Universidade católica de moçambique centro de Ensino à Distância Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa Literaturas Africanas em Língua Portuguesa I código: P0208 Módulo único 22 Unidades



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Literatura Africana Em Língua Portuguesa I
 
Centro de Ensino à Distância 76 
e ao cheiro da morte (...) 
(Manuela Margarido, Vós que ocupais a nossa terra) Senhor Barão 
Chegou na ilha... 
Saquitel de três vinténs 
Enterrando na terra barrenta 
A bengala histórica 
Donde surgiria 
A Árvore das Patacas 
- Lenda do cacau 
Escrevendo a história 
.............................................................................................................. 
O cacau subiu 
Encheu bolsas 
O Senhor Barão 
Vem descendo a Casa Grande 
Enxotando os moleques do terreiro 
Montando cavalo alazão 
No giro das dependências 
Descendo à cidade 
Recebendo vénias 
Mais vénias 
"Senhor Barão" 
"Senhor Barão" 
................................................................................................................ 
(...) Mas cuidado gentinha 
Senhor Barão tem imitador 
na terra. (...) 
(Alda Espírito Santo, Senhor Barão) 
A disposição mais narrativa e coloquial deste poema de Alda 
Espírito Santo acentua a sua tendência para uma interlocução com 
o leitor. O discurso poético que se funda na oralidade e se fixa na 
escrita 
parece 
buscar, 
através 
da 
estratégia 
de 
sua 
performatividade, 
uma 
movimentação 
que 
permita 

ultrapassagem simbólica da forma impressa, sugerindo uma 
relação mais íntima e interativa entre a poeta e o seu público, o 
que reduziria, portanto, a distância entre a leitura passiva, 
individualizada, e a corporeidade do gesto, da enunciação 
coletivizante na palavra viva. O arquipélago de São Tomé e 
Príncipe, diga-se de passagem, é pródigo na encenação de autos 
teatrais populares como os do tchiloli, tradicionalmente encenados 
por sua população e profundamente enraizados em seu imaginário. 
Dirigindo-se abertamente à pessoa comum, em ambas as autoras 
se confirma uma flagrante preocupação em alinhar através da voz 
poética um discurso de sensibilização política, realizando uma 
denúncia social onde suas falas se solidarizam com os segmentos 
menos favorecidos da população das ilhas. A relação entre 
oralidade e escrita também alcança momento de expressão na 
prosa desenvolvida por Alda Espírito Santo. Seu livro Mataram o 
rio da minha cidade revela um conjunto de relatos variados onde 
convivem lado a lado a sóia, as crônicas da emigração, a prosa 
memorialista, o canto e o texto dramático. No conto que dá nome 
ao livro, a escritora assume literalmente um papel de contadora de 
histórias, reproduzindo, perante o leitor , o comportamento de um 



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