Universidade do Estado do Pará Centro de Ciências Sociais e da Educação Programa de Pós-Graduação em Educação



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c)  Relações humanizadoras 
As  relações  humanas  nem  sempre  humanizadas  em  educação  encontram 
na educação popular um porto seguro e instigante para realização esse desafio. Do 
contrário, não poderiam se denominar freireanas, muito menos populares. Portanto, 
ressaltar  o  aspecto  humanista  tão  presente  no  discurso  e  na  prática  freireana  é 
corroborar  para  uma  educação  emancipatória,  da  denúncia  e  do  anúncio,  tão 
eloquentemente  difundida  por  Paulo  Freire.  É  acreditar  no  potencial  do  ser 
humano,  principalmente  naquele  que  não  possuindo  o  conhecimento  legitimado 
pela escola continua sendo prioridade para o educador. Não o descarto porque não 
sabe.  Vejo-o  como  ser  capaz  de  muitas  coisas  e  luto  junto  com  ele  para  que 
consiga romper com as amarras que o fizeram desacreditar em si mesmo.  
Assim  como  os  educadores  reconheceram  a  humanização  como  o  ponto 
mais  crucial  de  sua  entrada  no  NEP,  agora,  novamente  a  humanização  aparece 
como princípio norteador de seu trabalho.  
 
Essa  questão  mesmo  da  humanização  [...]  não  só  estar  lá  no 
espaço  escolar,  mas  preocupada  com  que  os  alunos  trazem  e  o 
que eles levam né? [...] ter essa relação que ultrapassa né? É uma 
amizade.  Você  não  sai  lá  da  escola  e  se  desliga.  Tem  essa 
conexão,  tem  o  diálogo  [...]  Pelo  próprio  método  que  é  trabalhado 
dentro  do  grupo  essa  relação  de  diálogo  e  de  querer  saber  o  que 
acontece  com  o  aluno.  O  que  o  aluno  entende?  O  que  é  que  ele 
propõe? Essas coisas são diferentes. (E2) 
 
[...]  a  gente  vê  os  profissionais  se  formando  e  só  pensando  no 
financeiro. A gente não vê o aluno assim. A gente vê o aluno como 
ser humano mesmo. (E3) 
 
 
As  falas  das  educadoras  resumem  esse  sentimento  de  identificação  com 
aquilo  que  se  faz  e,  ao  mesmo  tempo,  assume  um  sentimento  de  pura 
amorosidade pelo educando como ser humano. Interessa-se por ele não só como 
alguém que deve aprender, mas alguém que necessita ter condições para aprender 
e encontrar esse caminho, muitas vezes não é simples.  


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 O  processo  de  humanização de  que falam as  educadoras  e  no qual  todos 
nós estamos envolvidos e, muitas vezes perdidos, precisa exercer dois movimentos 
que são concomitantes envolvendo educadores e educandos. O primeiro se dá em 
direção a própria humanização.  Acreditar no ser humano e em seu poder criador. 
Aqui  o  educador  deve  se  encontrar  como  sujeito-educador,  mas,  também  deve 
reconhecer o sujeito-educando. O segundo movimento deve estar direcionado para 
a  libertação  dos  seres  humanos  (educador  e  educando).  Reconhecendo-se  e 
acreditando  no  ser  humano  detentor  de  um  poder  criador  estará  caminhando  de 
uma consciência mecânica para uma consciência intencionada ao mundo. Esta luta 
tem  na  ação-reflexão-ação  as bases  do  diálogo  e do  companheirismo que  devem 
acompanhar os sujeitos da ação educativa. (FREIRE, 2011c) 
 
Reconhecer o educando como centro de referência do processo educacional 
significa reconhecê-lo como ser pensante e atuante na sociedade. Ser de mudança 
que  se  lança  aos  desafios  e  que  tem  na  ação  dialógica  com  o  educador  os 
pressupostos de seu fortalecimento. 
Um  momento  muito  rico  para  nossa  observação  foi  quando,  o  Grupo 
comemorou  o  aniversario  de  uma  das  educandas.  Coincidentemente  os  dois 
encontros anteriores ao do aniversário, os educandos trabalharam o gênero textual 
“convite”.  As  educadoras  levaram  vários  modelos  de  convite  para  que  os  alunos 
analisassem e assim também foi feita uma produção de convite para a educanda. 
Os alunos preencheram com as principais informações constantes nesse gênero e 
puderam dar asas a sua criatividade fazendo desenhos na capa. No dia da “festa”, 
todos  estavam  bastante  animados  e  houve  uma  bonita  comemoração  regada  a 
bolo, refrigerante, suco, discurso e poesia e uma dose bem farta de humanidade. 
 



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