Universidade do Estado do Pará Centro de Ciências Sociais e da Educação Programa de Pós-Graduação em Educação


 A representação da escola hoje marcada pelos desejos de inclusão



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6.2.1 A representação da escola hoje marcada pelos desejos de inclusão. 
 
 
Após terem tido uma trajetória marcada pela exclusão não só na escola, mas 
em outros setores da vida os educandos voltam a falar sobre as representações da 
instituição  escolar,  mas  agora  com  numa  visão  do  presente.  As  falas  que  virão  a 
seguir estão com a marca do desejo da inclusão. A busca pelo  reconhecimento a 
que foram negados. Esta é a representação da escola. A possibilidade de se verem 
afirmados  pela  escola,  como  se  ganhassem  um  certificado  de  capacidade  por 
estarem ali, por acompanharem os conteúdos. A escola não como lugar de direito, 
mas como lugar que precisa ser ocupado para que se sintam dignos desse direito.  
 
Porque você sabe eu sou uma pessoa que meu nível de estudo é 
baixo... Como vê aí  que eu tenho só a 2ª série. Eu acho que meu 
diálogo  é  um  diálogo  que  não  é  muito  enrolado,  tem  algum  erro, 
mas dá de ver bem, mas eu tenho muita vontade de melhorar meu 
diálogo  melhorar  minha  maneira  como  saber  receber  uma  pessoa 
saber dialogar com uma pessoa saber entrar em qualquer um local 
que seja preciso exija de mim a minha presença exija de mim meu 
diálogo,  minha  maneira  como  eu  falar  com  qualquer  outra  pessoa 
como  um  governador  ou  mesmo  uma  doutora  ou  mesmo  uma 
professora  uma  pessoa  que  seja  mais  importante  que  tenha  um 
nível mais alto do que o meu e um conhecimento Eu quero chegar 
perto dessa pessoa no local que essa pessoa trabalha e não quero 
me enrolar para eu dialogar com essa pessoa. (SERGIO). 
 
 
Nas expectativas de Sergio o diálogo assume caráter primordial nas relações 
de  inclusão.  Promove  a  ascensão  para  poder  em  pé  de  igualdade  com  os  mais 
“letrados”  dialogar  como  igual,  sem  rebaixamentos  ou  constrangimentos  que  o 
inferiorizem. 
 
Na fala de Olga o poder da comunicação também aparece como elemento em 
destaque: 
Olha  pra  mima  escola  representa  assim  muita  coisa.  As  amizades 
os alunos a educação. Uma coisa que, às vezes a gente não sabe 
na sala de aula a gente aprende. A se comunicar com as pessoas. 
Tudo. Eu achei muito importante. Muito importante a escola na vida 
da gente. (OLGA). 
 
 
 
No discurso de Moacir, apesar das contradições ainda persistirem em relação 
a  negação  de  seu  próprio  saber

destaca  estar  feliz  no  Grupo  Guanabara,  tem 


193 
 
satisfação  de  estar  estudando,  com  essa  fala  evidencia  estar  sendo  atendido  no 
processo de sua escolarização.
 
Uma  felicidade.  Ser  feliz.  Eu  estou  achando...  Quando  eu  vou  pra 
aula  eu  vou  muito  feliz.  Vou  feliz  mesmo  porque  eu  vou  atrás  de 
uma  coisa  de...  querer...  Da  minha  sabedoria,  que  eu  não  tenho 
né?  Então  aquilo  para  mim...  Eu  vou  muito  satisfeito  mesmo. 
(MOACIR) 
 
 
Luciana, Odilon e Paulo representam a escola como lugar da aprendizagem.  
É  importante  o  colégio  a  aula  né?  Estar  na  aula.  A  gente  aprende 
muita coisa boa. (LUCIANA). 
 
Eu espero aprender ainda mais... Alguma coisa na minha vida. Eu 
estou  com  70  anos.  Então  a  vida  da  gente  é  cumprida,  mas  ela 
acaba.  Enquanto  não  acaba  a  gente  está  insistindo  em  aprender 
aquilo que a gente precisa (ODILON). 
 
 
A  escola  para  mim  hoje  em  dia...  Não  para  mim,  mas  para  essa 
criançada  que  está  surgindo  é  o  ponto  de  partida  para  quem  quer 
aprender o que é bom. Porque na escola a gente aprende o que é 
bom, o que não presta a gente aprende na rua (PAULO) 
 
Os  educandos  vinculam  o espaço  escolar  prioritariamente  como  espaço de 
aprendizagem  e  depositam  nele  as  esperanças  em  adquirir  mais  conhecimento. 
Paulo em sua representação não se vê mais incluído como fazendo parte da escola 
e  atribui  às  gerações  futuras  a  participação 
para  “aprender o que é bom”.  Paulo 
ainda compara a escola de hoje e a do passado: 
E  hoje  em  dia  a  escola  está  tão...  Os  professores  estão,  como  é 
que  se  diz...  Evoluído  na  aprendizagem  que  as  crianças  rapidinho 
vai se tornando um  cérebro bem evoluído. Naquele tempo não,  as 
vezes se danavam para brigar. Ponta de lápis de um lado, ponta de 
lápis  do  outro.  Se  furavam.  Hoje  em  dia  não.  Hoje  em  dia  os 
adolescentes  que  estão  fazendo  essas  besteiras,  mas  não  as 
crianças.  Hoje  em  dia  você  vê  as  pessoas  vai  estudar  para  não 
fazer  coisa  ruim  ou  então  estudam  de  mais  que  acham  que  são 
melhores  do  que  os  outros.  Eu  não  sei  se  essa  entrevista  está 
sendo certo, mas é o que eu acho. (PAULO). 
 
Paulo  é  enfático  em  suas  declarações.  Acredita  que  a  evolução  atual  das 
mentes  se  dá  em  virtude  da  ação  da  escola  e  dos  professores.  Não  leva  em 
consideração  os  fatores  externos  à  escola,  a  tecnologia,  responsável  em  grande 
parte  pelos  instrumentos  e  artefatos  que  as  crianças  já  manuseiam  e  com 
competência  operam  sem  que  ninguém  as  ensine.  Não  precisam  da  escola  para 
isso, nem mesmo as pertencentes às classes populares.  


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Vera  em  sua  fala  deixa  transparecer  na  representação  da  escola  de  hoje 
todos os seus desejos reprimidos de um futuro que ela almeja.  
Não sei nem te explicar o que significa o que representa... Mas para 
mim é uma coisa muito boa muito positiva, entendeu? Muito como é 
que  se  diz?  Agradável,  para  mim  hoje,  agora  e  no  futuro...  Um 
pouco mais de liberdade.... Um pouco mais de autoconfiança.... De 
querer  conseguir  mais  alguma  coisa,  de  querer  aprender  mais 
alguma coisa. Querer correr atrás dos meus objetivos, de aprender 
mais...  Para  mim  uma  coisa...  Significa  muito.  Uma  coisa  boa. 
(VERA). 
 
 
Liberdade, conquista do saber, autoconfiança tudo o que a infância deixou 
para  trás,  mas,  que  caminham  com  Vera  através  de  sua  existência,  constituindo 
suas  identidades.  Vera  convive  entre  a  afirmação  do  “ser  mais”  que 
inconscientemente  cultiva  e  que  aparecem  reveladas  em  sua  fala  e  a  negação 
imposta pelas condições que a vida lhe impôs.  

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