Universidade católica de moçambique centro de Ensino à Distância Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa Literaturas Africanas em Língua Portuguesa I código: P0208 Módulo único 22 Unidades



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Literatura Africana Em Língua Portuguesa I
 
Centro de Ensino à Distância 60 
racial". 
Devemos referir também a poetisa Alda do Espírito Santo que 
figura em todas as antologias de poesia africana. A sua poesia, que 
tem também a diferença racial e a exploração colonial como pano 
de fundo, caracteriza-se por uma grande dose de combatividade e 
panfletarismo. No entanto, no seu único livro publicado até à data, 
É Nosso o Solo Sagrado da Terra: Poesia de protesto e luta, 
encontramos também os poemas de grande profundidade lírica, 
que descrevem com traços de verdadeira sensibilidade artística, a 
vida dos habitantes de São Tomé.
Outros poetas , como Tomaz Medeiros, Maria Manuela 
Margarido, Marcelo da Veiga e Carlos do Espírito Santo , mantêm 
uma linha de continuidade em que a temática de fundo é a luta 
contra o colonialismo, a exploração dos negros nas plantações, a 
consciência da diferença que a cor provoca , e a alienação. 
Como já nos referimos, o expoente da poesia sãotomense , e da 
poesia africana, é Francisco José Tenreiro. Duas razões 
fundamentais para esta facto. A primeira é uma razão que se 
reveste de carácter histórico de muita importância. Francisco José 
Tenreiro foi, de parceria com outro importante nome da literatura 
de Angola( Mário Pinto de Andrade), o autor do célebre Caderno 
de Poesia Negra de Expressão Portuguesa, lançado em Lisboa, em 
1953. A publicação, com uma introdução de Mário Pinto de 
Andrade, é uma pequena antologia de poetas de Angola, 
Moçambique e São Tomé e Príncipe e ainda um poema de Nicolás 
Guillén,a quem o caderno é dedicado. Tem como objectivo 
fundamental uma reflexão sobre o que devia entender por 
negritude na África sob dominação portuguesa. O último período 
da introdução é bem explícito com relação ao propósito da 
publicação do caderno, que se destina "fundamentalmente aos que 
sabem encontrar-se reflectidosnesta poesia, e aos que, 
compreendendo a hora presente de formação de um novo 
humanismo à escala universal, entendem que os negros exercitam 
também os seus timbres particulares para cantar a grande sinfonia 
humana." 
A segunda razão por que Francisco José Tenreiro é um marco de 
máxima importância na literatura africana vem resumida na 
introdução atrás citada. As palavras do poeta angolano sintetizam, 
a nosso ver, o conteúdo temático e formal da poesia de Tenreiro. É 
por tal motivo que nos permitimos terminar a referência ao grande 
da negritude em português com as palavras de Mário Pinto de 
Andrade: " Quem pela primeira vez exprimiu em língua 
portuguesa foi sem sombra de dúvida Francisco José Tenreiro no 
seu livro Ilha de Nome Santo, datado de 1942. Devemos assinalar 
que ele encontrou por si, individualmente, as formas mais 
autênticas de expressão subjectiva e objectiva. A Ilha de Nome 
Santo aparece assim como um feliz encontro dos temas da sua 



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