Uma Mulher no Escuro



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Uma Mulher no Escuro - Raphael Montes (2)
EXAME 013052022, A Cinco Passos de Voce - Rachael Lippincott, WORKSHOP TER 25JAN protected
20 de agosto de 1993, sexta
Não tive tempo de escrever aqui, mas esta foi a pior semana da minha vida.
Para começar, tive as primeiras provas do semestre e fui muito mal em
matemática e história, que eu odeio. Meu pai quase não ficou em casa e
aproveitei pra ficar tocando punheta sossegado, mas não é a mesma coisa que ter
a Rapunzel, sentir o cheiro, os peitos e a boca quente dela.
Tentei falar com a Rapunzel a semana inteira, mas ela me ignorou, como se não
tivesse acontecido nada no sábado. Na terça ou na quarta, ela passou direto por
mim no corredor da escola, como se eu fosse um fantasma. Fiquei muito mal.
Ando tendo uns pesadelos esquisitos, acordo suando, com o corpo tremendo, o
coração batendo forte e o pinto duro. Penso na Rapunzel o tempo todo, até
durante a aula. É como se ela tivesse grudado na minha cabeça. Hoje, na hora do
recreio, não aguentei e fui atrás dela.
Rapunzel saiu do banheiro do terceiro andar. O corredor estava cheio de gente,
mas cheguei perto sem medo e disse que precisava conversar. Ela mexeu nos
cabelos, nervosa, e me puxou pelo braço até um canto. Com a voz baixa, disse
que confia em mim, que a gente tem um segredo e que, se eu não me controlar,
nunca mais vai me chamar pro nosso cantinho. Eu só queria que ela me desse um
beijo, um só, mas nem isso ela fez. Foi embora com um “até mais, meu príncipe”
e fez um carinho simples no meu rosto, tipo de amigo. Não gostei. Mas também
não sei o que fazer. Contar pro papai não dá. E não vou contar pro Igor e pro
Gabriel porque prometi pra ela. Então só posso escrever aqui e esperar que o
“até mais” chegue logo. Será que um dia chega?


“até mais” chegue logo. Será que um dia chega?
[…]
9 de setembro de 1993, quinta
Acho que não vou mais ser amigo do Igor e do Gabriel, eles estão muito chatos.
Hoje sumiram no recreio. Quando encontrei com eles no campão ficaram
cochichando baixinho perto da grade pra eu não escutar.
Não sei o que aconteceu, mas eles não me chamam mais pra pichar nem pra
jogar video game. Desde semana passada. Quando comentei isso, eles falaram
que sou muito criança, então pega mal andar comigo. Fiquei com raiva na hora.
Aí falei que criança eram eles, que nunca tinham levado uma chupada. Os dois
riram. Depois fizeram um monte de perguntas, mas não contei nada. Igor ficou
falando que ele já tinha até transado enquanto eu era um virjão idiota. Deve ser
mentira dele.
[…]
11 de setembro de 1993, sábado
Minha cabeça ainda está doendo, mas não foi sonho. Aconteceu de verdade.
Ontem, na saída da escola, a Rapunzel me disse que ia estar sozinha em casa
hoje. Fiquei feliz e ansioso. Nem dormi direito. Logo depois do almoço, meu pai
me deixou de carro na porta do Igor. Fui direto pra casa da Rapunzel. Ela tinha
deixado o portão encostado e já estava me esperando no nosso cantinho.
Quando cheguei, ela tirou a roupa, mostrando os peitões. Os cabelos meio que
caíam no rosto e ela tinha um cigarro na boca. Pelo cheiro, era maconha. A
luzinha acendia nos lábios dela, como se fosse um pisca-pisca. Ela estendeu o
cigarro pra mim, mas eu recusei, dizendo que não queria ficar viciado. A
Rapunzel riu e disse que maconha não faz mal nem vicia, que era só pra relaxar.
E relaxa mesmo.
De primeira, não senti nada. Ela disse que era pra eu puxar mais forte, e aí até
saiu fumaça. Mandou eu tirar a roupa também e a gente ficou pelado um do lado
do outro, eu com o pinto duro, bebendo a latinha de cerveja que ela me deu.


do outro, eu com o pinto duro, bebendo a latinha de cerveja que ela me deu.
Quando o cigarro já estava acabando, ela acendeu outro. Eu já estava meio tonto
e parei. A gente bebeu juntos umas cinco latinhas, acho. Não sei direito a ordem
das coisas porque eu estava tentando parecer calmo, mas por dentro estava muito
nervoso. Ela pegou minhas mãos e ficou cheirando, depois colocou meus dedos
na boca, como se fossem pirulitos. Deitou na mesa redonda e abriu bem as
pernas, mostrando a xoxota.
A Rapunzel pediu que eu enfiasse os dedos nela. Obedeci, devagar, e ela gritou e
ficou pedindo mais, mais fundo. Era quente e molhado lá dentro, a Rapunzel se
contorcia, e parecia que sugava meus dedos, quase a mão inteira. Aí chegou a
hora de ficar em cima dela. Foi difícil encaixar o pinto, mas ela ajudou e foi uma
delícia. Gozei dentro dela, sem ar, gritando muito. A sensação era de que todo o
meu sangue saía pelo pinto. Deitei do lado e senti a mesa grudando nas minhas
costas por causa do suor. Minha cabeça girava como aqueles brinquedos de
parquinho. O teto parecia o desenho do universo em expansão que
a gente vê nas aulas de geografia. Era preto e tinha umas coisas de ferro nele e
uns pontinhos que pareciam estrelas.
Uma das luminárias balançando de um lado pro outro começou a conversar
comigo. Ela tinha olhos e uma boca que se mexia, e achei aquilo doido e
engraçado. Meu cérebro doía de tanto rir. Fiquei muito cansado, estava quase
dormindo, quando vi dois olhos no alto da parede. Gritei e fiquei de pé na
mesma hora, todo arrepiado. Os olhos sumiram, mas logo depois uma sombra
passou atrás de mim e escutei um barulho de algo caindo. Meu coração estava
acelerado e senti que ia desmaiar. Não acredito em fantasma, mas não conseguia
parar de tremer.
Rapunzel me abraçou e me acalmou. Disse que não tinha nada, eu só estava
delirando. Fiquei mais tranquilo quando ela acendeu a luz e me deu uma barra de
chocolate. Depois jogou uma toalha pra mim e mandou eu me vestir depressa e
ir embora antes que alguém chegasse.
Continuei preocupado. Quando dobrei a esquina, no caminho para casa, olhei pra
trás, me sentindo observado. Não vi ninguém. E vomitei.
[…]



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