Uma Mulher no Escuro



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Uma Mulher no Escuro - Raphael Montes (2)
EXAME 013052022, A Cinco Passos de Voce - Rachael Lippincott, WORKSHOP TER 25JAN protected
meus motivos são outros, pensou em seguida.
“Então você também é meio esquisita…” Ele riu e enfiou a mão no bolso, de
onde tirou um celular velho da Nokia. “Esse tijolo só serve pra ligar e mandar
mensagem. Quando veem isso, as pessoas me encaram como se eu fosse de
outro planeta.”
“Qual é a história do livro que você está escrevendo?”, ela perguntou.
“Preciso responder essa? Pode me levar algemado, se quiser.”
“Não precisa”, ela disse, e o silêncio que se estendeu a fez compreender que a
hora de ir embora estava chegando. A cólica voltava com toda a força. “Acho
que preciso ir.”
“Mas já?” Georges simulou folhear papéis imaginários em suas mãos. “Nem
comecei meu interrogatório, mocinha.”
“Sem interrogatório hoje… mocinho.”
“Mas qual é a pressa? Seus pais ficam bravos se você chega tarde em casa?”
“Não tenho pais.” Victoria fechou as mãos com força. Ergueu a cabeça e fixou
os olhos em Georges. Queria ver sua reação. “Eles morreram faz tempo.”
“Nossa, sério? Eu… sinto muito.”


“Nossa, sério? Eu… sinto muito.”
Georges desviou os olhos para os sachês de açúcar sobre a mesa.
“Na verdade…” Victoria tinha sentido um prazer inconfessável ao jogar
problemas reais em cima de Georges. O que era a história dele comparada ao
que tinha acontecido com ela? Então prosseguiu: “Meus pais eram donos de uma
escola de bairro na Ilha do Governador. Um dia, um garoto entrou em casa e
matou os dois com um facão. Além do meu irmão. Depois pichou a cara de todo
mundo com tinta preta”.
“Pichou?”
“É. Pichou.”
Georges colocou as mãos sobre a mesa, agarrando o tampo como quem segura a
trava de segurança em um carrinho de montanha-russa.
“Só eu sobrei”, Victoria concluiu.
“O garoto foi preso?”
“Na mesma noite. Chamava Santiago. Estudava na escola dos meus pais.
Tinha dezessete anos e fazia parte de uma turminha meio delinquente. Ficou
conhecido na imprensa como o Pichador.”
“Quantos anos você tinha?”
“Quatro. Não lembro muita coisa.”
“Que história…”, Georges disse, um pouco constrangido.
“Sou a órfã da família Bravo. Você deve ter ouvido falar…”
“É um caso famoso? Tipo o da família Von Richthofen?”
“É mais antigo. De 98. Mas a imprensa também fez a festa. O diretor, a
professora de matemática e o filho deles, todos assassinados em casa por um
aluno.”


“Desculpa, eu… Eu não sabia.”
Parece que nem todo mundo lida bem com esses assuntos, dr. Max, ela pensou.
Georges a estudava como se dissecasse um animal na aula de anatomia.
Mesmo que tentasse disfarçar, dava para ver que estava perturbado.
“Por que o garoto fez isso?”, ele perguntou. “Quero dizer… entrar na sua casa
e…”
Victoria deu de ombros.
“Eu era pequena. Me mantiveram longe da confusão toda.”
“Você nunca foi atrás?”
“Pra quê? Já aconteceu.”
Durante a infância e a adolescência, ela havia conversado exaustivamente com o
dr. João Carlos sobre o assunto. Não tinha dúvidas de que o melhor era seguir
em frente. Àquela altura, contar sua história em voz alta era como revelar o
passado de um desconhecido ou comentar uma desgraça vista na televisão.
Victoria não se sentia mais conectada.
“Onde você estava quando aconteceu?”
“Em casa.”
“A casa que o assassino invadiu?”
“É.”
“Então você viu tudo?”
“Santiago matar minha família e pichar o rosto deles de preto? É… vi.”
Victoria suspirou e abriu um sorriso curto — aquele atrás do qual o dr. Max
dizia que ela se escondia do mundo. Era inevitável. Quando percebia, já estava
arreganhando a boca, com as bochechas doloridas e as narinas comprimidas.
Sabia qual era a dúvida que passava pela cabeça de Georges naquele momento.


Sabia qual era a dúvida que passava pela cabeça de Georges naquele momento.
Era como se estivesse escrita em letras garrafais em sua testa. Victoria se fazia a
mesma pergunta havia vinte anos: por quê? Por que o assassino não foi até o
fim? Por que matou toda minha família e me deixou viva?
Georges encontrou uma abordagem menos direta.
“Ele não te machucou?”
“Não aconteceu nada comigo”, Victoria mentiu. Havia limites que não queria
ultrapassar. Mastigou o gelo que restava no copo, percebendo um leve resquício
da rodela de limão. “Vamos pedir a conta?”
“Claro, claro…”
Os dois ficaram em silêncio até que o garçom levasse a nota.
“Bom, minha vida pelo menos não dá sono!”, ela brincou ao se despedir.
“Adorei te conhecer melhor, Victoria”, Georges disse. “E… sinto muito
mesmo.”
Ele tocou o braço dela de leve, mas Victoria não se esquivou. Ficaram em
contato por alguns segundos, antes que Georges se afastasse na direção do
metrô. Ela o observou descendo as escadas da estação sem olhar para trás. Tinha
certeza de que ele desapareceria de sua vida para sempre; desistiria do Café
Moura e escolheria outro lugar onde trabalhar em seu romance. Dali a alguns
meses, contaria aos amigos entre risadas sobre a maluca que tinha conhecido e
de quem havia escapado por pouco.
Apesar de tudo, ela estava alegre. Gostava da visão da Cinelândia à noite, com o
Teatro Municipal iluminado, pombos alçando voos e músicos pedindo trocados.
Colocou os fones de ouvido. A rua não estava tão cheia àquela hora e os
ambulantes já tinham ido embora, de modo que fez a maior parte do trajeto pela
calçada, evitando as esquinas escuras e atenta aos pivetes, cada vez mais
frequentes naquela região.
A noite havia sido melhor do que imaginara. Georges era agradável, ainda que
guardasse certo ressentimento em relação ao mundo. Durante a conversa, não
tinha sido agressivo como Arroz: não perguntara por que ela não ia beber, não


tinha sido agressivo como Arroz: não perguntara por que ela não ia beber, não
enveredara por perguntas inconvenientes nem fizera questão de levá-la em casa
num cavalheirismo despropositado. Talvez por isso ela tivesse se sentido tão à
vontade para contar tudo a ele. Só agora se dava conta de que tinha revelado
àquele desconhecido um passado que jamais mencionara a Arroz em anos de
amizade.
Ao chegar em casa, foi direto para o quarto, sentou-se na cama e desceu a calça
enquanto cantarolava “Killer Queen”. Estava cansada demais para tomar banho e
decidiu deixar para o dia seguinte. Àquela hora, Georges devia estar vendo tudo
o que havia sobre a vida dela no Google: fotos do local do crime, vídeos com
depoimentos de vizinhos, reportagens especiais. Ela não se importava. Tinha
sido bom falar livremente sobre o assunto.
E não era como se tivesse despejado tudo nele. Havia coisas que guardava só
para si, coisas que ninguém sabia, nem o dr. Max. Os jornais não haviam
noticiado na época e ela praticara bastante ao longo dos anos para que ninguém
percebesse. Já na cama, Victoria retirou a prótese da perna esquerda, encaixada
pouco abaixo do joelho, recostou-a no canto ao lado da cabeceira e se deitou
para dormir, pensando em Georges e nas sutilezas que a tinham feito gostar tanto
dele.
4.
Uma colher. Outra colher. E mais outra. Victoria observava tia Emília comer.
Recostada à cama, a velhinha espremia os lábios murchos e saboreava o iogurte
contra o céu da boca antes de engolir. Então levantava os olhos para a sobrinha-
neta com um sorriso cúmplice, como se estivessem cometendo um crime federal.
Vez ou outra, um filete escorria pelo queixo e caía sobre a camisola puída, mas
ela não se abalava.
“Tem mais?”, perguntou ao terminar.
Victoria fez que sim. Retirou outro pote da mochila e levantou o lacre com a
unha roída.
“Você é tão boa pra mim, minha filha”, tia Emília comemorou.
Levou as mãos aos cabelos ralos, arrumando-os por hábito, então pegou o pote e


Levou as mãos aos cabelos ralos, arrumando-os por hábito, então pegou o pote e
voltou a comer em silêncio, lambendo a colher. Vê-la serena daquele jeito,
extraindo tamanho prazer de um iogurte de morango comprado no mercado da
esquina, animava Victoria. Depois de tudo, visitá-la às quartas-feiras — seu dia
de folga no café — era o mínimo que podia fazer.
Na noite em que o Pichador invadira sua casa, ela ligou para a tia-avó pedindo
socorro. Tia Emília chegou em poucos minutos (morava a apenas três quadras) e
encontrou a sobrinha-neta desmaiada e coberta de sangue no sofá. Diante do
caos, mostrou-se forte. Protegeu Victoria quando jornalistas ofereceram um bom
dinheiro para estampar entrevistas e fotos da criança assustada na primeira
página. Nunca aceitou nenhum tostão dos abutres. Ela acompanhou Victoria nos
meses de hospital, levou-a para casa e cuidou dela, tendo ainda que lidar com
uma crise financeira que culminou alguns meses depois na venda da escola. O
lugar virou uma filial da Blockbuster e, mais tarde, uma Igreja Universal. A casa
onde tudo acontecera ficou anos à venda, até que alguém da vizinhança a
arrematasse por um valor pouco acima do risível.
O acidente — banal, na sala de casa — aconteceu em 2014. Tia Emília regava as
plantas da janela, desatenta, quando tropeçou no tapete. Fraturou a bacia e o
fêmur na queda. Victoria encontrou a tia-avó ainda desmaiada ao chegar do
trabalho e chamou depressa uma ambulância. Após uma cirurgia delicada, o
médico informou que tia Emília teria que andar de muletas por algum tempo.
Caso melhorasse, passaria a usar bengala em alguns meses. Mas nada mais seria
igual. Ela esteve bem perto de perder a tia-avó. Deparou com a horrível sensação
de estar sozinha no mundo.
Victoria antecipou as férias no trabalho para ficar em casa cuidando da tia-avó.
Logo ficou claro para as duas que tinham um problema. Victoria precisava
voltar, ou perderia o emprego. Foi tia Emília quem sugeriu a mudança para uma
casa de repouso. A ideia pareceu absurda a Victoria. A inversão de papéis era
natural: tia Emília havia cuidado dela a vida inteira, agora ela tinha que retribuir.
Quando a tia-avó insistiu e se internou por conta própria numa casa de repouso
no Flamengo, Victoria reagiu mal. Sentindo-se abandonada, deixou de ir ao
psiquiatra. Sem o acompanhamento do dr. João Carlos e da tia-avó, começou a
beber cada vez mais, no trabalho e noite adentro, nos depósitos da Lapa.
Perdeu o emprego e continuou a beber. Até que acordou deitada na calçada sob o


Perdeu o emprego e continuou a beber. Até que acordou deitada na calçada sob o
sol inclemente do meio-dia, com a pele queimada e os ossos doendo. As pessoas
que passavam achavam que era uma moradora de rua. Foi levada direto ao
hospital, com insolação e desidratada. Uma vez liberada, já estava bebendo de
novo.
Tanto tempo depois, Victoria ainda sentia que era injusto tia Emília morar
naquele lugar sufocante, com corredores estreitos, cheiro forte de água de
colônia, programas de auditório passando o dia todo na televisão pequena e sopa
sem gosto para o jantar. Os idosos senis gemendo dos quartos ou gritando
palavras delirantes a incomodavam terrivelmente. Mas a vida não tinha nada a
ver com justiça, e ela aprendera aquilo bem cedo.
Enquanto a tia-avó terminava de comer, Victoria se levantou da cadeira e se
aninhou a ela na cama, segurando seu corpo magro como se fosse um
travesseiro. Aquele momento de intimidade entre as duas lhe fazia muito bem.
Era a maior proximidade que conseguia ter com outra pessoa. Gostava da textura
das mãos da tia-avó, da pele fina, quase transparente, com veias roxas saltadas.
Tia Emília tinha as costas repletas de manchas da velhice e usava um aparelho
de surdez, que buscava esconder com os finos cabelos prateados.
“Você está diferente”, a senhora disse, encarando-a com um sorriso.
“Eu? Não…”
Victoria desviou o olhar. Enfiou o rosto no colo dela, sentindo seu perfume pós-
banho.
“Conheceu alguém?”, tia Emília quis saber. Continuava perspicaz e direta.
“É, acho que tenho um novo amigo.”
“Ele é bonito?”
“É só um escritor que passa a tarde trabalhando lá no café.”
“Ele te chamou pra sair?”
“A gente tomou uma coca juntos.”


“Pelo visto, você gostou dele.”
“Você disse a mesma coisa quando conheci o Arroz.”
Tia Emília arqueou as sobrancelhas, vitoriosa.
“Dessa vez é diferente. Você não ficou vermelha quando falei do Arroz.”
Victoria não sabia o que dizer. Era como se a tia-avó pudesse ler seus
pensamentos.
“Impressionante como você é igual ao seu pai”, tia Emília continuou. “O
Mauro também era assim. Quieto, misterioso. A gente perguntava e ele não
respondia.”
A verdade era que Victoria se lembrava muito pouco dos pais ou do irmão.
Era muito nova quanto tudo acontecera. Segundo o dr. Max, era normal que sua
mente tivesse criado bloqueios para protegê-la. Ao longo dos anos, Victoria
vinha recolhendo migalhas de sua genética nas conversas com tia Emília:
cruzava os braços como o irmão, tinha o jeito e o olhar do pai, o sorriso e a voz
da mãe. Ela reconstruía sua família como quem lia um livro de ficção e
imaginava os personagens. Sabia que seu irmão era aficionado por Star Wars e
colecionava camisas de times de futebol; sabia que seu pai era tímido, discreto e
que nunca havia namorado antes de conhecer a futura esposa; sabia que sua mãe
era uma mulher alegre e expansiva, que cobrava bastante dos alunos nas provas
de álgebra. Histórias e mais histórias.
Diante da cama, na estante de madeira de tia Emília, ao lado de alguns santinhos,
uma Bíblia e porta-retratos com imagens das duas juntas ao longo dos anos,
havia uma foto de toda a família reunida na frente de um relógio de flores.
Tinha sido tirada em uma praça de Poços de Caldas, numa viagem no feriado da
Páscoa. Eric, com nove anos, era o único de cara fechada. Estava chateado
porque os pais tinham se recusado a comprar alguma coisa que ele queria.
Victoria era uma criança pequena e feliz, agarrada às pernas de Mauro, com
Sandra ao lado, linda como sempre, com cabelos longos, um sorriso no rosto e a
postura altiva de professora. Victoria percebia certa semelhança física entre ela e
a mãe: os mesmos olhos claros, a mesma boca fina, o mesmo nariz pequeno.


a mãe: os mesmos olhos claros, a mesma boca fina, o mesmo nariz pequeno.
Mas se sentia uma versão malfeita de Sandra.
“Não estou interessada em ninguém”, Victoria disse, encerrando o assunto.
“Não vejo nada de mais”, tia Emília insistiu. “Rezo todo dia para você conhecer
um homem de bem.”
Católica fervorosa, tia Emília passava o dia rezando, lendo a Bíblia ou assistindo
a missas na TV. Victoria balançou a cabeça e sorriu. Tinha, sim, gostado de
conhecer o escritor. E era verdade que, em alguns momentos, havia se flagrado
fantasiando a seu respeito. Mas Georges não aparecera no café no dia anterior,
terça-feira. Talvez ele nunca mais aparecesse. Afinal, quem gostaria de conviver
com uma pessoa tão fodida quanto ela? Melhor continuar sozinha. Era mais
seguro.
Saiu da casa de repouso pouco antes do meio-dia. Tinha planejado terminar de
ler Coraline, do Neil Gaiman, e fazer uma maratona de cinema à tarde. Era o dia
mais barato da semana, e ela ainda pagava meia-entrada com uma carteirinha
falsificada por Arroz. O que gastava nos ingressos economizava no ar-
condicionado de casa. Estava entrando na estação de metrô quando o celular
vibrou no bolso. Tinha certeza de que era Arroz — ele havia telefonado várias
vezes nos dias anteriores —, mas para sua surpresa era seu Belino, dono do Café
Moura. Era raríssimo que a procurasse, principalmente em dia de folga. Victoria
atendeu na mesma hora.
Com seu sotaque português, seu Beli explicou que Ellen, a outra garçonete,
tivera problemas familiares e precisara faltar. O salão estava enchendo e ficaria
ainda pior na hora do almoço. Ele e Margot não dariam conta. Precisava que ela
fosse correndo cobrir a colega. A contragosto, Victoria aceitou. Não podia deixar
seu Beli na mão. Ele era um sujeito atarracado, com expressão severa e ataques
de grosseria, mas ela o conhecia havia anos como um grande amigo de tia Emília
— e talvez tivesse sido um pouco mais do que aquilo no passado. Por debaixo da
carapaça mal-humorada, Victoria conseguia perceber a ternura do velho. Além
de tudo, seu Beli havia lhe oferecido aquele emprego quando ela era um fiapo de
gente, com olheiras e dor de cabeça constante por causa da bebida. Ela tinha uma
dívida com ele.
Victoria pegou o metrô cheio sentido Zona Norte. Toda aquela gente, todos
aqueles barulhos, cheiros e suores a remetiam à imagem do inferno. Tomou a rua


aqueles barulhos, cheiros e suores a remetiam à imagem do inferno. Tomou a rua
da Assembleia, caminhando depressa pelo meio-fio para evitar a calçada lotada.
Ao erguer a cabeça, viu o letreiro grande e vertical do Café Moura. Logo que
entrou foi abordada por seu Beli, com a testa suada e duas pizzas se formando na
camisa. Ele lhe estendeu o avental.
“Foi na casa de repouso?”
Victoria fez que sim com a cabeça.
“Como ela estava hoje?”
“Falante, como sempre.”
Victoria sabia que seu Beli visitava a tia-avó com frequência, mas eles nunca
conversavam muito a respeito. Ela notou que o salão já estava lotado: um zum-
zum-zum baixinho de conversa e o som da louça batendo preenchia os dois
andares. O cheiro de grãos torrados de café dominava tudo. No caminho para o
caixa, Victoria evitou olhar para a mesa onde Georges costumava se sentar.
Sabia que não ia encontrá-lo ali, mas só de pensar nisso já estava olhando. E,
para seu espanto, lá estava ele.
O escritor tirou os headphones, apoiou sobre o teclado do laptop e acenou para
ela. Victoria sentiu um arrepio descer pela espinha e virou o rosto depressa,
fingindo que não tinha visto. Tinha sido idiotice aceitar o convite de um cliente
para sair. Não poderia se livrar dele nem se quisesse. Estava terrivelmente
arrependida. Perguntou a Margot, no balcão, se precisava de alguma coisa, então
colocou dois mistos na chapa.
“Mesa doze”, Margot disse, pondo uma xícara de cappuccino na bandeja.

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