Universidade católica de moçambique centro de Ensino à Distância Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa Literaturas Africanas em Língua Portuguesa I código: P0208 Módulo único 22 Unidades



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Literatura Africana Em Língua Portuguesa I
 
Centro de Ensino à Distância 51 
É assim que Corsino Fortes, buscando referências principalmente 
na realidade plural e colectiva das ilhas, canta suas origens, os 
labirintos da memória e o acontecer da palavra, participando da 
construção de um novo percurso para a poesia cabo-verdiana 
contemporânea. 
O projecto literário de Corsino Fortes consolida-se com a reunião 
dos seus três livros de poesia na obra intitulada A cabeça calva de 
Deus (2001): os dois primeiros livros, Pão & fonema (1974) e 
Árvore & tambor (1986), somam-se ao terceiro, Pedras de sol & 
substância, publicado com a obra poética. Cada livro apresenta 
uma estrutura particular, e os três compõem uma estrutura 
conjunta e dialógica. Em uma das entrevistas concedidas pelo 
autor, aquando do lançamento de A cabeça calva de Deus, assim 
caracterizou, em linhas gerais, a trilogia: 
“Acaba por ser todo o projecto de independência do povo de Cabo 
Verde, em que Pão & Fonema representa, de facto, os símbolos 
daquilo que é fome, daquilo que é a realidade de Cabo Verde 
durante séculos, e, por outro lado, a exigência pela palavra, 
liberdade e cultura. Em Árvore & tambor já há a materialização do 
“pão”, no sentido dos instrumentos de produção do país e toda a 
comunicabilidade do arquipélago com África e o mundo. 
Pão & Fonema 
Pão & fonema, escrito antes de 1975, ano este da independência 
de Cabo Verde, apresenta um cartograma do Arquipélago, com 
destaque para a ilha de São Vicente, terra natal do poeta, através 
de uma proposição e três cantos. Na apresentação geral da obra, a 
imagem circular da geografia físico-social e da dinâmica temporal 
de uma grande Ilha, formada pelas dez ilhas e ilhéus, impõe-se 
como o assunto do poema fortiano, como podemos perceber nos 
versos Ano a ano/ crânio a crânio/ Rostos contornam/ o olho da 
ilha” (Idem, p. 13) ou “Ano a ano/ crânio a crânio/ Tambores 
rompem/ a promessa da terra (Idem, p. 13). 
Assim, o rosto da Ilha de Cabo Verde vai ganhando forma na 
confluência das ilhas, pedras moldadas pelo tempo e pelas 
palavras daqueles que, desde o início, foram lhe dando voz e 
sentidos. 
Os símbolos que dão título à obra dramatizam todo um ciclo de 
luta pela sobrevivência, de resistência à colonização portuguesa e 
de afirmação dos valores do homem da terra. O “pão” é o 
resultado de um processo de semeadura da terra e, 
consequentemente, da vida: o homem cabo-verdiano, agricultor 
teimoso que insistentemente, “ano a ano”, joga a semente, colhe o 
milho e produz o seu próprio alimento, pão do corpo e pão do 
espírito, pois permite que também possa escolher ficar ao invés de 



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