Universidade católica de moçambique centro de Ensino à Distância Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa Literaturas Africanas em Língua Portuguesa I código: P0208 Módulo único 22 Unidades



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Literatura Africana Em Língua Portuguesa I
 
Centro de Ensino à Distância 53 
provocar uma explosão de consciência, porque faz ferver também 
o sangue do povo cabo-verdiano diante da fome e dos filhos 
voltados para o mar, afinal o chão/ terra/ pátria é do povo. 
Podemos dizer que há uma simbiose entre o “chão do povo chão 
de pedra” e o corpo do sujeito, já que os campos semânticos 
“rosto, coração, boca, sangue, pulmões, ossos” e “fogo, vulcão, 
sol, chão, pedra, lenha, mato, plantas” se ligam directamente. 
Assim, se o sol repetidamente faz parte de um cenário em que o 
vento/ enche/ a boca de espelho (Idem, p. 27) ou Ó cabra de sono 
ó poço de abandono/ Ó crepe de terra ó cratera/ De cabelo crespo 
(Idem, p. 32), versos do primeiro canto, neste poema, a imagem do 
“sol a sol” se potencializa, com o verbo ´ferver´ indicando um 
movimento do sujeito, e com o símbolo do vulcão do Fogo, 
marcando todo um estado de ebulição. 
Na leitura de Ana Mafalda Leite: “a descrição do aparente ser 
passivo e resignado do ilhéu, em consonância com o tempo 
parado, concêntrico e imutável da nudez das rochas e das ilhas, 
revela-nos que aquele iniciou o movimento prospectivo e 
germinado no interior de si, e que a sua reacção entra, uma vez 
mais, em empatia com a actividade e a sageza mineral das ilhas. O 
símbolo do vulcão remete para essa surda movimentação que agita 
o interior e o exterior, as ilhas e o ilhéu, em estreita 
correspondência.” (LEITE, 1995, p. 124) 
A própria disposição gráfica dos versos e o ritmo do poema, com o 
uso, por exemplo, de aliterações como “o sol ferve-te o sol no 
sangue”, sugerem esse movimento. É fundamental destacar o 
depurado trabalho estético desenvolvido pelo poeta. “De boca a 
barlavento”, poema que abre o canto primeiro, nos dá pistas sobre 
os passos da construção do texto de Corsino Fortes: Poeta! todo o 
poema: / geometria de sangue & fonema (2001, p. 17) ou 
Há sempre 
Pela artéria do meu sangue que g 





De comarca em comarca 
A árvore E o arbusto 
Que arrastam 
As vogais e os ditongos 
para dentro das violas 
Construídos pedra a pedra, palavra a palavra, os poemas revelam 
uma inventividade que, de fato, rompe com modelos anteriores da 
literatura cabo-verdiana. Há uma exploração das matérias do 
significante (o som, a letra impressa, a linha, o espaço da página), 
que apontam para outras possibilidades de leitura do Arquipélago 
e do fazer poético. Com influência também da poesia modernista 



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