Universidade católica de moçambique centro de Ensino à Distância Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa Literaturas Africanas em Língua Portuguesa I código: P0208 Módulo único 22 Unidades



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Literatura Africana Em Língua Portuguesa I
 
Centro de Ensino à Distância 91 
consequência, apenas Pascoal d’Artignam prosseguindo pelos 
trilho literários (baticã já era conhecido), com Djarama, em 1978, 
uma colectânea de poemas cujo título, em língua fula, significa 
“obrigado”. 
O significado dessas antologias ultrapassa o âmbito da qualidade 
literária desses textos e adquire um valor sócio-ideólogico e um 
importante papel histórico no quadro da afirmação sociológica de 
um sistema literário nacional. São as primeiras obras que se 
publicam depois da independência e dessa força legitimadora tem 
consciência, o prefaciado, anónimo, da primeira, quando afirma 
que “ o que determina a qualidade é a função, pelo valor social 
que possa representar. 
A primeira antologia, Mantenhas para quem luta! (Mantenhas” 
que significa, em crioulo, saudações/cumprimentos) assenta numa 
retórica de assumido compromisso político, em que a veemência 
da expressão se torna panfletária, desvirtuando-se a forma. 
A estética desta poesia constrói símbolos, signos e motivos já 
anteriormente actualizados na escrita de outras áreas geo-poéticas 
e que configuram os núcleos temáticos de dimensão social e de 
dimensão cultural, mas também a liberdade, a consagração da 
vitória, a celebração da pátria e de Amilcar Cabral. 
Outro aspecto que marca o lugar histórico dessas antologias
sobretudo das duas primeiras, é a utilização do crioulo como 
língua de criação literária. Se Mantenhas para quem luta! incluía 
apenas dois poemas em crioulo, com tradução em português, a 
Antologia dos jovens poetas alargará esse número para dezanove, 
numa secção denominada “Espaço Crioulo”, sem tradução. Entre 
os poetas crioulos, José Carlos é, sem dúvida, paradigmático. A 
sua poesia-canção resgata a rítmica da música popular, o que fez 
com essa poesia tenha tido uma recepção massiva. 
Primeiramente, a língua crioula circuscrita à área urbana, o 
crioulo, durante a guerrilha, ganhou um alcance nacional devido à 
mobilização poppular, o que terá contribuído grandemente para a 
sua utilização como língua literária 
Os anos 70 conheceram três outros testemunhos de uma voz 
colectiva, em que se revelaram jovens ainda estudantes do liceu. 
São eles: Mantenhas para quem luta! – a nova poesia da Guiné- 
Bissau (1977), em que se revelaram catorze jovens, tendo seis 
(Armando Salvaterra, António Soares Lopes, Hélder Proença e, 
outros) continuado na Antologia da revolução e a recordação do 
passado recente (s/d. – 1979), esta publicada em Bolama. 
A antologia poética da Guiné-Bissau é a reconfirmação da 
maturidade de uma literatura nacional guineense. Por seu turno, o 
eco do pranto é uma compilação dos poemas cujo tema fosse



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