Uma Mulher no Escuro



Baixar 1.39 Mb.
Pdf preview
Página18/37
Encontro10.07.2022
Tamanho1.39 Mb.
#24203
1   ...   14   15   16   17   18   19   20   21   ...   37
Uma Mulher no Escuro - Raphael Montes (2)
EXAME 013052022, A Cinco Passos de Voce - Rachael Lippincott, WORKSHOP TER 25JAN protected
2 de agosto de 1993, segunda
Primeiro dia de aula do segundo semestre. Finalmente! Ficar em casa sem fazer
nada é muito chato. Na escola, pelo menos, acontece alguma coisa todo dia.
Hoje, na hora do recreio, o Igor tirou da mochila uma Playboy. Na capa, tinha
uma morena bonita chamada Piera Ranieri, com peitos enormes e uma bunda
lisinha, com marca de biquíni. O Igor ia apontando e explicando as partes
da mulher. O Jean contou tudo pra ele.
As meninas ficaram chocadas e falaram que iam contar pra professora. A gente
ficou rindo, porque é claro que elas não têm coragem. O Igor pegou outra revista
da mochila, Brazil, e nessa tinha gente transando e tudo, em várias posições
diferentes. Ele ficou mostrando onde enfiava, onde colocava a mão, e eu
tentando decorar. O cara da revista tinha um pinto enorme.
O Gabriel pediu a revista emprestada pro Igor, mas ele disse que quer levar pro
inglês. Parece que ele está namorando uma menina de lá que é dois anos mais
velha. Eu sempre falei pro meu pai que queria fazer inglês, mas ele diz que custa
caro e que já aprendo na escola.
A volta às aulas foi legal, só não vi a Rapunzel. Será que aconteceu alguma
coisa?
[…]
11 de agosto de 1993, quarta
Hoje, a Rapunzel falou comigo. Fui na cantina comprar o croissant de chocolate
que eu adoro e na saída ela passou por mim. Fiquei, tipo, sem conseguir respirar.
Ela olhou pros dois lados pra garantir que não tinha ninguém, aí chegou perto e
disse que ia estar sozinha no sábado e que eu posso ir na casa dela se quiser. Na
casa dela! Claro que quero. Quando voltei da escola, meu pai estava no sofá
vendo TV e falei que o Igor me chamou pra passar o sábado jogando video
game. Ele deixou.
[…]
14 de agosto de 1993, sábado
Depois do almoço, meu pai me deixou na porta da casa do Igor e disse que ia no


Depois do almoço, meu pai me deixou na porta da casa do Igor e disse que ia no
cinema com uma colega do trabalho, que eu sei que é a nova namorada dele,
mesmo que não diga isso. Esperei ele ir embora de carro e dei a volta no
quarteirão, andando de cabeça baixa para ninguém me ver. A Rapunzel já estava
me esperando na janela da frente. Quando apareci no portão, ela abriu e entrei
rapidinho. Já fui logo beijando, mas ela disse para eu ter calma e me chamou de
príncipe. Falou que também estava com saudades, mas que eu não precisava ter
pressa. Senti cheiro de cigarro na boca dela. Não sabia que ela fumava.
Logo notei que ela estava com medo de alguém chegar. A Rapunzel pegou
minha mão e me levou até a garagem coberta, que é mais seguro porque não tem
janela nem carro, só umas caixas, coisas velhas e uma luz fraquinha, fraquinha
das luminárias no teto. Ela disse que aquele era nosso cantinho e me deu um
abraço forte. Meu pinto ficou duro na mesma hora. Foi como se eu todo fosse
explodir.
Ela perguntou se eu bebia. Uma vez, num churrasco, eu pedi pro meu pai pra
provar cerveja e ele me deu um gole. A Rapunzel pegou duas latinhas de cerveja,
abriu uma e tomou vários goles. Então abriu a outra e colocou na minha mão.
Tinha um gosto horrível, mas tentei não fazer careta. Ela puxou uma mesa de
madeira redonda e sentou nela, cruzando as pernas. A calcinha era meio
transparente e dava pra ver tudo.
A Rapunzel ficou conversando comigo, e tentei não falar besteira. Quando a
gente já estava na terceira cerveja, ela disse que estava nervosa e que nunca tinha
feito aquilo. Antes que fosse embora da garagem, puxei a alça da camisola, que
escorregou pelo corpo dela e mostrou tudo o que eu tinha imaginado. Ela é toda
lisa e perfeita, bem mais perfeita do que qualquer mulher na Playboy. A pele é
quente e tem cheiro de morango.
Tirei minha camiseta encharcada de suor. Eu estava com muita vergonha por
ainda não ter pelos no sovaco, no pinto ou no peito, mas ela não comentou nada.
Rapunzel colocou a mão na minha nuca, puxou minha cabeça e passou a língua
no meu pescoço. Retribuí e comecei a morder os peitos dela, duros e perfeitos.
Ela mexeu a cabeça com os olhos meio fechados. Arrancou minha bermuda com
um puxão e desceu minha cueca.


Quando vi, a boca dela estava no meu pinto, chupando. A língua dela se mexia
de um jeito diferente, dando voltas, subindo e descendo. Senti uma coisa quente
vindo dentro de mim. Quando a porra saiu do meu pinto, ela lambeu tudo, me
olhando com um sorriso lindo. E me chamou de príncipe de novo. Gosto disso.
Ela é minha Rapunzel, eu sou o príncipe dela. E temos nosso cantinho. Ela se
aproximou e, por mais que eu sentisse um pouco de nojo depois daquilo,
começou a me beijar. Já escovei os dentes três vezes e o gosto ainda não saiu.
Mas não me arrependo. Foi perfeito. Acho que não vou conseguir dormir essa
noite.
17.
Onze e quarenta e três. As horas piscavam na tela do celular de Victoria. Ela
rebobinou e assistiu uma dezena de vezes ao vídeo captado pela câmera da sala:
às onze e vinte e sete, ela saía do quarto, se servia de um copo d’água, deixava
Abu sobre o sofá e apagava as luzes. Batia a porta de casa às onze e meia em
ponto para encontrar Georges no restaurante árabe da Galeria Condor. A imagem
da sala ficava congelada — como se fosse uma foto — pelos treze minutos
seguintes. Às onze e quarenta e três, o maço de papéis era empurrado por baixo
da porta num movimento rápido.
Santiago devia ter ficado na rua — talvez escondido dentro de um carro —,
esperando que ela saísse para invadir o prédio e deixar as folhas. Depois de lê-
las, devorando as palavras como se temesse que se apagassem, Victoria foi
confrontada pela horrível certeza de que o pesadelo estava longe de acabar.
Mesmo que colocasse muitos trincos na porta, ele sempre daria um jeito de
entrar em sua vida. Continuaria a observá-la. Era aquele o significado do gesto,
Victoria tinha certeza. Por algum tempo, conseguira sustentar a ilusão de que ele
havia desistido e ela poderia viver em paz, mas agora havia acabado.
Victoria foi até a janela, sentou na banqueta e se inclinou para olhar o telescópio.
Ajustou o foco no posto de gasolina, onde uma fila de táxis aguardava o fim de
um show na rua Mem de Sá. O batuque da música era tão alto que ela podia
escutar dali, a duas quadras de distância. Pouco a pouco, foi reduzindo o zoom
enquanto esquadrinhava os carros estacionados no meio-fio e as poucas pessoas
na rua: dois moradores de rua dormiam debaixo da marquise, alguns garotos
fumavam e bebiam numa esquina e um casal discutia em um bar às moscas na


fumavam e bebiam numa esquina e um casal discutia em um bar às moscas na
outra. Em noites chuvosas como aquela, ainda mais de domingo, a Lapa ficava
bem vazia. Um homem dormia dentro de um Vectra, com o banco do motorista
recostado. Ela o focalizou — parecia um senhor de idade, com barba branca e
óculos de grau pendurados na gola da camisa. Talvez um motorista de Uber
tirando alguns minutinhos de descanso. Ela não tinha como saber.
Subitamente, teve a impressão de que estivera procurando no lugar errado o
tempo todo. Se Santiago estava tão obcecado por ela, teria alugado um
apartamento em algum dos prédios vizinhos, de cuja janela pudesse observar
seus movimentos. Fechou um pouco a cortina e percorreu a fachada dos prédios
do outro lado da rua com a lente do telescópio. A maioria dos apartamentos
estava com a luz apagada àquela hora. Os poucos com a luz acesa tinham as
persianas baixadas, de modo que ela não conseguia ver muito. E se Santiago
tivesse alugado um apartamento no prédio dela mesmo? Não era tão difícil,
afinal. Os moradores mudavam a cada dia, e havia pelo menos umas três ou
quatro unidades disponíveis para aluguel. A ideia a deixou com um frio na
espinha. Ela escondeu o canivete suíço debaixo do travesseiro.
Como não ia conseguir dormir, resolveu reler o diário de Santiago desde o
início, em busca de algo que tivesse escapado. Em poucos minutos, ficou
surpresa ao encontrar uma menção a Sofia em 22 de maio de 1993. Daí o Igor

Baixar 1.39 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   14   15   16   17   18   19   20   21   ...   37




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal