Uma Mulher no Escuro



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Uma Mulher no Escuro - Raphael Montes (2)
EXAME 013052022, A Cinco Passos de Voce - Rachael Lippincott, WORKSHOP TER 25JAN protected
Dirijo atento ao limite de velocidade, enquanto espero meu ritmo cardíaco
voltar ao normal. Foi por pouco. Pelo retrovisor, vejo Victoria deitada no banco
traseiro com a cabeça recostada na porta. Ela está muito suada e machucada.
Entre desmaios e gemidos, dorme e acorda, dorme e acorda. Depois de alguns
minutos, pergunta se falta muito para chegar ao hospital. Digo que não. Ela
está tão zonza que não olhou para fora, ainda não se deu conta de que não


estamos indo para o hospital.
Se não fossem as câmeras que instalei no apartamento, eu não conseguiria
chegar na hora certa. Gabriel quase colocou tudo a perder. Eu o ajudei a fugir
do hospital psiquiátrico, consegui a papelada que o transformou no dr. Max e
me livrei do antigo médico para que ele pudesse se aproximar de Victoria e a
guiar até mim. Mas Gabriel me traiu. Estimulou uma confiança excessiva em
Victoria, a transformou numa puta que se entrega a qualquer um. Agora, ele
está morto e Victoria está comigo. Vou consertar tudo. O relógio marca quatro
da tarde. Sigo pela Linha Vermelha e entro na Ilha do Governador.
Minutos depois, chegamos à casa. A casa onde tudo começou. Aperto o controle.
O portão se abre lentamente. Volto a olhar o retrovisor e percebo que ela me
encara. Há algo de diferente no rosto dela. Uma expressão indisfarçada de
terror. Com um sorriso, digo que não precisa ter medo. Que vai ficar tudo bem.
Victoria se agita, tenta inutilmente abrir a porta. Chuta e soca os vidros do
carro como num ataque epiléptico. Sou obrigado a manobrar mais depressa e
passo de qualquer jeito pelo portão. Arranho a lataria, mas não me importo.
Sem perder tempo, desço do carro e abro a porta traseira. Tento puxar Victoria
pelos braços, mas ela está arredia, tenta me abocanhar, como um animal
selvagem. Dou um tapa na cara dela. Dou outro mais forte, que faz seus óculos
voarem longe, e a agarro em seguida. Empurro a porta da garagem com a
perna. Deito-a na mesa e acendo as luzes. Meu coração se enche de alegria.
Finalmente, chegamos. Estou de volta com minha Rapunzel. Só nós dois, no
nosso cantinho.
29.
A garagem estava abafada, com cheiro de maresia e móveis enferrujados. No
centro do retângulo, a mesa de madeira era cirúrgica e primitiva, com as bases
fixadas ao chão por parafusos velhos. Victoria estava deitada sobre ela, com as
pernas esticadas e os tornozelos afivelados. Seus braços estavam acima da
cabeça, presos em cintas de couro. Ela sentia os ombros dormentes. Arfando,
encarava o teto preto, com um complexo emaranhado de canos e luminárias que
castigavam sua vista. Olhou para os lados à procura de Arroz, mas sem óculos
era praticamente impossível ver qualquer coisa. Considerando os sons, ele estava
em algum ponto além de sua cabeça.
“O que você está fazendo?”, Victoria perguntou. O suor fez seus olhos arderem.


“O que você está fazendo?”, Victoria perguntou. O suor fez seus olhos arderem.
“Pelo amor de Deus, eu…”
Viu uma sombra crescer no teto, então Arroz apareceu diante dela.
“Estou aqui”, disse, com a voz serena.
“Arroz, me escuta…”
Ele a segurou com força pelo queixo, apertando-a.
“Não me chama de Arroz.”
O rosto de Victoria queimava. As costas também ardiam muito.
“Por favor”, ela disse, cautelosa. “Me leva pro hospital.”
Arroz acariciou o rosto dela, especialmente na área avermelhada onde tinha
batido. Saiu da garagem por um instante, deixando uma nesga de luz escapar
pela porta entreaberta e iluminar os cantos da garagem, antes mergulhados na
escuridão. Victoria se arrepiou ao perceber que tudo tinha sido preparado por
ele.
Nas paredes, dezenas de pichações com palavras aleatórias que ela não
conseguia ler daquela distância. No canto, caído no chão, algo que parecia um
amontoado de lençóis. Ela apertou os olhos, tentando focalizar, e reconheceu
uma figura humana entre os trapos, com a cabeça recostada na parede.
“Georges?”, ela chamou, horrorizada.
“Não adianta”, Arroz disse, voltando a aparecer na porta. “Ele está sedado.”
“O que você fez com ele?”
Sem responder, Arroz se aproximou e colocou latinhas de cerveja ao lado dela.
Prendeu os cabelos num coque improvisado e acendeu um cigarro de maconha,
soprando a fumaça. Colocou o baseado entre os lábios dela. Victoria cuspiu o
cigarro, com raiva.
“Vamos brincar?”, ele disse, sem se abalar. Pegou o baseado e o acendeu


novamente. “Era assim que ela me chamava pra cá. Era maravilhoso.”
Arroz sorriu. Abriu duas latinhas de cerveja e bebeu uma inteira em goladas.
Pressionou a outra na boca de Victoria, virando-a para que o líquido descesse
pela garganta. Ela engolia depressa, tomada por uma sensação de afogamento.
Engasgou e tossiu muito. O gosto do álcool a deixou com ânsia de vômito.
“Por que está fazendo isso?”
“Fui tão feliz com minha Rapunzel”, ele disse, em um tom ofendido. “Ela jurou
que ia ficar comigo pra sempre, prometeu fugir comigo, mas… Quando
completei dezessete anos, ela me rejeitou. Disse que tinha acabado… Eu não
servia mais…”
Arroz forçou Victoria a tragar o cigarro e abriu uma nova latinha. Voltou a
emborcá-la para ela.
“Fiz tanto pra te conquistar. Quando vi como era parecida com ela, salvei sua
vida. Mas você nunca me quis, nunca confiou em mim”, ele disse, no mesmo
tom que sempre usara com ela, o que era ainda mais perturbador. Havia carinho,
mas também rancor. “Preferiu se prostituir com aquele escritorzinho de merda.
Foi horrível ter que assistir a vocês dois transando no seu apartamento e não
fazer nada. Você confiou nele. Contou coisas pra ele que nunca tinha me
contado.”
Victoria voltou a olhar para Georges. Se acordasse, ela talvez tivesse alguma
chance, mas ele sequer se mexia. Borrões escuros apareciam diante dos olhos
dela e a cabeça voltava a latejar, antecipando o desmaio. Arroz entrou na frente
dela, sério.
“Era por mim que você devia se apaixonar.”
Ele baixou o rosto, lambendo o pescoço dela. Sedento, subiu até as orelhas e
depois desceu depressa, enfiando o nariz entre seus seios e respirando fundo.
“Não… Por favor!”, Victoria gritou, quando ele puxou a blusa dela e mordiscou
seus mamilos.


Ela usou todo o seu ódio para fazer força. Agitou os punhos afivelados, apertou
as mãos e urrou, se contraindo toda. Não adiantou. Arroz contornou a mesa,
posicionando-se próximo aos pés dela. Soltou as cintas que envolviam os
tornozelos de Victoria, rasgou sua calcinha e dobrou as pernas dela no ar, com
violência. Segundos depois, ele as soltou e se aproximou, erguendo a mão com
uma faca perto dos olhos de Victoria.
“Abre direito ou vou ter que usar isso”, disse.
Ela se via sufocada, entregue, abandonada. Precisava dar um jeito de chamar a
atenção dos vizinhos, mas a garagem ficava em uma parte isolada da casa. Era
pior do que estar morta. Resignada, sentiu quando ele a penetrou com um dos
dedos, depois com outro, e mais outro. Doía muito, mas ela estava entregue. A
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