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 A CONTAÇAO DE HISTÓRIA AS CRIANÇAS E OS PROFESSORES



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2. A CONTAÇAO DE HISTÓRIA AS CRIANÇAS E OS PROFESSORES

2.1 O que é contação de história

A contação de história surgiu antes mesmo da escrita, pois, desde o princípio

a humanidade sentia a necessidade de repassar, através da oralidade, fatos

históricos que faziam parte do passado de cada povo. De acordo com Busatto (2006,

p.20); “o conto de literatura oral se perpetuou na história da humanidade através da

voz dos contadores de história”.

Maior exemplo são os povos indígenas, pois Busatto (2006) destaca a

importância que os índios davam aos círculos formados para dividir acontecimentos

do passado de seu povo para as gerações.

[...] o pajé, que tinha só ele, os segredos da arte de dizer, deixou de ser um

mero instrumento de diversão e encantamento popular, para ser depositário

das tradições da tribo, as quais ele deveria transmitir às novas gerações

para serem conservadas e veneradas através dos tempos (Busatto, 2006,

p.17).

O momento da contação de história era realizado pelo membro mais velho da



comunidade, em sinal de respeito por toda sua experiência de vida e de ter em sua

maioria das vezes vivido os fatos relatados, então todos se juntavam em um círculo

ao redor de uma fogueira e ouviam atentamente todas as histórias. (BUSATTO,

2006).


Sendo assim, o contador tornou-se um membro respeitado dentro de sua

comunidade, por ser considerado o mais sábio, onde todos pediam seus conselhos.

As histórias passadas respeitavam os costumes de uma determinada

comunidade. Busatto (2006, p.25) diz que: “A contação de história ou narração oral

ao sujeito que conta e ao sujeito que ouve um contato com outras dimensões de seu

ser e de sua realidade que os cerca”.

Poderemos atribuir este transporte mental para aqueles que escutem a uma

história a forma que ela esteja sendo repassada, pois é preciso que aconteça um

envolvimento entre o leitor e seu público, para que este se envolva na magia dado

conto executado. Dentro do contexto histórico que a contação de história é uma

prática muito antiga, pois atendia as necessidades de perpetuar um povo e este

momento era muito importante para todos. (BUSSATO, 2006).




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Com o decorrer do tempo a contação de história foi aproveitada para muitos

propósitos como os religiosos, pois viram que era uma maneira de propagar as

religiões, como também entreter a realeza de algumas regiões como os menestréis

que tinham lugares de destaques nos reinos visitados. Segundo BUSATTO, (2006, p.

24) “Até os nossos dias de povos civilizados ou não, tem usado as histórias como

veículos de verdades eternas, como meio de conservação de suas tradições ou

difusão de novas ideias”.

Com o desenvolvimento da sociedade, e o surgimento da escrita deu-se

origem aos contos onde os contadores de histórias também tiveram que mudar sua

postura para que se mantivessem no posto de importantes contadores de histórias,

pois tinham a oportunidade de mexer com o imaginário das pessoas.

Mesmo com o surgimento do cinema e o mundo virtual, para TAHAN, (1996, p.

16), “a arte de contar histórias encanta crianças, adultos ricos, pobres, sábios e

ignorantes, todos, enfim, ouvem com prazer as histórias dando-lhes vida e cativando

a atenção”.

São muitos os gêneros literários estudados pelas crianças, mas, o que tem o

maior poder de encantar as crianças da educação infantil são os contos de fadas,

portanto para Tahan (1996, p.38), “o ato de contar histórias, é utilizada como veículo

de verdades eternas”, visto tal afirmação a contação resiste ao tempo e perpetua

toda herança cultural de um povo, pois dentro da educação infantil, temos a

oportunidades de passar para as crianças os ensinamentos que foram nos passados

com os nossos descendentes.

Quando a criança escuta uma história infantil sua imaginação vai além, das

fronteiras do imaginário e leva-a ao encantamento do seu mundo infantil onde só

existe em sua mente.

As histórias infantis têm o poder de auxiliar as crianças em seus temores,

traumas, lesões, desafios e dificuldades. Por isso é tão importante que as crianças

tenham contato com o mundo imaginário das histórias.

Segundo Bettelheim (1980), a contação de história oral é uma passagem para

o desenvolvimento amadurecimento e sedimentação da individualidade, da

autovalorização e da importância de um futuro feliz, assim gerando a renúncia das

conexões infantis e deixando abertura para o diálogo com a obrigação moral e a

convivência social, ajustada na consideração ao outro.




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A história na educação infantil oferece estruturas para encarar os problemas

de modo proveitoso e criativo, conduzindo a criança ao um mundo magnífico onde

os métodos vivenciados pelos personagens e suas aventuras são cheias de

significados. A criança sente isso, ela embarca no mundo do conto, um mundo de

expectativa, escolhas e possibilidades: alternativas sobre o que fazer diante de uma

ampla limitação, possibilidades e recursos criativos para a superação dos problemas

e como lidar com os sentimentos.

2.2 A contribuição da contação de história para as crianças

Dentro da história da educação, percebe-se que a criança, era vista como um

adulto em miniatura, pois sua educação era formada para seguirem as mesmas

posturas intelectuais de um adulto. Os contos que eram passados pelos mestres

contadores de histórias tinham linguagem adulta visto que a sociedade mantinha a

forma de ver a criança com a capacidade de pensar de um adulto em potencial. Era

comum ver as crianças vestindo-se e se comportando da maneira que uma criança

jamais faria. ARIÈS (1981, p.65) afirma que “a infância começou a ser descoberta no

século X e seus sinais ficaram mais evidentes a partir do século XIII”.

Ao observar melhor, muitos escritores de contos infantis modificaram a linguagem

para tornar mais infantil, provocando a mudança da postura dos mestres educadores

da época.

A criança consegue captar informações com mais riqueza quando entende e

compreende o que escuta, assim quando os contos e histórias infantis tem

linguagem de fácil compreensão para as crianças da educação infantil alcançaremos

os objetivos esperados.

O contador de histórias pode utilizar a contação de histórias como ferramenta

para acalmar e distrair as crianças, mas seu objetivo abrange outros focos, pois esta

ferramenta, quando bem utilizada tem a capacidade de desenvolver a oralidade da

criança, a socialização, o cognitivo além de poder fazer parte do planejamento do

professor, um texto para ampliar os conteúdos programados. De acordo com o

pedagogismo, Abramovich, (1995, p.17):




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(...) é através de uma história, que se pode descobrir outros lugares,

outros tempos, outros jeitos de agir, ser, outra ética, outra ótica. É

ficar sabendo de história, geografia, filosofia política, sociologia, sem

precisar saber o nome disso tudo e muito menos achar que tem cara

de aula(...).

Quando a criança ouve uma história, viaja em sua imaginação, percebe que

o mal está tão presente quanto o bem. Existem várias barreiras a serem

ultrapassadas, surgindo decisões de solução que permitem que a vitória aconteça.

Todos esses aspectos são itens da vida psíquica da criança, formalizando o método

de assimilação.

Aquele herói que luta, passando por tanto sofrimento até chegar à vitória,

mostra a possibilidade de não desistir diante das dificuldades da vida real e ter

ânimo para superar todos os obstáculos que a vida impõe.

É isto que a história faz, cria mecanismos para afrontar os problemas de

forma saudável, criativa e dinâmica, levando a criança a um mundo extraordinário,

onde os processos vividos pelos personagens e suas aventuras são cheias de

significados. A criança percebe isso, ela “embarca” no mundo da história, um mundo

de esperança, opções e possibilidades, opções de atitude a tomar diante de uma

grande dificuldade, estratégias e soluções criativas para vencer os problemas,

criando táticas para lidar com as emoções.

O conto de fadas é a história exclusiva que de jeito simples e simbólico fala

dos danos, da fome, da morte, da ausência, do medo, da renúncia, da brutalidade.

Eles têm seus alicerces nas etapas do inconsciente grupal, em sentimentos

semelhantes a toda a humanidade, por isso descobrimos histórias muito parecidas

em várias culturas pelo mundo e em eras diferentes.

A leitura para a criança nas primeiras fases possui um poder extraordinário na

futura vida acadêmica, pois dessa forma os sentimentos complexos são organizados

de um modo fácil de compreender especialmente pelas crianças, revela que é

natural ter pensamentos destrutivo e negativo, que não se é basicamente construtivo

e positivo e que é preciso coordenar os sentimentos e as intenções contraditórias.

De acordo com Máximo-Esteves (1998, p.125):

O prazer que a criança tem de ouvir e contar histórias são um claro

indicador de que a fantasia e a imaginação são muito importantes para ela

conhecer e compreender. Ora as histórias são o modo mais corrente de

integrar a cognição e a imaginação, a Educação Ambiental e a fantasia.




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A história infantil proporciona na criança uma alegria inexplicável, um prazer

que exala por suas atitudes diárias. A história traz ensinamentos positivos para e

que nem sempre são percebidos no ato que a criança escuta a história.

Como é reforçado por Abramovich (2003, p. 24):

Ouvir histórias é um momento de gostosura, de prazer de divertimento dos

melhores... É encantamento, maravilhamento, sedução [...]. E ela é (ou

pode ser) ampliadora de referenciais, postura colocada, inquietude

provocada, emoção deflagrada, suspense a serem resolvido, torcida

desenfreada, saudades sentidas, lembranças ressuscitadas, caminhos

novos apontados, sorriso gargalhado, belezuras desfrutadas e as mil

maravilhas mais que uma boa história provoca [...] (desde que seja uma boa

história)

Estas histórias, tão deliciosas, estimulam processos mentais que levarão à

organização de ideias adequadas ao direcionamento e ampliação de valores éticos,

adequador á para construção da autoestima e da cooperação social.

A criança que escuta histórias infantis tem mais facilidade de sociabilização, e

torna-se um jovem mais conscientes, da cooperatividade com o próximo, pois

quando a senta em uma roda para escutar a história, comenta, interpreta, reconta,

opina, aprende a esperar sua vez de participar, a dar vez ao colega que faz parte da

roda de história. Aprende a ouvir, a falar e expressar-se melhor. Percebe-se que o

desenvolvimento do psico das crianças que escutam histórias infantis é mais

aguçado do que o de criança que não tem esse hábito diário.

Oferecer tal oportunidade para as crianças, de participar de momentos

lúdicos, ao mesmo tempo em que gere aprendizagem, significa habilita-la para que

possa ampliar as suas potencialidades da língua materna.

Segundo Coelho, (2002 p. 12):

A história infantil mantém o mundo mágico que tem na criança há quem

conte histórias para destacar mensagens, repassar conhecimento, fazer

obedecer até fazer uma espécie de intimidação se não bagunçar, conto uma

história. “se isso” “se aquilo” quando contrário que funciona

A história acalma, deixa a criança sossegada, chama atenção, informa e

educa, enfim apenas pontos positivos são registrados na pratica da contação de

história, na vida escolar e social das crianças da educação infantil.




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2.3 Contação de história e os professores

O professor da Educação Infantil tem em suas mãos a liberdade de levar para

seus alunos um universo de fantasia, um mundo onde as crianças irão se descobrir,

de forma divertida e prazerosa.

É de suma importância que o professor utilize métodos dinâmicos para levar a

história infantil para seus alunos, dessa forma ficará mais fácil para os mesmos

entenderem e compreenderem a história contada. Como afirma Góes (1997, p. 18):

Privilegiar atividades com histórias e materiais literários tem, por certo,

repercussões positivas para a criança. Pesquisas têm indicado que, na

infância, as experiências com narrativas, em vários contextos, são

instâncias de refinamento da cognição.

Não podemos nos deter apenas na contação de história, o professor pode

utilizar-se de vários recursos como: desde simples narrativa; histórias narradas com

auxílio do livro; com gravuras; com Flanelógrafo; desenhos, com Recortes; painéis;

carimbos; dobraduras; legumes; teatro de sombras; Mala mágica. Enfim são várias

as estratégias para tornar as histórias mais dinâmicas. Dependerá da criatividade do

professor para desenvolver um trabalho satisfatório com os alunos. (ABRAMOVICH,

2003)

Para que o professor possa ter um bom desenvolvimento em sua contação é



preciso preparação antes de iniciar, pois não terá sucesso em seu momento. Ele

poderá seguir os seguintes aspectos: primeiramente selecionar a história que será

contada de forma minuciosa e cuidadosa e se questionar como as histórias

selecionadas irão auxiliar sua turma. Recriar a história. Não se deve eleger uma

história e contá-la em sua forma autêntica. É necessário passá-la para a linguagem

oral e usar sua criatividade para conta-la. Para finalizar e preciso estudar ler várias

vezes o texto visualizando as cenas é saber contar a história e não repeti-la.

Abramovich (2003, p.18) destaca que:

Contar histórias é uma arte [...] e tão linda! É ela que equilibra o que é

ouvido com o que é sentido, e por isso não é nem remotamente declamação

ou teatro [...] Ela é o uso simples e harmônico da voz.

Na atualidade, existem diversos métodos que podem auxiliar o professor em

sua contação de história além dos que foram citados acima, tais como:



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[...] imagens visuais e paisagens sonoras nítidas, e apresenta um sujeito

contador com domínio de recursos vocais e corporais [...] muda a intenção

de contar, mas permanece o que é essencial: a condição de encantar, de

significar o mundo que nos cerca, materializando e dando forma às nossas

experiências. (BUSSATTO, 2006, p 10).

O imaginário oferece ajuda que auxiliará a criança na sua forma de

compreender, conviver, participar e agir no mundo. Para uma história ser atraente,

chamar a atenção, entreter estimular a curiosidade da criança, não é necessário que

seja nova para ela, mas que despertem sentimentos, que mostrem soluções, que

nem sempre serão percebidas, e que fale na linguagem que a criança se encontra.

As crianças necessitam reviver a fantasia, pois esta propicia ao imaginar um

mundo com outras possibilidades. Criar situações criativas e utilizar instrumentos

certos tornará o momento de contação de história agradável e satisfatório.

O professor deve estimular seus alunos da educação infantil com momentos

que os levem a sentar e escutar e prestem atenção num momento. A educadora

deve preparar um cantinho na sala de aula e bem criativo, harmonioso e confortável,

analisar a iluminação, a posição das cadeiras, a posição em que os alunos estão

sentados na roda de leitura. Evitar rodas de leituras em lugares abertos como

quadra, pátio ou praças. Tantos cuidados devem ser tomados, pois as crianças

despertam facilmente dispensam a atenção. Assim o momento de contação se

tornará mais agradável para que o professor tenha êxito em sua contação.

(BUSATTO, 2006)

O professor deve tornar a leitura das histórias infantis hábito, diário, assim

enriquecerá o vocabulário das crianças, pois elas aprendem com a repetição da

ação pedagógica. O momento da contação de história não é apenas diversão. São

momentos de aprendizagens, de novos conhecimentos onde os alunos despertam

para um novo mundo.

O importante é que o professor no exercício da docência, em sendo um

leitor, aprecie as peculiaridades das linguagens e, assim, passe essa paixão

no processo de formação de leitores. É imprescindível que estas,

efetivamente, consigam não somente distinguir a natureza das linguagens,

mas também desenvolver o gosto pelo literário, pelo uso estético da

linguagem, pelos efeitos estéticos da linguagem, pelos efeitos que ela

produz na construção e no enriquecimento da interioridade de cada leitor

(ROSING, 2009, p. 134).

O professor tem a oportunidade de estimular o raciocino de seus alunos

através dos novos conhecimentos, dando a oportunidade de participar ativamente

dos momentos da contação de história.



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Para Poeys (2007), a contação de histórias no processo ensino e

aprendizagem do aluno da educação infantil não resolve o problema da qualidade do

ensino, mas, se motivado, é fator que responde pela qualidade desta primeira etapa

da educação básica.

O compromisso do educador da educação infantil é com a história, enquanto

fonte para as necessidades básicas das crianças. Se os pais tiverem o habito de

contar historias para seus filhos desde pequenos, gostarão de livros vindos a serem

leitores ativos em sua vida acadêmica como também por toda sua vida. Elas irão

descobrir as histórias como aquelas que lhes eram contadas.

Segundo Coelho (2002, p. 10) “a história faz todos se alegrarem a aula

passa ser divertida, prazerosa e o professor estará bem satisfeito com a participação

dos seus alunos em suas aulas”. Mas, para que isso acorra o narrador que será o

professor deve estar ciente de que é de suma importância que a história, que sua

função é de apenas contar o que aconteceu, emprestando vivacidade à narrativa.

O professor diante da necessidade de passar para seus alunos da educação

infantil a história infantil precisa se aperfeiçoar para garantir um bom

desenvolvimento na contação. Assim tornará mais fácil para assimilação do que o

professor ou contador quer passar para o as crianças através da contação de

história.

Sisto (1992, p. 43) destaca que é preciso preparar para tal momento.

Aprender uma história para contar é como construir um filme. Temos que

visualizar mentalmente cada coisa que vai sendo contada. Sermos capazes

de recontá-la de memória sem que tenha sido preciso decorá-la.

Selecionamos os gestos e as vozes que serão utilizados como

continuadores da palavra, [...]. A palavra, por sua própria força, demanda

gestos e expressões que surgem de forma orgânica, como continuidade,

nunca como ruptura. [...] Um contador de histórias é também um agente de

sua língua. Por isso a correção, a clareza, a eliminação de vícios de

linguagem e a preservação da literalidade do texto, mesmo numa fala

cotidiana, devem fazer parte de suas preocupações.

O professor deve usar de várias táticas para desenvolver em seus alunos a

hábito de escutar história e futuramente serem leitores que compreendam e

interprete o que está lendo dessa forma serão leitores conscientes que a leitura

surgia do ouvir e ouvir com estimulo e assim serão agentes que repassarão o que foi

desenvolvido durante o período da educação infantil.



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