Universidade do Estado do Pará Centro de Ciências Sociais e da Educação Programa de Pós-Graduação em Educação



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5.1.5 Relações Intersubjetivas 
Para  que  possamos  analisar  as  relações  intersubjetivas  precisamos  definir 
melhor  o  termo  subjetividade  e  sua  relação  com  a  identidade  dos  sujeitos.  Os 
termos são utilizados alternadamente e assumem uma sobreposição em relação ao 
seu entendimento. (WOODWARD, 2012). Ainda para a autora: 
 
“Subjetividade”  sugere  a  compreensão  que  temos  sobre  o  nosso  eu.  O 
termo envolve os pensamentos e as emoções conscientes e inconscientes 
que  constituem  nossas  concepções  sobre  “quem  nós  somos”.  A 
subjetividade  envolve  nossos  sentimentos  e  pensamentos  mais  pessoais. 
Entretanto nós vivemos nossa subjetividade em um contexto social no qual 
a  linguagem  e  a  cultura  dão  significado  à  experiência  que  temos  de  nós 
mesmos e no qual nós adotamos uma identidade. (p. 55) 
 
Neste  sentido,  considerar  a  intersubjetividade  dos  sujeitos  no  ato  de 
planejar,  nas  práticas  pedagógicas  e  em  todas  as  formas  de  socialização  que 
extrapolam 

relação 
educador-educando 
é 
estar 
em 
permanente 
intercomunicação  com  as  vozes  (conscientes  e  inconscientes)  que  afloram  no 
diálogo e promovem a existência do ser humano. 
Em Freire (2011 d) o termo subjetividade está presente como parte de uma 
relação  dialética  que  nos  leva  como  ser  humano  ao  desvelamento  da  realidade. 
Assim,  é  no  jogo  dialético  subjetividade-objetividade,  realidade-consciência, 
prática-teoria que nos constituímos como seres humanos. Entretanto, como nos diz 
o autor: 
 


129 
 
[...]  não  posso  negar  a  singularidade  de  minha  existência,  mas  isso  não 
significa que minha existência pessoal tenha uma significação absoluta em 
si  mesma,  isolada  de  outras  existências.  Pelo  contrário,  é  na 
intersubjetividade,  mediatizada  pela  objetividade,  que  minha  existência 
ganha sentido. O “eu existo” não precede ao “nós existimos”, se constitui 
nele. (p. 184). 
 
As  relações  intersubjetivas  serão  aqui  analisadas  sobre  o  prisma  da 
amorosidade,  da  alegria  e  esperança  no  mundo  e  nos  homens  e  mulheres 
extrapolando a relação pessoal entre educadores e educandos e estará pautada no 
reconhecimento  da  vocação  dos  seres  humanos  em  “ser  mais”  como  um  direito 
humano. (FREIRE, 2011a). Desconsiderar estas e outras categorias freireanas
30
 na 
prática pedagógica é depor contra os direitos das pessoas.  
Poderíamos ter suscitado a relação entre  direitos humanos e educação em 
todos  os  itens  até  aqui  analisados,  mas  optamos  em  fazê-lo  nas  relações 
intersubjetivas porque acreditamos que: 
Os homens que não tem humildade ou a perdem não podem aproximar-se 
do povo. Não podem ser seus companheiros de  pronúncia do mundo. Se 
alguém não é capaz de sentir-se e saber-se tão homem quanto os outros, 
é  que  lhe  falta  ainda  muito  que  caminhar,  para  chegar  ao  lugar  de 
encontro com eles. Neste lugar de encontro, não há ignorantes absolutos, 
nem  sábios  absolutos:  há  homens  que,  em  comunhão,  buscam  saber 
mais. (FREIRE, 2011a, p. 112).  
 
As  educadoras  se  pronunciam  a  cerca  de  como as  relações  intersubjetivas 
se estabelecem no grupo. 
Contando  as  pessoas  não  vão  acreditar  que  seja  uma  aula  né 
porque todo mundo ta acostumado com  aquela coisa do professor 
chegar  fazer  toda  aquela  aula  encher  o  quadro  de  assuntos  e  o 
aluno  copiar  aquilo,  ir  pra  casa  cheio  de  dúvidas  sem  entender 
nada, preocupado com uma prova super difícil que vai ter que fazer 
e  rotulado  por  uma  nota.  No  nosso  caso  não.  A  gente  procura  a 
questão do autoconhecimento né? Então, nós ali como educadores 
nós  nunca  pensamos  “ah  nós  somos  superiores  às  pessoas  que 
estão  ali”.  Não.  Muito  uma  questão  de  respeito.  Respeito  àquela 
vivencia  que  eles  têm.  Respeito  aos  problemas  que  eles 
enfrentaram  e  enfrentam.  Aos  desafios.  E  a  gente  procura  buscar 
ajudá-los  né...  De  uma  forma,  vamos  dizer  assim,  respeitosa,  em 
conjunto  pra  que  eles  possam  descobrir  o  poder  que  eles  têm.  A 
capacidade  que  eles  têm  de  aprender  que  está  adormecida 
entendeu?  Então  resumindo  essas  relações  intersubjetivas  são 
mesmo de respeito. (E1) 
                                                 
30
  Não estamos falando aqui que obrigatoriamente todos os educadores devem optar em assumir a 
concepção freireana como direcionadora de suas práticas. Falamos que pela importância magna de 
suas  ideias  e  pela  influência  exercida  a  nível  mundial  no  processo  educativo  vivido  por  outros 
países  desconsiderar  ou  ignorar  as  contribuições  de  Paulo  Freire  é  estar  desconectado  da 
educação como prática transformadora. 


130 
 
 
Observamos  que  a  capacidade  adormecida,  invisibilizada  pelo  sistema 
educacional,  dá  lugar  ao  respeito  e  ao  incentivo  do  autoconhecimento  em 
reconhecer-se  capaz.  As  posições  entre  educadores  e  educando  não  se 
sobrepujam,  mas,  ao  contrário,  se  harmonizam 
pelo  respeito  em  “estar  sendo”. 
Assumir-se como sujeito de aprendizagem, como ser intelectual, pensante é tarefa 
da  qual  o  professor  não  deve  se  afastar  disseminando  entre  os  alunos  também 
esta  premissa  de  se  tornar  “arquiteto  de  sua  própria  prática  cognitiva”.  (FREIRE, 
2011f). 
Eles se conhecem, são vizinhos ou se conheceram lá. Eles acabam 
tendo  certa  intimidade.  Isso  permite  com  que  eles  falem  mais 
abertamente uns com os outros. E é um  grupo muito,  assim unido 
quando  um  não  vai  o  outro: 

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