Universidade do Estado do Pará Centro de Ciências Sociais e da Educação Programa de Pós-Graduação em Educação



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“realidades  mais  claras”  nos  remete  a  uma  análise  de 
educação  popular  que  tem  nas  aproximações  com  o  movimento  da  vida  e  a 
complexidade das realidades 
– expressões culturais – o cenário para empreender 
ações  que  emanam  e  são  pensadas  e  organizadas  a  partir  de  cada  grupo  e 
indivíduo.  Movimento  que  contrapõe  a  opressão  imperativa  da  homogeneidade, 
que  regula,  paralisa  e,  portanto,  limita  como  padrão  comportamentos,  grupos 
sociais  e  aprendizagens  empregadas  pelas  concepções  tradicionais  e,  que  até 
hoje, oprimem e expulsam da escola os 
“não ajustáveis”. 
 
As falas assumem também uma perspectiva de formação a níveis pessoais 
e acadêmicos quando agregam valores que perpassam por essas instâncias.  
 
[...]  A  minha  trajetória  acadêmica  tá  extremamente  ligado  ao  NEP 
[...]  Muito  do  que  aprendi  foi  no  NEP  em  termos  acadêmicos, 
pessoais também. Na vivência do dia a dia (E4) 
 
Contribuiu  bastante  [...].  Na  verdade  ainda  não  tinha  atuado  em 
sala de aula [...] isso me ajudou a ter essa vivência com os alunos e 
até  perceber,  linguisticamente  pontos  muito  relevantes  onde  eu 
pude  trazer  os  conhecimentos  do  meu  curso  de  letras    pra  dentro 
do grupo da Guanabara e vice versa. (E5) 
 
 
 
 
 
Os  educadores  falam  de  uma  educação  que  humaniza  e  não  apenas  se 
preocupa  em  acumular  estatísticas  e,  nesse  sentido,  minimiza  o  potencial  de  ser 
Gente.  Essas  atribuições  fazem  do  NEP  um  espaço  onde  se  experiência  a 
capacidade  de  ser-humano,  refletindo  sobr
e  nós  mesmos  e  a  partir  do  “Outro”. 
Como vivem? Como aprendem? Qual a melhor forma de ensinar? De interagir? E 
não  apenas  preocupados  em  saber  como  estamos  sendo  avaliados  como 
educadores.  Seguimos  o  livro  didático?  Cumprimos  o  ritual  cego  da  estrutura 
curricular?   
 
 
Nesse  movimento  dialético  de  nos  tornarmos  cada  vez  mais  humanos  ao 
mesmo tempo em que humanizamos e educamos,exercitamos o ensinar-aprender 


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e,  vamos  tomando  consciência  do  inacabamento  do  “eu”  e  do  “outro”  e  nos 
encontramos como artífices de nossa própria aprendizagem.  
 
O espaço da prática é o da partilha e das aproximações em teorias que nos 
fundamentam.  Mas,  substancialmente  é  o  espaço  em  que  me  encontro  também 
como pessoa. Redimensiono a prática enquanto diálogo com teorias que me serão 
mais ou menos aceitas dependendo do significado que elas passam a ter no meu 
espaço  de  existência  e  de  atitude  no  mundo.  Redimensiono  a  teoria,  quando, 
baseado  em  minha  própria  prática,  constituída  de  um  contexto  particular  onde 
residem  múltiplas  realidades 
–  que  não  estão  em nenhum  livro  –  vou  produzindo 
concepções  de  vida  e  de  ser  humano,  de  cultura,  de  educação  e  de  ética.  E, 
finalmente redimensiono a mim como pessoa. 
 
Esta participação do sujeito-educador refletindo sobre sua prática e sobre o 
sujeito-edu
cando  provoca  a  formação  de  “novas”  concepções  de  ensinar  e 
aprender,  fazendo  surgir  um  novo  educando  e  um  novo  educador.  Progressista, 
democrático,  humanista,  revolucionário,  Freire  dirige-se  aos  educadores  de 
diferentes formas,  todas  elas  têm o  caráter emancipatório  como forma  de  chamar 
atenção  para  a  importância  do  educador  na  árdua  tarefa  de  transformar  a 
sociedade.  A  relação  proposta  por  Freire  (2012)  entre  educadores  e  educandos 
exige alguns pressupostos dentre eles: 
[...]  o  nosso  conhecimento  das  condições  concretas  de  seu  contexto, 
contexto que os condiciona. Procurar conhecer a realidade em que vivem 
nossos alunos é um dever entre outros que a prática educativa nos impõe. 
Sem conhecer a realidade de nossos alunos não temos acesso à maneira 
como  pensam,  dificilmente  pode  saber  o  que  sabem  e  como  sabem. 
(FREIRE, 2012, p. 152) 
 
 
 
Arroyo  (2011)  também  adverte  para  o  “saber  de  si  como  direito  ao 
conhecimento”. O reconhecimento das vivências de educandos e educadores como 
saberes  legítimos  do  aprender  na  compreensão  da  etapa  de  formação  tanto  de 
educadores  quanto  de  educandos.  Os  direitos  inerentes  a  essas  percepções  se 
abrem  a  partir  de  trabalhos  como  o  NEP  desenvolvem  e  provocam  a  imersão  de 
novos debates. 
 
Na  medida  em  que  os  professores-educadores  avançam  à  procura  de 
formas  de  garantir  o  direito  dos  (das)  educandos  (as)  e  deles  mesmos  a 
entender-se,  vão  percebendo  que  seu  ser  está  colado  às  formas  de  seu 
viver.  Que  para  avançar  no  saber-se  será  necessário  avançar  na 
compreensão dessas formas de viver. [...] (ARROYO, 2011, p. 283) 


77 
 
 
 
 
 
 
A trajetória de formação de educadores-educandos populares no NEP 
nos remete a participação desses mesmos sujeitos em relações integradoras entre 



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