Universidade católica de moçambique centro de Ensino à Distância Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa Literaturas Africanas em Língua Portuguesa I código: P0208 Módulo único 22 Unidades



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Literatura Africana Em Língua Portuguesa I
 
Centro de Ensino à Distância 69 
Unidade 14. 
Receptividade literária: os poetas da casa dos Estudantes do Império 
Introdução
A recepção da literatura são-tomense foi, durante muito tempo, a 
da poesia são-tomense. Essa atitude parcial de certa crítica é 
compreensível no percurso de uma afirmação literária 
empreendida nos anos 40-50-60 pelos poetas naturais de São-
Tomé, Francisco José Tenreiro, Marcelo da Viega, Tomás 
Medeiros, Alda Espírito Santo e Maria Manuela Margarido e 
assumida como um aspecto de uma nacionalidade própria, a são-
tomense. Nesta unidade vamos tratar, especificamente, do 
contributo que os alguns, dos poucos, intelectuais deram à 
literatura de Cabo-verde. 
Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:


 
Centro de Ensino à Distância 70 
 Conhecer os principais poetas ligados à CEI; 
 Identificar a dimensão nativista de alguns poemas; 
Conhecer 

actividade 
literária 
da 
pós-
independência 
Objectivos 
Com efeito todo o trabalho de produção e críticas literárias, 
conjugado com outras formas de reivindicação da pátria, resultou 
em reconhecimento da individualidade nacional de São Tomé, 
formulada culturalmente em são-tomensidade. Neste tempo de 
contestação, de reivindicação e afirmação cultural e nacional, a 
construção do sistema literário fez-se à volta de topi, motivos e 
ideologemas, de signos e símbolos específicos e de uma certa 
retórica que configuram a estética desses tempos difíceis. 
Demiurgos, tal como Francisco Tenreiro e Medeiros da Veiga, de 
uma literatura nacional, são Alda Espírito Santos, cuja poesia foi 
reunida apenas em 1978, no É nosso o solo sagrado da terra, Maria 
Manuela Margarido, autora do livro de poemas Alto como o 
silêncio, na colecção coimbrã do Novo Cancioneiro, publicado em 
1957 e Tomás Medeiros, este último sem livro publicado. Apesar 
de os contemporâneos dos dois poetas do capítulo precedente, 
ainda que Manuel Ferreira os designe como o núcleo dos que 
vieram depois de Tenreiro, a poesia dos três supracitados só foi 
dada a conhecer pela CEI, primeiramente no caderno Poesia negra 
de Expressão portuguesa (1953), no caso da poesia de Alda 
Espírito Santo, no caso de Tomás Medeiros e, principalmente na 
antologia de Poetas de S. Tomé e Príncipe, organizada e 
prefaciada por Alfredo Margarido. 
Os temas recorrentes desta poesia prendem-se com a questão da 
mestiçagem, na sua lata dimensão bio-cultural, com o corolário do 
abandono dos filhos e a alienação cultural, e com a questão do 
trabalho agrícola, a roça e a monocultura do cacau e do café.
À parte uma escrita vincadamente preocupada com a situação da 
mulher que Alda Espírito Santo realiza, sobretudo em poemas 
escritos depois da independência, tanto a poesia dessa escritora 
como a da sua conterrânea Maria Manuela Margarido têm em 
comum a actualização de um registo vivencial, o registo de uma 
fragmentária evocação da infância e, por vezes, de uma 
experiência intimista, de um passado que o sujeito quer 
presentificado no desejo de resgatar a identidade nacional 
vinculada a uma pretensa cultura original. Daí que esse resgate da 
matriz africana se faça pela evocação da Mulher e da terra-mãe, 
figuras em que se consubstancia a África, e de elementos 
simbólicos da natureza e da cultura. 
É, pois, uma poesia nacionalista, de protesto e reivindicação, 
anunciado e, por vezes, substituindo um fazer politico, que os 
poetas da CEI nunca enjeitaram e que não é a priori democrático. 



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