Universidade do Estado do Pará Centro de Ciências Sociais e da Educação Programa de Pós-Graduação em Educação


participamos  dela  ainda  como  Fundação  Educacional  do  Estado  do  Pará  num



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participamos  dela  ainda  como  Fundação  Educacional  do  Estado  do  Pará  num 
processo  ainda  sem  grupos  de  pesquisa,  portanto,  sem  nenhum  incentivo  à 
pesquisa  educacional,  numa  atuação  que  se  restringia  ainda,  de  forma  muito 
insipiente, a discussões teóricas nas aulas de introdução à metodologia, mas sem 
nenhum lócus de ação ou objeto de estudo que nos servisse como exercício para 
pensar a prática.  
 
 
4.4  AS  EDUCADORAS  E  SUA  IDENTIFICAÇÃO  COM  A  EDUCAÇÃO  DE 
JOVENS E ADULTOS 
 
Em  qualquer  atividade  laboral,  principalmente  a  que  desenvolvemos  como 
educadores  e  como  educadores  deve  haver  um  traço  de  identificação  com  o  que 
está  sendo  realizado  e  isso  envolve  como  bem  nos  diz  Freire  (2011f),  “alegria”, 
“esperança”  e  “querer  bem  aos  educandos”,  afinal,  a  matéria  prima  do  educador 
além  do  conhecimento  e  da  relação  envolvida  no  ensinar  e  aprender,  são  as 
pessoas. Por isso, buscamos saber na entrevista com as educadoras o porquê de 
seu  interesse  pela  educação  de  jovens  e  adultos.  Nas  duas  primeiras  respostas 
vemos  claramente  a  situação  como  excluídos  determinando  a  escolha  das 
educadoras E1 e E3:  
 
 
 
 


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O meu interesse pela educação de jovens adultos repousa no fato 
de que escutei durante muitos anos, o grande aspecto fatalista que 
infectou  os  campos  políticos,  econômicos  e  sociais  brasileiros... 
Realizando  estudos  sistemáticos,  percebi  que  os  programas 
voltados  para  a  educação  de  jovens  e  adultos,  ainda  que 
apresentassem uma "maquiagem" democrática, no fundo possuíam 
alicerces  pedagógicos  alienantes,  de  forma  a  contribuir  para  o 
nosso sistema educacional excludente. (E1) 
 
Porque  eu  percebo  que  eles  são  muito  excluídos  [...]  No  regular 
mesmo, nas escolas sistematicamente são excluídos. Não se vê o 
aluno  como  aluno.  Até  porque  o  professor  já  está  cansado.  Já  tá 
exausto do dia a dia dele que a carga horária do professor é muito 
longo. E eles [...] geralmente ficam de lado e a questão de eu estar 
me empenhando é pra ajudar até eles a melhorar criticamente. Eles 
não tão só ali pra ser letrados, pra aprender a ler e escrever e sim 
pra  ser  cidadão  crítico.  Porque  a  gente  percebe  que  na  EJA  as 
pessoas  parecem  que  assim,  estão  lá  só  pra  aprender  a  ler  e 
escrever  e  não  pra  ter  um  senso  maior.  Ampliar  o  senso  crítico 
delas como cidadãos. (E3) 
 
As  educadoras  fazem  uma  análise  crítica  se  remetendo  ora  aos  aspectos 
históricos  da  EJA,  que  comportam  equivocadamente  uma  visão  também  de 
exclusão,  ora  se  remetendo  a  situação  de  exclusão  em  si  que  os  mesmos  estão 
relegados.  O  papel  social  dos  educadores  em  lutar  pela  inclusão  dos  excluídos  é 
citado pela educadora E3.   
 
A luta em prol da inclusão dos excluídos também foi citada pela educadora 
E5 que afirma acreditar no potencial dos educandos: 
Uma temática interessante pra mim porque são pessoas que já tão 
um  tempo  e  a  gente  sabe  que  muitas  das  vezes,  por  falta  de 
oportunidades por vários outros motivos a pessoa não teve acesso 
e a gente sabe também que essas pessoas elas sofrem com isso. 
Elas na verdade até na própria sociedade estão sujeitas a sofrerem 
represarias  por  conta  da  falta  desse  aprendizado,  a  falta  desse 
conhecimento.  E,  elas  próprias  mesmo  estão  sujeitas  a  não 
acreditarem  tanto  na  própria  capacidade  delas  que  a  gente  sabe 
que  é  uma  capacidade  muito  grande.  São  pessoas  que  tem  uma 
inteligência como qualquer outra pessoa e isso tudo me faz pensar 
sempre me fez pensar em querer trabalhar pra poder auxiliar aisso 
acontecer também né? E basicamente isso. (E5). 
 
É  importante  que  esta  dissertação  registre  esse  tipo  de  discurso  haja  vista 
que,  de  acordo  com  as  pesquisas  de  Soares  (2006)  os  investimentos  em  uma 
formação  específica,  que  atenda  os  profissionais  da  EJA  é  cada  vez  menor, 
levando a simples transposição de professores do ensino regular para a educação 
de  jovens,  adultos  e  idosos.  Obviamente  que  a  falta  de  uma  identificação  ou 


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mesmo de uma formação mais específica que dê elementos para  que o educador 
passe a conhecer e a entender as especificidades do universo dos educandos da 
EJA é fundamental para que a qualidade pedagógica das iniciativas seja garantida. 
O fator familiar somado às trocas estabelecidas no  ensinar-aprender esteve 
presente na fala da educadora E4. 
 
Bom primeiro ponto era um histórico familiar também. O meu pai né 
ele  é  quase...  Não  sei  se  pode  considerar  ser  semianalfabeto. 
Então isso sempre marcou muito a minha vida... Do meu pai não ter 
tido essa oportunidade e me deu um desejo de auxiliar as pessoas 
que não tiveram a mesma oportunidade que o meu pai. Daí a minha 
vontade de trabalhar com a Educação de Jovens e Adultos porque 
para mim é uma educação diferenciada porque são sujeitos assim 
que trazem uma bagagem enorme de vida, e um desejo enorme de 
aprender.  Uma  sede  por  conhecimento  e,  eu  vejo  que  a  atuação 
com jovens e adultos traz essa troca. Ao mesmo tempo em que eu 
estou,  digamos,  sendo  intermediador  do  conhecimento,  esse 
conhecimento  também  esá  vindo  de  retorno  para  mim  porque  a 
gente aprende muito com eles. (E4). 
 
As convivências com o pai semianalfabeto fizeram com que a educadora E4 
se aproximasse do trabalho com a EJA. Além disso, a educadora reconhece que as 
experiências  de  vida,  certamente  acompanhadas  por  ela  em  relação  ao  pai  a 
fizeram reconhecer o valor das pessoas não escolarizadas. 
 
A educadora E2 nos conta que a opção em trabalhar com a EJA aconteceu 
em virtude do trabalho se aproximar mais de sua própria realidade: 
[...] Estava mais próximo da minha realidade. Porque eu acho muito 
interessante a questão hospitalar, mas eu não tenho uma formação 
assim  pra  visualizar  como  funcionam  os  trabalhos  no  hospital.  A 
questão também da sexualidade eu não me senti muito preparada. 
Trabalhar  com  idosos  especificamente  num  lar  de  acolhimento 
também.  Emocionalmente  eu  não  me  sinto  preparada.  Então  a 
questão da alfabetização é uma coisa muito interessante por eu ser 
do  curso  de  letras...  É  letras-libras,  mas  é  letras  então  é 
interessante  essa  aprendizagem  que  eu  teria  lá  no  grupo  com 
vocês que já estão a mais tempo no grupo, enfim. (E2). 
A  educadora  E2  ao  expor  os  critérios  de  escolha  acaba  descrevendo  um 
pouco  do  perfil  dos  outros  GET’s,  dando-nos  uma  visão  também  do  processo  de 
autonomia e democracia com que os educadoras, ao chegarem do NEP tem para 
escolher o grupo que desejam trabalhar. Vale lembrar também que os educadores 
têm autonomia para, passado algum tempo no Grupo poder ir para outros a fim de 
conhecer as diferentes realidades. 


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Apresentamos  um  pouco  da  caminhada  dos  educadores  no  NEP  tendo 
neste  último  tópico  a  relação  dos  educadores  com  os  motivos  que  os  levaram  a 
escolher a educação de jovens e adultos no exercício de sua prática docente como 
educadores ainda em formação inicial. 
Na  próxima  seção  iremos  aprofundar  um  pouco  mais  sobre  as  práticas 
educativas  populares  do  NEP  e  a  ação  dos  educadores  nesse  processo.  A 
concepção  freireana,  e  os  princípios  educacionais;  planejamento,  recursos, 
estratégias metodológicas, serão um dos fatores considerados na análise. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



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