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1 INTRODUÇÃO 
 
A  escrita  recebeu  diferentes  suportes  ao  longo  da  história.  Se  na  antiguidade, 
especialmente  na  Idade  Média,  os  registros  eram  feitos  em  rolos,  tempos  depois  isso  ocorre 
em  outro  formato,  o  códex.  Com  Gutenberg,  o  objeto  denominado  livro  torna-se  popular  e 
difunde  a  escrita,  revolucionando  o  modo  de  ler:  de  uma  leitura  necessariamente  oral  e 
limitada a uma leitura – também necessariamente – silenciosa e em grande quantidade. Dessa 
forma,  o  desenvolvimento  tecnológico  modificou  os  modos  de  produção,  de  circulação  e  de 
leitura de um texto e, com o surgimento das novas tecnologias de informação e comunicação, 
tais  alterações  tornaram-se  ainda  mais  profundas,  influenciando  até  mesmo  a  produção 
literária.  
A  partir  de  inovações  instauradas  pela  tecnologia,  textos  tradicionais  da  cultura 
impressa podem ser digitalizados e compor bibliotecas virtuais. Do mesmo modo, textos com 
caráter literário são feitos em meio eletrônico para nele também serem lidos, utilizando com 
frequência uma linguagem híbrida, caracterizada pelo hipertexto e pela hipermídia. Com isso, 
a produção literária não só encontra nos dispositivos eletrônicos um novo modo de produção e 
suporte  textual,  mas  também  uma  nova  linguagem,  a  informática,  como  mecanismo  de 
potencialização do próprio texto. Tais relações na criação textual resultam em uma literatura 
feita de bits, que, entre outras denominações, é designada como literatura eletrônica ou digital.  
A  literatura  eletrônica  ou  digital  se  abre  a  vários  públicos,  inclusive  o  infantil, 
tornando o texto ainda mais lúdico e envolvente, seja pelo uso de recursos sonoros e cinéticos, 
ou ainda, pelo próprio suporte em que se encontra, ou seja, smartphonetablet, computador – 
dispositivos pelos quais os jovens se sentem atraídos. De um modo geral, é possível dizer que, 
junto a essa nova manifestação literária, emergem profundas alterações para uma literatura, a 
infantil,  iniciada  há  tão  pouco  tempo,  no  século  XVII,  quando  a  criança  começou  a  ser 
compreendida como um  ser diferente do adulto, com necessidades e características próprias. 
Se considerarmos o contexto nacional, ainda é necessário ressaltar que a literatura destinada à 
infância  é  ainda  mais  recente,  com  o  início  datado  entre  os  séculos  XIX  e  XX.  Os  textos 
direcionados  à  criança  não  desfrutaram  de  prestígio,  constituindo  um  conjunto  de  menor 
importância que, gradativamente, conquistou o interesse da crítica e dos pesquisadores. 
Firmando uma preocupação tanto com o conteúdo quanto com a apresentação gráfica, 
o livro literário destinado à infância passa a receber novas configurações que o diferenciam do 
livro dirigido ao adulto, tais como cores, ilustrações e formatos interativos. Entre os suportes, 


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inclui-se  o  eletrônico,  no  qual  a  criança  tem  acesso  a  um  texto  totalmente  fluido  e,  quando 
conectado  em  rede,  desterritorializado  e,  não  raro,  gratuito.  Nesse  curso,  a  estaticidade  do 
texto impresso é suplantada pelo movimento inaugurado pelo cinema. 
Essa  relação  do  leitor  infantil  com  o  texto  digital  desperta,  entretanto,  algumas 
indagações,  tais  como:  qual  a  literatura  infantil  que  circula  no  ciberespaço?  O  leitor  dessa 
nova literatura abstrai os abundantes elementos veiculados pela hipermídia e pelos hipertextos 
que  a  compõem  ou  simplesmente  se  distrai,  deambulando  por  seu  labirinto  intersemiótico? 
São questões que não incitam especulações em torno da permanência ou desaparecimento do 
objeto livro, mas que abrem a discussão sobre as mudanças que a revolução digital provocou 
–  provoca  e  provocará  –  no  texto  direcionado  à  criança  e  na  sua  recepção,  enfim,  no 
surgimento  de  um  espaço  digital  para  a  literatura  infantil.  Um  ambiente  que  é  denominado 
neste  trabalho  como  ciberespacinho,  em  alusão  a  um  dos  hipertextos  do  site  da  escritora  e 
ilustradora Angela Lago e à literatura eletrônica infantil, ou seja, aquela produzida no e para o 
suporte eletrônico. Assim, esta pesquisa se refere ao texto em um aspecto duplamente virtual 
–  tanto  informático  quanto  potencial  –,  enquanto  uma  escrita  eletrônica  que  concentra  os 
efeitos encapsulados pelo autor e deixados à espera do leitor para que, finalmente, aconteça a 
atualização  –  (re)  significação  –  por  meio  da  leitura.  Nesse  sentido,  tem-se  a  presente 
proposta  de  pesquisa  Literatura  eletrônica  infantil:  da  virtualização  à  atualização  no 
ciberespacinho
Dessa forma, esta pesquisa tomou como ponto de partida, duas manifestações literárias 
bastante contemporâneas: uma por muito tempo designada como literatura menor, a literatura 
infantil, e outra ainda com ares vanguardistas, a literatura eletrônica. Extraindo uma unidade 
dessa  somatória,  tem-se  enquanto  objeto  de  estudo  a  literatura  eletrônica  infantil  e  a  sua 
recepção. Esta pesquisa busca, portanto, oferecer mais uma contribuição para a compreensão 
da relação estabelecida entre o leitor e o texto.  
 
 

  Problema 
 
A problemática escolhida para a discussão neste estudo consiste na seguinte questão: 
de que forma as tecnologias de informação e comunicação modificaram a leitura significativa 
e a produção literária destinada à infância? 
 


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  Hipótese 
 
A  tecnologia  digital  trouxe  profundas  alterações  para  o  suporte  textual  e  para  a 
linguagem, especialmente a partir do hipertexto e da hipermídia, tornando ainda mais lúdicos 
e intersemióticos alguns textos destinados ao público infantil. Isso, consequentemente, oferece 
novos modos de leitura que, para serem significativos, exigem um leitor atento e atuante. 



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