Universidade católica de moçambique centro de Ensino à Distância Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa Literaturas Africanas em Língua Portuguesa I código: P0208 Módulo único 22 Unidades



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Literatura Africana Em Língua Portuguesa I
 
Centro de Ensino à Distância 27 
Andrade, preconiza um temário poético exclusivamente 
brasileiro, popular e tradicional, reagindo contra os parnasianos. 
O romance regional nordestino de Raquel de Queiroz, José Lins 
do Rego, Jorge Amado, Graciliano Ramos, o romance urbano de 
Erico Veríssimo, a obra de Gilberto Freire e os estudos de Artur 
Ramos sobre o negro africano no Brasil, são particularmente 
sensíveis para os escritores cabo-verdianos, por tudo o que 
aproxima o Brasil de Cabo Verde: o processo aculturativo, o 
ethos africano, as secas nordestinas, com o corolário de desgraças 
conhecidas pelo ilhéu cabo-verdiano. 
Dentro das influências literárias, deverá falar-se também do 
escritor António Pedro, um dos fundadores do surrealismo 
português, que, em 1929, estivera na sua terra natal, convivendo 
com Jorge Barbosa, Jaime de Figueiredo e outros. Subtilmente, o 
poeta enuncia, em «Poemas Autobiográficos» (1953) e em 
«Panfletário» (1966), o desejado pelo não realizado, o dito pelo 
não dito. Traduz, por um processo de dissimulação, aquilo que é 
e, sobretudo, aquilo que deveria ser nas aspirações mais íntimas. 
Em «Panfletário», coloca em termos políticos e sociais o 
desajuste entre o ser e o estar, isto é, as várias razões castradoras 
da realização da «Magnífica aventura de ser panfletário». 
É esta evolução para uma acentuada consciencialização política e 
social da função da literatura e da arte que irá nortear o terceiro 
período da sua obra poética – o pós-claridoso ou da mudança. 
Evolução corajosamente já patenteada nos livros publicados, em 
que, antes de mais nada, revela a idiossincrasia da personalidade 
islenha. E, numa consciência social muito experimentada, toca 
toda a temática do Homem das ilhas: as secas, a fome, a morte 
prematura, a prostituição, o abandono e a Viagem (motivo 
fundamental). Desejada ou necessária, a Viagem é um percurso 
entre os espaços, transição no plano mental, afectivo ou 
intelectual, retorno às origens e à mística da terra, entre o real e o 
onírico. 
Daí que toda a obra publicada (em livro ou dispersa) prepare esse 

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