Universidade católica de moçambique centro de Ensino à Distância Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa Literaturas Africanas em Língua Portuguesa I código: P0208 Módulo único 22 Unidades



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Literatura Africana Em Língua Portuguesa I
 


 
Centro de Ensino à Distância 26 
Podemos agrupá-la em três períodos: 
O primeiro, pré-claridoso, de 1928 a 1935 (poesia inédita em 
livro até Arquipélago); o segundo, o período claridoso, de 1935 
aos fins dos anos 1950 (incluindo a publicação de Ambiente e 
Caderno de um ilhéu); o terceiro, de 1959 a 1969, pós-claridoso 
ou da mudança (poesia inédita). 
O primeiro período define-se como preparação e fermentação de 
um novo ideário ético-estético. 
Intelectualizada pela poesia a consciência da insularidade, o 
poeta encontra-se apto a analisar as situações sociais motivadas 
por circunstancialismos político-geográficos. Em 1932, sai o 
poema «O Baile», iniciático da sua viagem interior rumo às 
origens, verifica-se um envolvimento nas suas raízes como 
propósito definido), numa cena do quotidiano, em que a negra 
que amamenta a criança «de ébano polido» é sublimada pela 
analogia com a Virgem-Mãe, olhando o Cristo-Menino, 
reiterando o princípio da gestação rácica. No plano da 
representação, os elementos típicos e ambientais (a morna, os 
pares dançando, o quarto de terra batida, o suor e a aguardente) 
aludem ao submundo do porto de São Vicente, tema que é 
retomado noutros poemas, posteriormente, em «Roteiro da Rua 
Lisboa» (Claridade nº 9, em 1960) e «Meninas Portuárias» 
(inédito, 1966), e que lembram outro grande Mestre das letras 
cabo-verdianas, o novelista António Aurélio Gonçalves. 
Verificamos que há uma intenção clara de definir um espaço 
vital, «a terra mater», já a partir de 1930, em poemas 
possivelmente escritos antes. Na verdade, tanto o seu livro 
Arquipélago, como parte dos poemas publicados no livro 
Ambiente, já estavam escritos em 1933, segundo cartas que o 
poeta escreve a Manuel Lopes, revelando a precoce modernidade 
cabo-verdiana. A consciência, pois, do presente vivido, 
anunciado nos seus pontos nevrálgicos: as secas, o drama 
centenário da fome, o desprezo que o poder central metropolitano 
manifestava em relação aos problemas trágicos das ilhas, a fuga 
para outros climas. Aliás, em 1931, Jorge Barbosa publicava, em 
O Notícias de Cabo Verde, n° 6, um artigo em homenagem a 
Eugénio Tavares («Eugénio – tópicos de uma monografia»), em 
que usa, pela primeira vez, a expressão «caboverdianismo» no 
conceito que modernamente atribuímos a «cabo-verdianidade». 
Caboverdianizar a literatura era, afinal, o que pretendiam, à 
semelhança do que acontecia no Brasil, desde 1922, após a 
Semana de Arte Moderna.
De facto, o modernismo brasileiro, desenvolvido nas décadas de 
1930 e 1940 por poetas como Mário de Andrade, Manuel 
Bandeira, Ribeiro Couto, Jorge de Lima, Carlos Drummond de 



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