Universidade do Estado do Pará Centro de Ciências Sociais e da Educação Programa de Pós-Graduação em Educação



Baixar 14.49 Kb.
Pdf preview
Página28/113
Encontro17.05.2021
Tamanho14.49 Kb.
1   ...   24   25   26   27   28   29   30   31   ...   113
ignorante, mas como produtorde cultura. 
Esta ideia concentra, em grande parte, os propósitos revolucionários trazidos 
por  Paulo  Freire,  através  da  educação  popular,  para  a  educação  de  jovens  e 
adultos, até hoje inaudíveis para muitos educadores e escolas. Na década de 60 a 
educação  brasileira  vivia  o  auge  da  teoria  tecnicista,  caracterizada  por  seguir 
padrões rígidos de disciplina e comportamento, de procedimentos metodológicos e 
de  currículo.  Pensar  em  contrapor  ou  associar  qualquer  elemento  que  pudesse 
alterar  a  estrutura  curricular,  ou  mesmo  criar  possibilidade  de  “estabelecer 
intimidade  entre  os  sab
eres  curriculares  fundamentais”  decididamente  poderia 
desestabilizar o poderio mantido pela instituição escolar. 
Da  mesma  forma,  problematizar  discutindo  com  os  alunos  a  realidade 
concreta  no  contexto  político  daqueles  anos,  poderia  se  tornar  muito  perigoso 
como,  de  fato,  foi.  A  crença  nos  seres  e  em  suas  potencialidades 
– 
independentemente de sua origem social ou cultural 
– ia de encontro aos padrões 
estabelecidos  e  equivocadamente  aceitos  pela  sociedade  brasileira  da  época.  O 


46 
 
que se tinha estabelecido era que o povo não tinha cultura, de que o não acesso à 
escola  e  aos  meios  intelectuais  mais  privilegiados  dava-lhe  uma  incapacidade  de 
pensar e agir no mundo. Apesar disso, o pensamento freireano segue adiante e se 
multiplica por vários países do mundo. 
Freire (1986) utiliza o termo empowerment e o conceitua como capacidade de 
“dar  poder”  ,  ativando,  desenvolvendo  e  dinamizando  a  capacidade  criativa  do 
sujeito, para que em uma perspectiva de classe possa acontecer a transformação 
social. Esta transformação não se daria em uma perspectiva meramente individual 
ou  coletiva,  mas,  de  acordo  com  o  autor  constitui  um  empowerment  de  classe 
social. 
A questão do empowerment da classe social envolve a questão de como a 
classe  trabalhadora,  através  de  suas  próprias  experiências,  sua  própria 
construção de cultura, se empenha na obtenção do poder político. Isto faz 
do empowerment muito mais do que um invento individual ou psicológico. 
Indica um processo político das classes dominadas que buscam a própria 
liberdade da dominação um longo processo histórico de que a educação é 
uma frente de luta (FREIRE, 1986, p. 72). 
 
A  ideia  do  empoderamento  ajuda-nos  a  compreender  a  educação  como  ato 
político. Ela não se isola única e exclusivamente no campo educacional, na medida 
em  que  perpassa  porconteúdos  e  metodologias,  práticas  e  componentes 
curriculares. A política se insurge como elemento que dá sustentação e significado 
a todas essas coisas. Ajuda-nos a pensar nas opções e nas decisões que vamos 
tomar. A não aceitar tão facilmente algo tão somente porque o professor quem fala 
ou o livro quem diz. 
A ideia de cultura é aproximada da educação em sua dimensão popular e da 
própria ação dos seres humanos no mundo e com o mundo. Freire (2013) melhor 
nos explica sobre esse novo conceito,o de ação cultural
 
 
 
 
 
 
Havia  outro  conceito  que  é  bom  lembrar:  ação  cultural.  Isso  quer  dizer 
que  a  cultura  era  entendida  também  dentro  de  movimentos  e  relações 
sociais  dos  homens.  Na  verdade,  foi  uma  ampliação:  cultura  não  seria 
entendida  apenas  como  aquilo  que  está  condenado  dentro  dos  livros  e 
dentro  de  museus.  Cultura  seria,  também,  os  gestos  das  pessoas  se 
esforçando nos grupos e no trabalho. Cultura seria o que dá sentido nas 
relações humanas. E esse conceito foi necessário. Ele ajudou a inovar os 
caminhos  de  acesso  ao  conhecimento.  Ajudou  o  trabalho  educativo  a 
ganhar  mais  espaço.  E  era  disso  que  se  tratava:  substituir  o  velho 


47 
 
esquema  educação-evasão-exclusão;  isso  supunha  inovarmos  o  jeito  de 
entender a cultura, mudar o jeito de compreender a realidade. (p. 85). 
 
Desta  forma,  homens  e  mulheres  passavam  a  reconhecer-se  como  seres 
produtores  de  cultura.  Aprendem  a  conviver  e  a  perceber  cultura  como  algo 
inerente a sua própria condição humana e não algo “de fora”, não compartilhado. 
Com  a  educação  popular  aprende-se  que  todos  são  construtores  de  um  universo 
cultural e que deve haver respeito e diálogo entre esses universos. Existem várias 
culturas,  todas  tão  inerentes  ao  seu  próprio  modo  de  vida,  como  protagonistas 
dessa  ação  cultural.  Quebrava-se  o  paradigma  de  que  a  cultura  era  algo 
inalcançável e só realizável quando se era alfabetizado. 
A  educação  popular  está  voltada  para  os  sujeitos  como  pessoas  humanas. 
“Uma intensa fé nos homens” (FREIRE, 2011b). Nas potencialidades humanas que 
em  sua  ontologia  buscam  renovar-se,  superar-se,  transformar-se.  A  educação 
popular  acrescenta  à  educação  de  jovens  e  adultos  a  ideia  dos  seres  humanos 
como  seres  inconclusos.  Ao  mesmo  tempo,  resgata  o  sentido  do  saber  de 

Catálogo: ppged -> wp-content -> uploads -> dissertacoes


Compartilhe com seus amigos:
1   ...   24   25   26   27   28   29   30   31   ...   113


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal