Universidade do Estado do Pará Centro de Ciências Sociais e da Educação Programa de Pós-Graduação em Educação



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     e) Conteúdo das Ciências 
Vamos  considerar  neste  item  o  importante  papel  da  curiosidade  e  da 
observação, da problematização diante dos conteúdos e a forma como o educador 
os desafia ao apresentá-los, não esquecendo o grande desafio pedagógico  que é 
aprofundar  com  os  alunos  temáticas  que  se  tornam  importante  porque  são 
significativas  e  despertam  a  curiosidade  e  interesse  e  não  tão  somente  porque 
estão ou não presentes em uma lista de conteúdos a serem ministrados cegamente 
e aceitos de maneira inconteste por educandos. 
Não há como não repetir que ensinar não é a pura transferência mecânica 
do perfil do conteúdo que o professor faz ao aluno, passivo e dócil. Como 
não  há  também  como  não  repetir  que  partir  do  saber  que  os  educandos 
tenham não significa ficar girando  em torno de  este saber.  Partir significa 
pôr-se  a  caminho,  ir-se,  deslocar-se  de  um  ponto  a  outro  e  não  ficar, 
permanecer.  Partir  do  “saber  de  experiência  feito”  para  superá-lo  não  é 
ficar nele. (FREIRE, 2011g, p.97)  
 
 
Os  conteúdos  e  tudo  o  que  envolve  a  relação  com  o  saber  devem  ser 
sistematicamente estudados com responsabilidade pelos educadores de forma que 
sua preparação para a docência se dê em função do compromisso ético diante de 
si  mesmo  como  profissional  interessado  e  comprometido  com  o  que  faz  e  diante 
dos 
educandos  que  almejam  se  aproximar  do  “novo”  é  incentivar  à  dúvida,  à 
curiosidade e à crítica. (FREIRE, 2011f). 
 
 Acima  de  tudo  é  importante  que  a  gente  tire  aquele  medo  que  o 
educando  tem  de  aprender  alguma  coisa,  principalmente  na  área 
das ciências: química, física, matemática que você logo se remete a 
um  laboratório,  cientista  maluco,  tubos  de  ensaio  [...]  aquele 
conteúdo  muito  abstrato.  A  gente  procura  o  concreto,  pegar 
situações do dia a dia. (E1). 
 
 
 
 
 
 
 


119 
 
É  trabalhado  sim.  Até  porque  eles  questionam  né?  Em  relação  a 
história  ou  algum  caso  que  aconteceu  assim  em  mil  novecentos  e 
antigamente e relacionado com a disciplina, com a história. Porque 
aconteceu  aquilo  naquela  época?  Porque  é  que  está  escrito  no 
livro?  Porque  é  que  se  faz  necessário?  A  ciência  ta  presente  na 
vida  de  todos  nós.  No  momento  que  a  gente  leva  uma  água  pro 
fogo, quando você lava uma roupa, que enxuga [...] (E3). 
 
 
As  situações  do  cotidiano  são  importantes  para  dar  ao  aluno  a  noção  de 
como as ciências se apresentam e convivem conosco. Não é algo afastado de nós, 
ao contrário, participam conosco das situações mais corriqueiras, como as citadas 
pela  educadora  E3.  Porém,  é  importante  que  as  educadoras  imprimam  a  essas 
situações  o  rigor  sistemático necessário materializando-os em  textos  e  produções 
que levem os alunos a pensar. Exercícios sejam eles práticos ou não, para que os 
educandos  possam  baseados  em  seu  próprio  saber  avaliar  o  que  eles  já  tinham 
como  “saber  de  experiência  feito”  e  o  que  adquiriu  de  conhecimento  “novo”  com 
base nas novas experiências de aprendizagem.  
 
O conteúdo das ciências a gente não trabalhou ele exatamente de 
uma  maneira  assim,  como  posso  falar,  específica.  [...]  Então  a 
gente  insere  algumas  coisas  em  relação  a  história,  ciências 
naturais.  Muitos  deles  são  bons  em  matemática.  Não  sabem 
escrever o nome ainda, mas já com certeza alguns já sabem fazer 
contas  e  fazer  bem  né?  Mas  eu  acho  que  a  gente  pode  também 
esse  ano  inclusive  vê  a  possibilidade  da  gente  inserir  isso  aí  de 
uma maneira mais efetiva ainda. (E5) 
 
Na  verdade  de  tudo  o  que  a  gente  trabalhou  lá  nesse  período  a 
gente  trabalhou  focado  mais  na  questão  do  letramento.  Mas  na 
continuidade, pelo menos para esse ano, a gente já tem uma ideia 
que  já  vai  entrar  a  matemática  então  aos  poucos  essas  outras 
ciências  elas  vão  entrando.  Mas  com  certeza  gente  precisa 
também,  não  só  trazer  a  questão  da  cultura,  mas  trazer  as 
questões práticas porque eles vão precisar pro dia a dia. (E2) 
 
Reiterando  o  que  dissemos  anteriormente,  apesar  do  planejamento  estar 
acontecendo de forma sistemática e coletiva, e das educadoras possuírem opiniões 
bem  relevantes  sobre  os  itens  analisados  anteriormente,  observamos  que  o 
conteúdo  das  ciências  precisa  ser  revisto  para  dar  às  aulas  mais  movimento  e 
provocar mais interesse por parte dos alunos.  
“Não  posso  ensinar  o  que  não  sei”.  (FREIRE,  2011f,  p.93).  Para  isso  os 
educadores  precisam  estudar,  pesquisando  e  discutindo  durante  o  planejamento 
novas formas de intervir.  


120 
 
Em  uma  das  observações  realizadas  em  desdobramento  ao  tema 
“desemprego” as educadoras fizeram um contraponto com o tema trabalho. A partir 
daí trouxeram um texto base que serviu como desencadeador da discussão sobre 
trabalho  urbano  e  trabalho  rural.  Em  seguida  a  essa  etapa  as  educadoras 
pesquisaram  sobre  os  produtos  agrícolas  que  eram  produzidos  no  Pará  e  os 
municípios que mais se destacavam como produtores. 
O  encontro  aconteceu  com  a  exposição  do  mapa  do  Pará  onde  os  alunos 
teriam  que  localizar  os  municípios  identificando  o  nome  do  produto  relacionado  a 
ele.  Foi  muito  interessante  o  trabalho  porque  pudemos  perceber  uma  intensa 
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