Universidade federal de campina grande centro de humanidade


 – Nos meandros da passagem de faixa: entre aspirações e ações



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1.2 – Nos meandros da passagem de faixa: entre aspirações e ações. 
O processo de escolha e sucessão da presidência costumava ser um jogo de cartas mais 
ou menos dadas. Afinal, esse era o modelo cesarista adotado pelos militares. Quiçá, o próprio 
Geisel  tinha  sido  diretamente  indicado  por  Médici  sem  mais  delongas  e  impedimentos. 
Todavia,  o  processo  de  transição  para  o  que  seria  o  último  dos  cinco  governos  do  regime 
militar contou com alguns núcleos de discordância. 
Segundo  Elio  Gaspari  (2016,  p.22),  Ernesto  Geisel  nutria  simpatia  por  Figueiredo 
desde  o  inicio  de  seu  governo  e  já  o  via  como  potencial  candidato  a  assumir  seu  posto  na 
presidência, apesar de também haver cogitado nomes de alguns civis como  os  governadores 
Paulo Egydio Martins, de São Paulo e Aureliano Chaves, de Minas Gerais
68
. Com o passar do 
tempo  a  ideia  foi  amadurecendo  mais  e  mais,  até  se  tornar  sabida  por  vários  militares  nas 
forças armadas.  
Nisso, o general e ministro do Exército Sylvio Frota, um linha dura e coadjuvante da 
abertura  que  combatia  com  fervor  inebriante  o  comunismo,  começa  a  se  autoprojetar  à 
candidatura  da  presidência  pelo  partido  dos  militares  –  mesmo  contra  os  desejos  de  Geisel. 
Muitos  dentro  da  própria  cúpula  militar  o  viam  como  um  retrocesso  para  a  distensão.  Ele 
                                                             
68
 O que o fez rapidamente desistir desta ideia está ligado ao constante fracasso político do ARENA iniciado em 
1974, quando vai perdendo espaço para o MDB – portanto optar por civis indicava inviabilidade e risco. 


51
 
insistiu mesmo assim. O resultado? Sua exoneração em 1977 por tamanha insistência em ir de 
encontro ao presidente
69

Outro  pretenso  personagem  que  articulava  uma  possível  sucessão  de  Geisel  era  o 
Chefe do gabinete militar, Hugo Abreu, que comandou o caso da demissão de Frota. Acabou 
deixando o cargo em 1978 por discordar da indicação de João Batista Figueiredo.
70
 Passando 
a adotar posição anti governista, Hugo deu apoio a outro nome que surgia dentro da própria 
Arena mesmo sendo civil. Este era o senador José de Magalhães Pinto passando a percorrer o 
país  em  prol  de  sua  campanha  e  iniciando,  nesse  mesmo  período,  um  movimento  para  a 
formação  da  Frente  Nacional  de  Redemocratização,  que  reuniria  setores  civis  e  militares 
dissidentes. A candidatura de Magalhães Pinto, todavia, ficou isolada em seu próprio partido, 
não conseguindo a adesão das forças oposicionistas. 
João  Baptista  Figueiredo,  por  outro  lado  era,  a  nível  ministerial,  a  pessoa  com  mais 
tempo  de  serviço acumulado  no  gabinete  presidencial. Em  seu  vasto  tempo à  frente  do  SNI 
como chefe deste órgão, até o ano de 1976, ele havia acumulado grande tempo de experiência 
e contato direto com os generais presidentes, além de controle do vital sistema de inteligência. 
Portanto,  se  torna  visível  que  sua  atuação  desde  os  anos  iniciais  do  regime  no  serviço  de 
inteligência eram mais trabalhos de gabinete e protocolares que o afastava quase por completo 
da  vivência  dos  quartéis.  Empecilhos  para  sua  posse  existiam,  mas  não  foram  considerados 
fatores  preocupantes.  O  sexagenário  possuía  alguns  problemas  de  saúde  que  volta  e  meia  o 
atarantavam,  como  seu  problema  de coluna  que  já  havia  resultado  em cirurgia  devido  à  sua 
paixão pelo hipismo; era cardiopata  e, inclusive, ainda enfartaria no futuro durante a gestão. 
Outro  ponto  era  o  fato  de  Figueiredo  ser  general  três  estrelas
71
,  quando  todos  os  outros 
presidentes  possuíam  quatro  estrelas,  mas  essa  pequena  diferença  de  patente  não  serviu  de 
pretexto para Geisel o tirar do topo de sua lista. 
Apesar do período de transformação que se passava, o pensamento das forças armadas 
ainda  era  um  bloco  monolítico  com  relação  a  uma  série  de  coisas.  A  nomenclatura  do 
                                                             
69
 Frota saiu com rancor e se sentindo apunhalado e traído por sua própria corporação. Entre os anos de 1978 e 
1981 escreve seu livro de memórias. Cf. FROTA, Sylvio. Ideais Traídos.  – 2ª Ed. – Rio de Janeiro: Jorge Zahar 
Ed., 2006. 
70
 Para isto Hugo destaca não unanimidade em torno do nome de Figueiredo para a sucessão presidencial (o que 
seria essencial), além de uma queda hierárquica, já que o general Figueiredo possuía 3 estrelas e não 4. Portanto, 
Hugo  irá  indicar  nomes  como  o  do  Gen.  Reynaldo,  Gen.  Samuel,  Gen.  Euler,  Gen.  Bethlem,  o  Ministro  Ney 
Braga e o governador de Minas Gerais, Aureliano Chaves – enfatizando que a escolha de um civil para o cargo 
da presidência teria muito boa aceitação entre as forças armadas. Para ver o documento completo datilogrado e 
digitalizado: 
http://arquivosdaditadura.com.br/documento/galeria/os-candidatos-segundo-hugo-abreu#pagina-4
  
71
 Existem três patentes de general em ordem de importância de acordo com a quantidade de estrelas (começando 
a partir de 2 estrelas): General de Brigada (2 estrelas), General de Divisão (3 estrelas) e General de Exército (4 
estrelas). 


52
 
movimento  de  1964  permanecia  para  eles  uma  “Revolução”,  e  se,  porventura,  chamado  de 
golpe  era  prontamente considerada  uma atitude  contestadora e,  por  conseguinte,  subversiva. 
Qualquer divergência ou crítica com qualquer atitude do regime a partir de 30 de abril era um 
ultraje  à  revolução  e  um  ato,  também,  de  subversão.  A  oposição  aceitável  era  aquela  se 
prostrava em reverência. O MDB ainda dera para Geisel certa preocupação. O que o partido 
tinha de oposição aceitável, também tinha de oposição “ferrenha e desregrada” vinda de ex-
membros do PCB que haviam se refugiado no partido para travar uma luta  política contra o 
partido da caserna, o ARENA. Entretanto, isso era problema que seria passado adiante para a 
alçada de João Figueiredo. Nesse contexto político o regime dava claramente distinções entre 
o que era uma “oposição consentida”, “oposição de contestação” ou “subversiva” com base 
nos  próprios  instrumentos  previsto  pela  legalidade,  como  a  Lei  de  Segurança  Nacional, 
apontando  indiretamente  para  o  caminho  que  a  abertura  deveria  trilhar  (MACIEL,  2014, 
p.275). 
Ernesto Geisel havia lidado com o radicalismo exacerbado de Frota, mas não deu cabo 
dos demais radicais avessos ao rumo que a “revolução” tomava. A saída de  Frota só serviu 
para  tirar  a  pedra  do  sapado  do  presidente  que  não  queria  ninguém  se  opondo  a  sua 
peremptória  escolha  de  sucessão  –  afinal,  dentro  dos  dogmas  militares  isso  beirava  a 
insubordinação e insurreição. No mais, todos os outros “Frotas”, adeptos da permanência do 
regime  em  uma  linha  dura,  continuaram  pelos  quartéis  e  gabinetes  articulando  “tenebrosas 
transações”. A distensão foi assim um caminho tortuoso e cheio de ambiguidades. Enquanto 
alguns sintomas da abertura eram sentidos aqui e ali, uma contramedida surgia ou algo que se 
opusesse.  As  mudanças  mais  significativas  foram  deixadas  para  o  final  de  sua  presidência, 
entregando  o  porvir  nas  mãos  daquele  que  seria  o  responsável  por  gerar  a  reabertura  e 
encaminhar o regime para um fim que aparentava não chegar nunca. 
Apesar de se dizer um governante que não gostava de tortura e sanguinolência, nada 
fez  para  dar  cabo  dos  centros  de  tortura dos  DOI  –  provavelmente  por  achar  que eles  ainda 
tinham  algum  dever  a  cumprir.  O  governo  Geisel  foi  conhecido  por  ter  um  dos  maiores 
números  de  “desaparecidos”  além  de  ter  marcado  os  massacres  contra  membros  do  PCB  e 
PCdoB
72
. Tentou também reverter o quadro eletivo, recorrendo a artifícios que permitissem a 
                                                             
72
 Basta lembrarmos-nos do fatídico massacre da lapa em 16 de dezembro de 1976, onde membros e dirigentes 
do PCdoB foram mortos numa reunião. 


53
 
maioria  do  pleito  composta  por  arenistas  através  do  “Pacote  de  abril”  e  a  profusão  de 
senadores biônicos para assegurar o controle da ARENA no congresso nacional.
73
 
Outro exemplo, foi o grande trunfo da imprensa com o fim da cesura prévia, em 8 de 
junho  de  1978,  que  foi  parcialmente  suspensa.  Por  outro  lado  o  fim  do  governo  Geisel  foi 
marcado  por  uma  série  de  explosões  à  bomba  em  sedes  de  jornais  –  principalmente  os  de 
oposição  que  teciam críticas  mais  severas  ao  regime  –  realizados  por  militares  descontentes 
com o processo de reabertura. 
O  tão  desejado  fim  do  AI-5  finalmente  foi  promulgado  através  da  emenda 
constitucional  nº  11,  no  dia  13  de  outubro  de  1978,  cujo  artigo  3º  revogava  todos  os  atos 
institucionais  e  complementares  que  fossem  contrários  à  Constituição  Federal
74
.  De  acordo 
com  o  artigo  4º,  a  emenda  entraria  em  vigor  apenas  a  partir  do  dia  1  de  janeiro  de  1979. 
Acompanhada da emenda que dava fim aos atos institucionais, vinha junto a  Lei 6.620, de 17 
de  dezembro  de  1978,  que  abrandava  a  Lei  de  Segurança  Nacional  se  comparada  às  suas 
versões anteriores
75
. O tempero que a Guerra Fria deixava seu gosto amargo em vários dos 55 
artigos  da  lei  de  segurança  de  forma  visível
76
  -  principalmente  os  artigos  do  capítulo  II, 
concernentes  aos  crimes  e  penas.  O  abrandamento  não  fora  substancial,  mas  produzira  no 
mínimo um efeito placebo calmante. Como veremos adiante, o artigo 42, por exemplo, ainda 
preservava boa parte da rigidez do regime e delimitava os limites da “distensão lenta gradual e 
segura” de Geisel: 
Art. 42 - Fazer propaganda subversiva: 
 I  -  utilizando-se  de  quaisquer  meios  de  comunicação  social,  tais  como  jornais, 
revistas,  periódicos,  livros,  boletins,  panfletos,  rádio,  televisão,  cinema,  teatro  e 
congêneres,  como  veículos  de  propaganda  de  guerra  psicológica  adversa  ou  de 
guerra revolucionária ou subversiva; 
II - aliciando pessoas nos locais de trabalho ou ensino; 
III - realizando comício, reunião pública, desfile ou passeata; 
IV - realizando greve proibida; 
                                                             
73
 Apesar de terem conseguido uma maioria esmagadora de candidatos eleitos (muitos de forma indireta), ainda 
assim os candidatos do MDB conseguiram mais votos diretos.  
74
 “Art. 3º - São revogados os Atos institucionais e complementares, no que contrariarem a Constituição Federal, 
ressalvados os efeitos dos atos praticados com bases neles, os quais estão excluídos de apreciação judicial.” 
75
 O Brasil teve diversas versões da Lei de Segurança Nacional. Sua primeira é de 1935, surgindo com Vargas. 
Suas alterações mais drásticas e severas vieram através de dois decretos-lei: o decreto-lei 314, de 13 de março de 
1967  que  transformava em  legislação a  doutrina  de Segurança Nacional, que  se tornara  fundamento do Estado 
após o Golpe Militar de 1964 e o decreto-lei 898, de 29 de setembro de 1969. 
76
  Para  ver  detalhadamente  cada  um  dos  55  artigos,  acessar: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1970-
1979/L6620impressao.htm
  


54
 
V  -  injuriando, caluniando ou  difamando quando o ofendido  for órgão ou entidade 
que exerça autoridade pública, ou funcionário, em razão de suas atribuições; 
VI - manifestando solidariedade a qualquer dos atos previstos nos itens anteriores. 
Como podemos observar, o conceito vago e vertiginoso de subversão ainda  colocava 
vários indivíduos na mira dos militares por motivos questionáveis e imprecisos. 
 
A  trancos  e  barrancos,  as  expectativas  dos  brasileiros  para  o  ano  de  1979  eram 
otimistas. O último passo agora rumo à transferência de poderes seria a eleição (indireta) para 
decidir  quem  receberia  a  faixa  de  presidente.  Como  sabemos,  o  preferido  de  Geisel  para 
assumir  o  seu  cargo  era  João  Baptista  Figueiredo,  mas  do  outro  lado  havia  o  general  Euler 
Bentes  que  tentava  se  articular  para  disputar  com  ele.  Diferente  de  Frota,  Euler  não  queria 
bater  de  frente  com  Geisel  para  forçá-lo a  mudar  de  ideia  no  apoio  à  candidatura;  ele  sabia 
que  não  havia  o  que  ser  feito  quanto  à  preferência  por  Figueiredo.  Sendo  assim,  ele  tentou 
conquistar apoio do MDB para lançar sua candidatura pelo partido da oposição. A cúpula do 
MDB, todavia, se mostrou arisca já que Ulysses  Guimarães não  simpatizava com a ideia de 
um  candidato  militar  para  o  partido.  Convencê-lo  seria  apenas  o  primeiro  desafio;  ele ainda 
precisava  de  apoio  no  núcleo  militar  suficiente  para  gerar  uma  cisão  nos  votos  da  ARENA 
pertencentes  a  Figueiredo.  Euler  acaba  conseguindo  ingressar  no  MDB,  concorrendo  à 
presidência como oposição ao partido da caserna e num último esforço para conseguir dividir 
os votos dentro das forças armadas e ganhar mais apoio, o general Hugo Abreu – que apoiava 
e colaborava com Euler na campanha  – redigiu uma carta que foi enviada para 120 oficiais, 
contendo  ácidas  críticas,  denúncias  de  corrupção  contra  o  governo,  apontando  nomes  de 
empresas e envolvimento ilícitos de militares com algumas delas e ainda sua indignação com 
a  espionagem  telefônica  do  SNI  que  não  deixava  escapar  nem  generais  (como  era  o  caso 
dele).  O  resultado  final  foi:  a  prisão  de  Hugo  Abreu  por  20  dias,  suas  cartas  não  tiveram  o 
efeito desejado e, no dia 15 de outubro, o resultado da votação é: 355 votos para João Batista 
Figueiredo e 226 para Euler Bentes (GASPARI, p.106-108).  
No  dia  15  de  março  de  1979  ocorre  a  última  passagem  de  faixa  presidencial  da 
ditadura militar. Geisel iria para a reserva e aproveitaria a aposentadoria numa bela casa que 
construirá em Teresópolis, longe dos acontecimentos bombásticos e explosivos que estavam 
porvir. 
 
O discurso de posse do novo presidente se imbui de odes à democracia. O mote central 
é  uníssono:  não  descansarei  até  estar  plenamente  assegurado  -  sem  sobressaltos  -  o  gozo  de 


55
 
todos os direitos do homem e do cidadão inscritos na Constituição.
77
 "Reafirmo o meu gesto: 
a  mão  estendida  em  conciliação"
78
.  "Reafirmo:  é  meu  propósito  inabalável  (...)  fazer  deste 
País uma democracia."
79
 Já em um ritmo de certa positividade criada pelos últimos rastros de 
Geisel  citados  anteriormente,  a  fala  de  Figueiredo  acrescia  os  ânimos  e  fazia  muitos 
enxergarem um feixe de luz no fim de um sombrio túnel – principalmente quando boa parte 
da  América  latina  se  via  agonizando  com  governos  ditatoriais  no  Chile,  Uruguai,  Paraguai, 
Argentina  e  Bolívia,  em  que  seus  líderes  não  tinham  o  mínimo  de  interesse  em  abrir  coisa 
alguma.  Mas  em  meio  a  toda  a  possível  animosidade  gerada  pelas  frases  de  efeito,  o  novo 
presidente falaria algo que certamente também deixaria muita gente de orelha em pé: “é para 
abrir  mesmo  e  quem  não  quiser  que  abra,  eu  prendo  e  arrebento”.
80
  A  frase  era  um  pouco 
ambígua,  mas  se  Figueiredo  prometera  prender  quem  fosse  contra  seu  processo,  o  fez  de 
forma bastante parcial em vários momentos.
81
 
 
Nos idos do ano de 1979 mais duas importantes revogações irão acalentar esperanças: 
enfim a tão discutida anistia e o fim da lei 477. 
 
No dia 28 de agosto de 1979, é decretada a lei 6.683
82
. O primeiro artigo por si só já 
deixava claro a decisão dos militares resultada de inúmeras discussões: a anistia seria ampla e 
irrestrita, mas apenas para os próprios militares
83
:  
Art.  1º  É  concedida  anistia  a  todos  quantos,  no  período  compreendido  entre  02  de 
setembro  de  1961  e  15  de  agosto  de  1979,  cometeram  crimes  políticos  ou  conexo 
com estes, crimes eleitorais, aos que tiveram seus direitos políticos suspensos e aos 
servidores  da  Administração  Direta  e  Indireta,  de  fundações  vinculadas  ao  poder 
público,  aos  Servidores  dos  Poderes  Legislativo  e  Judiciário,  aos  Militares  e  aos 
dirigentes  e  representantes  sindicais,  punidos  com  fundamento  em  Atos 
Institucionais e Complementares. 
         § 1º  - Consideram-se  conexos, para efeito deste artigo, os crimes de qualquer 
natureza relacionados com crimes políticos ou praticados por motivação política. 
         §  2º  -  Excetuam-se  dos  benefícios  da  anistia  os  que  foram  condenados  pela 
prática de crimes de terrorismo, assalto, seqüestro e atentado pessoal. 
                                                             
77
 Democracia – reafirma Figueiredo. Folha de S.Paulo. São Paulo. 16 de março de 1979. 
78
 IBIDEM. 
79
 IBIDEM. 
80
 Figueiredo Eleito oferece a conciliação. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, p.01, 16/10/1978. 
81
 E como veremos, não foram pouco as tentativas de refrear este processo com atos vindos das próprias forças 
armadas ou policiais. 
82
 Para ver a lei por completo, acessar: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6683.htm
  
83
  Todos  os  civis  que  haviam  sido  enquadrados  em  atos  de  “terrorismo,  assalto,  sequestro  e  atentado  pessoal” 
como diz o parágrafo 2º do art. 1º ainda continuaram presos cumprindo pena. Por outro lado, seus torturadores 
continuavam desfrutando de total liberdade e proteção judicial. 


56
 
Até aquela altura: 1.088 cidadãos e três ex-presidentes tiveram seus direitos políticos 
suspendidos  e/ou  seus  mandatos  cassados;  3.215  civis  haviam  sido  afastados  do  serviço 
público  –  inclusive  ministros;  1.387  militares  foram  desativados  por  serem  contrários  ao 
projeto  do  regime;  125  pessoas  banidas  do  país  (fora  milhares  exilados,  por  precaução  ou 
fugidos);  11.000  pessoas  condenadas;  outras  dezenas  de  milhares  encarceradas  (GASPARI, 
2016, p.83-84). Tudo isso num período de 14 anos. A lei gerava alguma polêmica. O debate já 
era feito nas esferas civis desde 1975 com o Movimento Feminino Pela Anistia (MFPA), em 
São  Paulo,  e  logo  após  o  Comitê  Brasileiro  pela  Anistia,  suscitado  pelo  próprio  MDB  em 
parceria com outros militantes políticos clandestinos. Para alguns setores das forças armadas 
gerara  celeuma.  Os  militares  mais  rígidos  não  viam  com  bons  olhos  desde  o  início  da 
proposição, alegando que era um absurdo pôr em liberdade todos os terroristas, subversivos e 
comunistas. Seria jogar todo o trabalho principal pelo ralo. O próprio Figueiredo não gostava 
de  ideia  de  anistiar  os  responsáveis  por  assalto  a  bancos,  que  tivessem  sequestrado  ou 
assassinado. Por outro lado, para os civis críticos ao regime era um absurdo que torturadores e 
assassinos das forças armadas e das forças policias não fossem punidos por tamanhos crimes. 
Outra boa notícia do hall de revogações foi o fim do decreto-lei nº477
84
, criado em 26 
de fevereiro de 1969 e extinto em agosto de 1979. Nela constava: 
Art 1º Comete infração disciplinar o professor, aluno, funcionário ou empregado de 
estabelecimento de ensino público ou particular que:  
I  -  Alicie  ou  incite  à  deflagração  de  movimento  que  tenha  por  finalidade  a 
paralisação de atividade escolar ou participe nesse movimento;  
II  -  Atente  contra  pessoas  ou  bens  tanto  em  prédio  ou  instalações,  de  qualquer 
natureza, dentro de estabelecimentos de ensino, como fora dêle;  
III  -  Pratique  atos destinados à organização de  movimentos subversivos, passeatas, 
desfiles ou comícios não autorizados, ou dêle participe;  
IV  -  Conduza  ou  realize,  confeccione,  imprima,  tenha  em  depósito,  distribua 
material subversivo de qualquer natureza;  
V  -  Seqüestre ou  mantenha  em  cárcere  privado  diretor,  membro  de  corpo  docente, 
funcionário  ou  empregado  de  estabelecimento  de  ensino,  agente  de  autoridade  ou 
aluno;  
VI - Use dependência ou recinto escolar para fins de subversão ou para praticar ato 
contrário à moral ou à ordem pública.  


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