Universidade católica de moçambique centro de Ensino à Distância Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa Literaturas Africanas em Língua Portuguesa I código: P0208 Módulo único 22 Unidades



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Literatura Africana Em Língua Portuguesa I
 
Centro de Ensino à Distância 61 
terra de origem ( S. Tomé) e ainda como exaltação do homem 
negro de todo o mundo". 
Sumário 
Ilha de nome santo é uma poesia eminentemente insular, os «3 
poemas soltos» cuja estética está em consonância com os poemas 
dos anos 50, revitalizadores de figuras, signos e símbolos 
emblemáticos do mundo negro-africano. 
Exercícios 
1. Leia atentamente o excerto do poema que a seguir se 
apresenta e atribua-lhe o autor, tendo como base os 
conhecimentos que obteve sobre a literatura sao-tomense. 
CORAÇÃO EM ÁFRICA 
Caminhos trilhados na Europa 
De coração em África. 
Saudades longas de palmeiras vermelhas verdes amarelas 
Tons fortes da paleta cubista 
Que o sol sensual pintou na paisagem; 
Saudade sentida de coração em África 
Ao atravessar estes campos de trigo sem bocas 
 Das ruas sem alegria com casas cariadas 
 Pela metralha míope da Europa e da América 


 
Centro de Ensino à Distância 62 
Unidade 13. A poesia e os Fundamentos da Literatura Nacional: 
 (Francisco José Tenreiro “ilha de nome santo”) 
Introdução
 
Tal como ficou dito, Francisco Jose Tenreiro foi, de parceria com 
outro importante nome da literatura de Angola( Mário Pinto de 
Andrade), o autor do célebre Caderno de Poesia Negra de 
Expressão Portuguesa, por um lado e, quem pela primeira vez 
exprimiu em língua portuguesa, vamos nesta unidade analisar o 
seu projecto literario, tendo em atençao as influencias que este 
teve da negritude. 
Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de: 
Objectivos 
 Indicar todas as formas de revindicação dos são-tomenses. 
Francisco José Tenreiro nasceu em São Tomé e Príncipe em 1921 
e faleceu em 1963, numa altura em que se intensificava a Guerra 
Colonial. Geógrafo por formação, usou a poesia para exprimir a 
nova África, já não a dos postais ilustrados e dos povos, plantas e 
animais exóticos, mas a de um novo tempo, marcado pela fusão de 
culturas nativas. 
Tenreiro veio para Lisboa ainda bastante novo numa altura em 
que nos Estados Unidos e na França se ouviam as novas vozes dos 
intelectuais negros a reclamarem os direitos e a proclamarem a 
identidade dos povos africanos. Tenreiro enquadra-se nesta 
corrente. Também ele viveu para exaltar a cultura da sua terra 
natal, se bem que não renegando certos valores adquiridos com a 
colonização. Por isso, mais do que o poeta da negritude, assume 
uma postura de defesa de todas as minorias étnicas, como é visível 
no poema “Negro de Todo o Mundo”. A sua poesia exalta o 
homem africano na sua globalidade, ou seja, a diáspora africana 
que se propagou por todos os cantos do mundo. 
Publicou a sua primeira obra – Ilha de Nome Santo – na colecção 
coimbrã “Novo Cancioneiro”, integrando-se na corrente neo-
realista que então surgia em Portugal. Poeta da mestiçagem, do 
cruzamento de culturas e de vozes, escreve, na “Canção do 
Mestiço”, “nasci do negro e do branco / e quem olhar para mim / é 
como se olhasse / para um tabuleiro de xadrez”, continuando “E 
tenho no peito uma alma grande, / uma alma feita de adição”. É 
nessa adição que reside a diferença. Tenreiro não apela a um 
retorno às origens africanas mas ao respeito das pessoas de todas 
as cores, de todas as tradições. A sua voz é verdadeiramente a voz 



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