Universidade do Estado do Pará Centro de Ciências Sociais e da Educação Programa de Pós-Graduação em Educação


parte do perfil dos educadores, e, que não pode estar desatrelado do processo de



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parte do perfil dos educadores, e, que não pode estar desatrelado do processo de 
pesquisa, caso contrário, poderemos nos ver enredados em ações mecanizadas.  
Esse  misto  de  emoções  que  tem  lugar  e  cabe  na  pesquisa  acadêmica,  ao 
contrário  do  que  muitos  podem  pensar,  dão  mais  sabor  à  trajetória  e, 
consequentemente,  mais  significado  à  ação  de  pesquisar.  Deu  materialidade  as 
convicções  educacionais  e  abriu  novas  perspectivas  que  se  inserem  nas  práticas 
que  tenho  construído  e  das  quais  participo.  Em  práticas  formais  ou  informais, 
estamos sempre no exercício de educar e ser educado.  
A  dimensão  histórica  que  atravessa  a  presente  dissertação  e  inicia  a  partir 
da  análise  da  educação  de  jovens  e  adulto  no  contexto  da  educação  popular 
movimenta-se  entre  a  análise  dos  principais  marcos  da  história  da  EJA  e  a 
contribuição  decisiva  da  educação  popular na  EJA,  a  partir  de 1960,  quando  este 
movimento eclode a partir das práticas do educador Paulo Freire. O traço histórico 
foi de estrema relevância para compreendermos na etapa de análise o quanto ele 
determinou  o  tempo  das  histórias  de  vida  dos  educandos,  em  seus  locais  de 
origem a partir das dinâmicas sociais e de sobrevivência de suas famílias.  
 
 


210 
 
A  marca  histórica  presente  na  dissertação,  também,  nos  ajudaram  a 
compreender a dialética da tensão inclusão/exclusão, que tem seu eixo de fusão na 
ideologia  do  capital.  Isto  ficou  claro  a  partir  da  diversidade  dos  perfis  dos 
educandos  apresentados  que  nos  revelaram  contextos  da  educação  especial,  da 
educação ribeirinha e da educação do campo.  
Ao  redimensionarmos  a  análise  para  a  fala  dos  educandos,  priorizando  as 
relações que se dão entre alfabetizandos jovens e adultos, educação popular e as 
autoimagens, vimos emergir tanto nas falas quanto nas análises, fatores subjetivos 
e  intersubjetivos,  que  compõem  grande  parte  das  estruturas  relacionadas  à  ação 
de  aprender,  mas  que  nem  a  maioria  das  escolas  como  instituição  formal  do 
aprender, nem a maioria das universidades, que constituem o núcleo de formação 
dos educadores, priorizam em seu processo de formação.  
As  autoimagens,  resultado  que  são  das  identidades  individuais  e  coletivas, 
pressupostas e produzidas por seres humanos, vem compor este cenário à medida 
que  traz  concretamente  nas  falas  dos  sujeitos,  educandos  e  educadores,  a 
multiplicidade de fatores engendrados na ação pedagógica e que constituem, à luz 
da psicologia social, comportamentos, sentimentos e atitudes que devem ser, como 
vimos durante o estudo, analisados na compreensão de sua origem. 
As histórias de negação, resultado que são do processo de exclusão a partir 
da  negação  de  seus  direitos,  protagonizadas  pelos  educandos,  que  vivenciam  e 
vivenciaram  durante  sua  trajetória  de  vida,  corporificam  os  estudos  aqui  tratados, 
na  medida  em  que  nos  fazem  refletir  sobre  o  papel  da  autoimagem  para  a  vida 
hu
mana e os “fazeres” de toda ordem, que nós, seres humanos estamos fadados a 
realizar.  Portanto,  como  humanos  que  somos,  nascemos  para  aprender,  realizar, 
produzir  e  também  para  estabelecer  na  relação  com  o  “eu”  e  com  o  “outro”, 
identidades que reflitam autoimagens positivas. 
O  estabelecimento  do  vínculo  entre  ação  pedagógica  e  autoimagem  não 
poderia,  portanto,  ocorrer  de  forma  aleatória,  sem  que  estivesse  profundamente 
engajado  a  uma  concepção  de  educação,  que  levasse  em  conta  fatores 
profundamente  humanistas,  como  é  o  caso  da  educação  popular,  construída, 
política, histórica, social e culturalmente, a partir do pensamento freireano que, por 
conseguinte,  também  manteve  estreitos  laços  com  teóricos  de  base  progressista-
revolucionária,  cuja  vida  também  teve  como  parâmetro  a  ação  transformadora  da 
sociedade. 


211 
 
 
Nas  falas  dos  educandos  podemos  perceber  que  o  processo  de  exclusão 
deixa  marcas  profundas  em  suas  identidades  e,  por  conseguinte,  são  difíceis  de 
serem removidas. A exclusão passa a ser o traço mais profundo de sua identidade, 
e  passa  a dar  sentido  à  própria  existência. Afirmar-se,  de modo  contrário, ao que 
as  marcas  dão  sentido,  é  algo  que  os  educandos  ainda  estão  desconstruindo  no 
contato  com  a  educação  popular  no  Grupo  da  Guanabara,  haja  vista  que  o 
processo  de  ressignificação  das  autoimagens  não  se  dá  de  forma  linear,  mas 
envolto  em  uma  complexa  rede  de  tensões  onde  afirmação  e  negação  se 
encontram. 
A  exclusão  reflete  o  tempo  histórico  que  se  constitui  nas  vidas  que 
assistimos  durante  o  estudo.  Ressignificar  as  autoimagens  negativas  em 
afirmativas  não  pode  se  dar  em  um  ano,  ou  seis  meses,  que  é  o  tempo  que  a 
maioria  dos  educandos  frequenta  o  Grupo  da  Guanabara.    Trabalhar  o  mais 
próximo  possível  das  expectativas  dos  alunos  em  relação  ao  que  eles  querem 
aprender e esperam do processo de alfabetização é estar engajado no processo de 
ressignificação. Aliado a isso, o grupo mantem o diálogo como desencadeador de 
uma  ação  política  educacional  e  que  já  reflete,  como  podemos  verificar  na  última 
seção, na voz dos educandos um processo da afirmação das autoimagens. 
 As  vítimas  da  exclusão  educacional,  oprimidas  e  que  sofrem  mal  estar 



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