Universidade católica de moçambique centro de Ensino à Distância Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa Literaturas Africanas em Língua Portuguesa I código: P0208 Módulo único 22 Unidades



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Literatura Africana Em Língua Portuguesa I
 
Centro de Ensino à Distância 50 
Angola e de São Tomé e Príncipe; de 1975 a 1981, embaixador da 
República de Cabo Verde junto à República Portuguesa; em 1981, 
de volta a Cabo Verde, secretário de Estado adjunto do primeiro-
ministro; em 1983, secretário de Estado da Comunicação Social; 
entre 1986 e 1989, embaixador de Cabo Verde junto à República 
Popular de Angola e aos governos de São-Tomé e Príncipe, 
Zâmbia, Moçambique e Zimbabwe; de 1989 a 1991, ministro da 
Justiça pelo governo de Cabo Verde; consultor diplomático, em 
1992, do I programa PALOP. Também foi presidente da Fundação 
Amílcar Cabral e presidente da Associação de Escritores Cabo-
verdianos, entre outras actividades. A lista é realmente grande e 
justifica as condecorações que já recebeu, entre elas, a da Ordem 
do Vulcão pelo governo cabo-verdiano. 
Se as actividades políticas de Corsino Fortes são extensas, o poeta 
Corsino tem uma obra concisa, mas não de menor consistência que 
a carreira diplomática. Ao contrário, o escritor é considerado um 
dos grandes nomes da literatura de Cabo Verde, tendo inaugurado 
uma poética de reescrita da identidade cultural cabo-verdiana 
através de um trabalho com o aparato estético do poema. A 
proposta de uma poesia da cabo-verdianidade das primeiras 
décadas do século XX, com os grupos Claridade e Certeza, por 
exemplo, ganha novos contornos e a linguagem combativa do 
período de luta pela independência dá lugar a novos modelos de 
representação. Segundo estudo da professora Carmen Lucia Tindó 
Secco, a obra de Corsino Fortes rompeu paradigmas em relação às 
produções anteriores: 
“Com a obra de Corsino Fortes, os cânones literários do passado 
foram definitivamente ultrapassados. Muitos de seus poemas 
dialogaram intertextualmente com os de poetas das “gerações” 
anteriores, como Jorge Barbosa e Gabriel Mariano. Fez a releitura 
da poesia de Claridade, negando a proposta de evasionismo e 
afirmando a necessidade de fecundar a esperança de 
transformação dentro das ilhas. Releu também Ovídio Martins, 
contradizendo-o: “Já não somos os flagelados do Vento Leste”, 
pois o vento tornou-se metáfora anunciadora de mudanças sociais, 
um signo caboverdiano de desafio (…) A poesia de Corsino 
aprofundou a proposta do anticolonialismo fundada pelo grupo 
Sèló e questionou também os séculos de dominação portuguesa. 
Enfim, o autor ampliou o debate sobre a redescoberta dos valores 
culturais da terra, construindo uma poesia de estrutura épica 
dinâmica, na qual são encenadas não só a história e a voz colectiva 
do povo cabo-verdiano, mas também a subjectividade e as 
experiências do eu-lírico. Para a ensaísta Ana Mafalda Leite, “a 
modelização épica, que abrange e desenvolve o que na expressão 
de Hamilton é denominado por “estratagema do eu intimista como 
voz colectiva” (…) torna-se uma das soluções que visam resolver 
a problemática da identidade nacional” (LEITE, 1995, p. 112).



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