as aulas que abordam o assunto podem ser muito 

interessantes  e  contar  com  maior  participação  e  dedicação  das  crianças  e 

adolescentes.  Não  raro,  alguns  alunos  gostam  de  testar  as  teorias  ensinadas 

na  sala  de  aula  e  as  compreender  no  seu  dia  a  dia,  como  a  formação  de 

sombras  sob  um  objeto  ao  meio  dia.  Este  espírito  científico  é  natural  do  ser 

humano e deve ser estimulado pelas aulas de Ciências. Lamentável se o aluno 

não  tiver  a  oportunidade  de  discutir  as  dúvidas,  pois  suas  conclusões  podem 

ser reduzidas a erros conceituais com efeitos inesperados e inadequados, em 

relação ao objetivo inicial do professor. As combinações podem ser inusitadas 




 

 



com  concepções  alternativas em diferentes contextos  (MORAIS e  ANDRADE, 

2010, p. 14). 

O  ensino  de  Astronomia  no  Brasil  é  modesto  não  apenas  nos 

currículos formais, mas também no ensino regular nas universidades e escolas. 

Langhi e Nardi (2009) dão uma visão panorâmica deste quadro em 2009: 

Educação  básica:  Escolas  de  educação  infantil,  ensino 

fundamental  e  ensino  médio, secretarias  de  educação  e 

documentos  oficiais:  PCNEF,  PCNEM,  PCN+,  OCEM, 

propostas  das  secretarias  estaduais,  etc.  Porém,  há 

fortes  componentes  pessoais,  pois  a  astronomia  se  fará 

presente nesta categoria se o professor se comprometer 

ensiná-la, uma vez que não há a obrigatoriedade. 

Graduação  e  pós-graduação:  São  3  institutos,  10 

universidades  públicas  e  1  particular,  com  seus  17 

grupos  de  pesquisa,  que  promovem  uma  educação 

formal  em  astronomia,  mediante  seus  cursos  (duas 

oferecem um curso de graduação em astronomia ( FRJ e 

USP),  disciplinas,  linhas de pesquisa em pós-graduação 

e  cursos  de  extensão  relacionados  com  o  tema  (não 

foram  contempladas  no  levantamento  as  universidades 

que oferecem disciplinas optativas de astronomia).(...)  

Extensão:  Cursos  culturais,  curta  de  duração,  formação 

continuada,  oficinas,  minicursos  em  eventos,  etc. 

Geralmente  oferecidos  pelas  poucas  universidades  na 

categoria acima.(...) (p.9) 

 

Nos  cursos  universitários  há  lacunas  quanto  à  instrumentação 



metodológica no ensino de Ciências/Astronomia, podendo prejudicar a atuação 

do professor junto aos alunos (LANGHI & NARDI, 2009). Existem articulações 

e ações da comunidade científica que levam em conta a formação continuada 

de  professores,  investindo  em  práticas  para  o  ensino  de  astronomia,  com 

cursos  de  extensão,  formação  continuada  e  especialização.  Os  EREAs  e  as 

OBAAs  também  têm  o  intuito  de  capacitar,  atualizar  e  motivar  os  professores 

responsáveis por este ensino. 

A Astronomia tem um forte apelo para o ensino de Ciências devido à 

grande componente motivacional. Os professores podem explorar melhor este 

assunto  em  suas  salas  de  aula,  fazendo  o  aluno  repensar  e  perceber  sua 

posição no espaço e no Universo. Para o ensino de Ciências da Natureza, os 

Parâmetros  Curriculares  Nacionais  (PCN)  (BRASIL,  1998,  p.  62)  consideram 

que  o  eixo  temático  “Terra  e  Universo”  tem  importância  social  e  relevância 

científico-tecnológica.  Esse  aprendizado  pode  oferecer  ao  aluno  uma 

compreensão de mundo e o desenvolvimento de habilidades para avaliação de 



10 

 

 



situações, o desenvolvimento da comunicação, tomadas de decisões e atuação 

positiva e crítica na sociedade. 

O  Currículo  Básico  Comum  (CBC)  (SEEMG,  2005,  p.  17-18), 

também  tem  como  diretriz  para  o  ensino  de  Ciências,  a  aprendizagem  de 

conceitos  através  de  um  ambiente  investigativo  e  dinâmico.  A  orientação 

pedagógica  para 

o  tópico  “Terra  no  Espaço”,  no  Centro  de  Referência  Virtual 

do Professor (SEEMG), o considera como  uma porta de

 

entrada a um grande 



número  de  outros  temas  da  educação,  em  ciências,  que  estarão  na  base  de 

conhecimentos  fundamentais  à  formação  de  uma  cultura  científica.  Dessa 

maneira há oportunidade dos estudantes serem inseridos nas práticas culturais 

da sociedade contemporânea. 

Levantamentos  bibliográficos  feitos  por  Langhi  e  Nardi  (2011) 

apontaram  uma  série  de  problemáticas  sobre  estudos  recentes  da  educação 

em  Astronomia,  como  seu  declínio  histórico  de  conteúdos  tanto  no  ensino 

básico como no superior; a propagação de concepções alternativas e mitos, a 

falta  da  prática  observacional,  a  subutilização  do  forte  componente 

motivacional  e  interdisciplinar  (falta  de  instrumentação  metodológica  e 

instrumental) e outros. 

No  Brasil,  em  tempos  anteriores,  a  astronomia 

possuía  uma  tradição  privilegiada  dentre  as  áreas 

nobres  do  conhecimento  humano,  mas  hoje  está 

relegada a uma posição menos do que secundária em 

relação  a  outras  muitas  áreas  do  saber  (LANGHI  E 

NARDI, 2009, p. 2) 

 

Pensar  em  um  ensino  de  Ciências  mais  efetivo  para  o  aluno  é 



repensar  sobre  as  concepções  que  o  professor  tem  sobre  a  natureza  do 

pensamento científico. Campos e Nigro (2009, p. 20-22) chamam atenção para 

o modo em que o professor tende em adotar o modelo de ensino tradicional, no 

qual  a  aprendizagem  se  dá  pela  transmissão-recepção  do  conhecimento  que 

está  nos  livros  didáticos.  A  prática  é  de  leitura  dos  “livros  de  conhecimentos 

científicos”  desconsiderando  o  conflito  cognitivo  dos  alunos.  Munford  e  Lima 

(2007, p.22) também chamam atenção para tal prática comum na maioria das 

escolas em que o professor faz anotações no quadro, seguidas de explicações 

e os estudantes ouvem e anotam dissertações sobre um determinado tópico de 

conteúdo.  Deste  modo  o  professor  tem  uma  abordagem  comunicativa 




11 

 

 



autoritária  com  suporte  teórico  no  livro  didático  e  os  alunos  ficam  confinados 

numa  postura  passiva  frente  ao  aprendizado.  Em  práticas  de  ensino  que 

adotam a  investigação  como metodologia,  os  alunos  são  envolvidos  de  forma 

ativa e participativa nas atividades, trabalhando por meio de problematizações 

com  orientação  científica,  fazendo  questionamentos  e  testando  suas  próprias 

hipóteses para a resolução de questões. 

termo  “investigação”  como  estratégia  para  o  ensino  de  ciências 



utilizado  no  Brasil  vem  da  tradução  do  termo  inquiry  ou  enquiry  de  países  de 

língua inglesa (ANDRADE, 2001, p. 122) e essa tática já é quase senso comum 

em países da América do Norte e da Europa (MUNFORD e LIMA,  p. 3). Uma 

participação  aberta  ao  diálogo  e  mais  argumentativa  e  que  dê  prioridade  às 

evidências,  torna  o  ensino  mais  efetivo,  sendo  o  aluno,  o  protagonista  da 

construção do seu conhecimento, elaborando suas próprias explicações. Além 

disso,  aproxima o aluno das produções científicas. A oportunidade de o aluno 

pensar, 


refletir, 

discutir, 

argumentar, 

perguntar 

mostrar 


dá 

ao 


trabalho/pesquisa  desenvolvido  por  ele,  uma  característica  científica.  As 

abordagens  investigativas  no  ensino  de  ciências  representam  um  modo  de 

trazer para a escola aspectos inerentes à prática dos cientistas (MUNFORD E 

LIMA; p. 6) (ANDRADE, 2001, p. 122) e de formar pessoas que pensem sobre 

os fenômenos do mundo de modo não superficial (CAMPOS E NIGRO, 2009, 

p.  24).  Tal  metodologia  leva  em  conta  as  concepções  e  experiências  prévias 

dos alunos, o que seleciona pontos de necessidade com significado e potencial 

para a reflexão sobre seu cotidiano. Segundo Morais e Andrade (2009): 

É importante que o professor conheça essas concepções 

para mobilizá-las e planejar oportunidades por meios das 

quais  possam  ser  reconhecidas  pelos  alunos  e  também 

desafiadas  de  maneira  explícita  e  intencional  pelos 

conceitos científicos (p.14) 

A metodologia  investigativa  para o estudo da movimentação  do Sol 

na  abóboda  celeste  e  orientação  geográfica  é  uma  alternativa  de  estratégia 

para  a  abordagem  de  conceitos  de  Ciências/Astronomia,  fazendo  relações 

entre  os  movimentos  da  Terra  e  do  Sol  para  descrever  fenômenos 

astronômicos  (duração  dos  dias  e  das  noites  e  estações  do  ano).  O  uso  do 

gnomon,  para  o  estudo  da  trajetória  do  Sol  na  abóboda  celeste,  requer  do 



12 

 

 



aluno  observação  e  nível  de  abstração  para  orientação  e  aprendizagem  de 

conceitos  dos  fenômenos  astronômicos  envolvidos.  Portanto,  demanda  do 

aluno  uma  postura  mais  ativa,  desafiadora  e  participativa.  O  desenvolvimento 

desta  atividade  amplia  habilidades  como  percepções,  interações  e  reflexões 

acerca  dos  fenômenos  astronômicos  trabalhados,  o  que  possibilita  uma 

conexão entre os conteúdos e conceitos formados e o entendimento do aluno 

como  parte  integrante  do  Universo.  Assim  estas  atividades  com  caráter 

investigativo  permitem  que  o  aluno  construa  ou  reconstrua  seu  conhecimento 

propiciando a aprendizagem e apropriação de conceitos. 

 




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